Dirigido por
Duração
Um estranho autorretrato protagonizado por uma jovem que implora para andar livremente com sua bicicleta. Acompanhada do pai, que sussurra histórias locais em seu ouvido, de um fantasma repleto de poesia e de uma mulher-lobo, a garota segue em uma missão para encontrar o lago de Texcoco, no México. Exibido no festival FID Marseille.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Infelizmente, o filme será muito mal compreendido, visto que algo em sua publicidade sugere um filme de terror... E, de fato, o é: mas numa perspectiva identitário-cultural. Tinha esquecido que já havia visto algo deste diretor. E que ele destaca-se pelo esquema de "cinema de garagem" (pegando emprestado o termo utilizado pelo Marcelo Ikeda, muitíssimo bem aplicado aqui), levado ao extremo nesta obra sumamente barata, que evidencia toda a gratuidade possível nos recursos de produção em sua própria filmagem. Desde os figurantes que declaram o direito de uso à imagem "ao vivo" até os jogos de múltipla participação actancial do Francisco Barreiro (um tanto antipático, às vezes, ainda que esforçado). A filha do próprio diretor tem seus bons momentos de autodescoberta mexicana e as seqüências finais, envolvendo a revelação da Mulher-Lobo, são brilhantes. Há muito a ser deslindado neste filme inteligente, que periga não funcionar tão bem por algo de cansativo em seus momentos de apresentação e pela excessiva indulgência masculina quanto aos "pais solteiros", categoria que o cineasta também assume. Lembrando que eles não eram viúvos, mas divorciados ou não relacionados com as mães de seus filhos. Fica evidente o que isso implica, não é? Mas é um defeito menor (é moral, não necessariamente cinematográfico - se é que se possa ter a audácia de separar ambos os aspectos aqui): numa revisão, o filme há de crescer, certeza! (WPC>)