Documentário focado na vida de Dalton Trumbo (1905-1976), examina os efeitos em indivíduos e familiares vítimas de perseguição congressista aos comunistas de Hollywood após a segunda guerra mundial. Trumbo foi um de vários roteiristas, diretores e atores que invocaram a primeira emenda se recusando a responderem as perguntas sobre juramento. O filme segue a vida de Trumbo na prisão e seu exílio no México com sua família.
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Hollywood, anos 50. Retrato da vida e do trabalho do escritor Dalton Trumbo (1905-1976), um prestigiado roteirista que apareceu na lista negra do senador MacCarthy, o instigador da notória "Caça às bruxas", cujo objetivo era os membros do partido comunista nos anos 50. Destacando suas palavras inacreditáveis, o filme caracteriza algumas de suas extraordinárias letras, clips de seus filmes, além de entrevistas de arquivo ou atuais daqueles que mais o conheciam. Notável e pertinente documentário em que alguns atores famosos atuais declamam algumas de suas cartas da época, falando de um dos escritores e roteiristas mais solicitados do cinema e que foi obrigado a usar diversos pseudônimos para poder trabalhar após ter sido investigado pela Lista Negra. Como documento histórico, torna-se recomendadíssimo e imperdível.
Para ver o que um estado policial do "politicamente correto de um lado só" pode fazer de caça às bruxas.
Excelente filme e mais uma mostra do ideais injustiçados, um dos maiores roteiristas do mundo perseguido politicamente pelo pais mais "Livre" SQN excelente filme e mais uma aula de história
Na minha infância, sempre gostei dos faroestes protagonizados por John Wayne. Não sabia que na vida real o cowboy era tão estúpido. Gostei do filme. Achei melhor que o Testa de ferro por acaso, do Woody Allen. Trumbo conta uma história que se passa na era de ouro de Hollywood. Os anticomunistas tinham razão em ter tanto zelo por Hollywood. Minha cabeça de criança foi feita pelos filmes dos EUA que curti na minha infância. Nunca consegui eliminar a visão de mundo, o ideal de beleza feminina e outros lixos ideológicos que foram enxertados de forma subliminar na minha mente. Mas, ironia da história, depois que entrei na Universidade virei simpatizante do marxismo. Pena que eu não tenha visto na minha infância mais filmes de Trumbo e de seus companheiros denunciados pela Comissão de Atividades Antiamericanas. Teria uma visão de mundo mais aberta. Assisti Spartacus no início dos anos 1960. Nunca me esqueci da cena em que o gladiador negro deixa de matar seu companheiro de arena para investir contra os nobres romanos. O filme Trumbo fala o tempo todo de solidariedade. Por isso, toca o coração de quem ainda não foi carcomido pelo cinismo.
Dalton Trumbo tem uma história fantástica em Hollywood. Boa parte das controvérsias em sua longa carreira é alvo de análise de Trumbo (Trumbo: Lista Negra, no Brasil). A impecável direção de arte e a brilhante atuação de Bryan Cranston dão corpo ao filme dirigido por Jay Roach, que comete o pecado de não saber distribuir o tempo de exibição – e, consequentemente, omitir os anos finais da carreira de Trumbo.
O foco do filme está na análise do período da Hollywood Blacklist, buscando mostrar como Trumbo (Cranston) teve que lidar com a pressão por ser um comunista. Em 1947, o roteirista que já era famoso nos Estados Unidos por conta de seu trabalho na década anterior, foi pressionado a depor no Comitê de Atividades Antiamericanas, que mostrava preocupação com a influência dos comunistas no cinema dos EUA. Após Trumbo e outros nove roteiristas (conhecidos como Hollywood Ten) se negarem a responder as perguntas do órgão, eles foram condenados pelo Congresso por obstrução e serviram penas que variam de seis meses até um ano.
Após cumprir seu tempo na cadeia, Trumbo teve outro problema: dinheiro. Após viver anos como milionário graças a contratos fartos com MGM e Paramount, o roteirista sentiu na pele as restrições impostas aos comunistas – Ronald Reagan e Richard Nixon davam seus primeiros passos na política americana neste período. No filme, a colunista social Hedda Hopper (Helen Mirren) atua junto do líder do Sindicato dos Atores, John Wayne (David James Elliott) para evitar que qualquer um dos ex-comunistas volte a trabalhar em Hollywood.
O filme distancia-se da realidade em certos momentos (como em diálogos falsos atribuídos à Edward G. Robinson), mas dá um bom panorama sobre como Trumbo vendeu roteiros de 100 páginas feitos em três ou quatro dias por uma quantidade de dinheiro suficiente para manter sua família. O longa trata sobre os casos de Roman Holiday e The Brave One, escritos por Trumbo e vencedores do Oscar de melhor roteiro. No primeiro caso, Dalton usou seu amigo, Ian McLellan Hunter, para vender os direitos para a Paramount. No segundo, Trumbo criou o pseudônimo de Robert Rich.
A base do roteiro foi duramente criticada tão logo o projeto foi anunciado. A biografia escrita por Bruce Cook, duramente criticada no período de publicação, conta a história através de relatos de terceiros e não faz, de forma alguma, um trabalho criterioso na seleção de fontes– fica o aviso para quem for comprar o livro no Brasil, lançado junto do filme. Cook não teve o cuidado de mediar o discurso de Trumbo, portanto não foi atrás para ouvir o outro lado, tornando sua obra em um trabalho de defesa do legado do roteirista e de ataque à Hollywood.
Ainda assim, o bom elenco secundário dá vida a um número incrível de estrelas do cinema. Kirk Douglas e Otto Preminger também foram citados, já que Trumbo trabalhou tanto em Spartacus quanto em Exodus. O desenrolar da história é agradável, e a quantidade de detalhes que rodeiam as décadas analisadas é de chamar a atenção. O filme tem como trunfo a crítica aberta aos anos negros de Hollywood – onde as pessoas eram acusadas apenas por desconfiança. A forma como a história é trabalhada, no entanto, não permite uma análise geral do sucesso do roteirista (não custava nada mencionar que ele também esteve por trás dos sucessos de Papillon e até mesmo sentou na cadeira de diretor em Johnny Got His Gun).
Apesar de fracassar no objetivo de ser um dos protagonistas no Oscar 2016 e de ter uma bilheteria muito abaixo do esperado, Trumbo é o passo inicial da parceria de Cranston com Jay Roach – que devem lançar All The Way na metade deste ano.