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O casal Abel e Junon tem dois filhos, Joseph e Elizabeth. Vítima de uma raro distúrbio genético, a única esperança de Joseph é um transplante de medula óssea. Mas tanto Abel e Junon quanto a filha Elizabeth são incompatíveis, o que leva os pais a tentar um terceiro filho. Assim nasce Henri, que infelizmente também tem incompatibilidade e não pode salvar o irmão. Joseph morre anos sete anos de idade. O episódio vai marcar a vida de todos para sempre. Muito tempo se passa e a relação da família Vuillard só piora. Em particular, entre os irmãos Elizabeth, agora uma mulher autoritária, e Henri, um homem cínico que divide o tempo entre mulheres e bebidas. Após uma discussão, Elizabeth proíbe o irmão de ver o sobrinho Paul, um jovem adolescente que tem sérios problemas mentais.
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Um retrato tão real e ao mesmo tempo tão artificial sobre um natal em família que poderia ser o natal de qualquer um de nós.
Artificial, por que todos envolvidos são admiráveis por serem poéticos, intelectuais, despojados, e não por suas fraquezas ou defeitos, a menos que tais fraquezas possam denotar profundidade ou complexidade em nossa era medicalizada.
A família refém da histérica psicótico-depressiva, a outra casada e com filhos tem uma crise por uma paixão da adolescência da qual ela nunca teve conhecimento, mas todo mundo ri de modo elegante do caldo perpétuo de ressentimentos cozidos por décadas em banho-maria, até mesmo quando o caldo entorna num espancamento em plena cozinha.
As diferenças culturais entre a classe média alta francesa e a família brasileira média são tão gritantes que os dramas representados chegam a soar caricatos. Só que o sofrimento não pode ser medido ou comparado. Mas que se fosse no Brasil já ia ter três tias gritando e chorando ao mesmo tempo em cima daquela porrada, a pulada de cerca da que quis reviver a adolescência tinha acabado em morte, a mãe ia sofrer calada o medo de morrer ou a família inteira já ia ter caminhado de joelhos em romaria pedindo um milagre, ô se ia! Mas não nessa elegante família francesa. Falo isso com ironia: mesmo as famílias francesas pobres e de classe média baixa certamente não reagiriam dessa maneira, e talvez nem os elegantes intelectualizados que corresponderiam aos retratados no filme. Talvez esse seja um retrato de como eles se veem, ou de como gostariam de ser vistos.
Por outro lado, real porque parece ser universal o drama contemporâneo das famílias que se forçam a se encontrar no natal, apesar de todas diferenças e rancores, pra celebrar e brigar juntos. Ouvi de um amigo alemão que o natal provavelmente é o motivo de ainda existirem famílias na Alemanha, porque as pessoas se forçam a se encontrar ao menos uma vez por ano. É certamente também o caso do Brasil.
Ao menos um aprendizado eu tive com esse filme: a gente leva a sério demais os dramas cotidianos e talvez devêssemos aprender a rir do parente que cai de bêbado no meio do jantar de família, ao invés de exaltar cada tropeço no palco da fofoca e da novela do jia-jia.
Apesar o elenco querido, e da boa produção, não gostei muito não.... uma pena.
Excelente filme, com diálogos fantásticos, um momento de reflexão, de catarse , achoum absurdo l ele só receber essa nota
Desplechin faz uma crônica familiar sombria na qual trata de temas pesados como o ódio entre irmãos e a morte. Destaque para o elenco portentoso que reúne a nata do cinema francês.
É um bom filme, mas pra mim apresenta um grave problema de andamento, em alguns pontos acaba correndo demais no desenvolvimento.