Rosa Maria é uma professora de história numa universidade em Portugal, e segue com sua filha pequena, Maria Joana, em um cruzeiro ao redor das civilizações, a fim de ensinar seu ofício à filha e ela própria aprender com os locais sobre os quais sempre lecionou, mas nunca conheceu.
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Muitas vezes um filme é uma história simples na tela, com início, meio e fim. Vê-lo com olhos carregados de ideologia não dá certo; e interpretá-lo como faria um acadêmico é loucura.
7.9 - Um interessante filme, realizado por Manoel de Oliveira, que se apresenta como uma espécie de retrato da História Mundial, de tempos longínquos aos dias de Hoje, apresentado como uma aula de História de uma mãe (professora universitária, precisamente, desta mesma disciplina) a uma filha pequena, enquanto viajam num cruzeiro pelo Mediterrâneo, a caminho de Bombaim, onde se encontrarão com o marido/pai, respectivamente. Pelo caminho, visitamos velhos monumentos históricos e marcos da Antiguidade, desde Lisboa a Atenas, Istambul e Cairo (entre outras), sempre acompanhados pelo diálogo de explanação histórica, quer entre mãe e filha, quer com encontros com os "locais" dessas geografias. Para finalizar, e sem querer revelar muito das cenas finais (ou seja, sem ser "spoiler"), assistimos a uma talvez "visão pessimista" dos dias de hoje (ou do que estes poderão trazer no futuro!). Além de Leonor Silveira, presença habitual em filmes de Manoel de Oliveira, contamos também com actores de renome internacional, como John Malkovich, Catherine Deneuve, Stefania Sandrelli e Irene Pappas.
Extremamente delicado e mantém a suavidade nos diálogos,lugares e acontecimentos até o fim.O elenco é um dos melhores possíveis.Me surpreendi vendo Catherine Deneuve e John Malkovich tão envolvidos nesse projeto.
>Assistido em 27 de Dezembro de 2021
-Dou nota 7/10
Um Filme Falado é a história uma professora de história que leva sua filha em um cruzeiro pelo mar mediterrâneo, admirando seus monumentos à civilização, mostrando a cultura como algo coisificado pela grandes monumentos. O aviso implícito no título do filme é redundante, dado o fluxo descontrolado de diálogos na maior parte do trabalho do diretor. Na verdade, aqui as imagens roubam a cena, pelo menos na primeira metade do filme. Rosa Maria (Leonor Silveira) e sua filha Maria Joana (Filipa de Almeida), de 8 anos, embarcam num cruzeiro em Lisboa, Portugal; elas planejam em Bombaim, na Índia, onde o marido de Rosa Maria, um piloto de avião, se juntará a eles nas férias. Em cada porto de escala - Marselha, Nápoles, Atenas, Istambul, Cairo - Rosa Maria descreve pacientemente para sua filha a história e os mitos que envolvem as grandes civilizações mediterrâneas. De Pompéia e Vesúvio à Acrópole, Hagia Sophia às pirâmides, essas duas encantadoras turistas falam da cultura da maneira mais graciosa, trocando pontos de vista com guias locais e, a certa altura, com o próprio diretor, no papel Luis Miguel Cintra (brincando).
Depois de várias dessas excursões, a cena muda para a sala de jantar do navio para as longas cenas finais. Em uma cena repetida, rostos famosos embarcaram no navio em vários portos: Catherine Deneuve em Marselha, Stefania Sandrelli em Nápoles e Irene Papas em Atenas. Agora eles se reúnem na mesa do capitão John Malkovich para um jantar de conversa. Em outra cena bem sucedida, cada um fala em sua língua nativa - inglês, francês, italiano e grego - e eles se entendem perfeitamente. (Graças às legendas, o público também.) Malkovich, que parece estar improvisando de forma estranha, observa como é bom falar línguas estrangeiras, a raiz da civilização. Sua conversa pomposa, sobre a qual os zangões se debruçam, carece tanto da sagacidade como da ironia do diálogo literário de Oliveira, marca registrada. É um alívio quando a clarividente Rosa Maria e a brilhante Maria Joana são convidadas a se juntar a eles. mas a amabilidade não oferece nenhum escudo contra uma súbita ameaça que se aproxima quando o capitão é chamado para longe da mesa, e a história termina em uma nota muito sombria. A musa de Oliveira Silveira mostra calma divina, clareza e autoconfiança dando lições de história a jovem de Almeida, uma estudante modelo que não se importa em perguntar o que é um faraó ou um árabe. Deneuve, que interpreta uma mulher de negócios rica, é surpreendentemente subutilizada, enquanto que Sandrelli, elenco de ex-modelo lacrimoso, trabalha muito mal como personagem de Oliveira. Das três graças, Papas sai melhor e, interpretando uma cantora famosa, interpreta lindamente uma longa canção folclórica grega. A lente de Emmanuel Machuel é simples e despojada, privilegiando as audios com fotos de monumentos como a Esfinge, enquanto mantém o essencial a bordo do navio. Uma proa cortando através do oceano sugere todo o movimento que o filme precisa. É uma filme belíssimo, uma enredo primoroso, talvez uma produto a ser melhorado; mas nada tira o brilhantismo do filme; alíás o cinema português é sempre um diamante muito bruto!
Este filme é uma aula de história, de desenvolvimento da civilização, dos idiomas desde o início da existência humana, a película como um todo é abordado um estudo antropológico e é falado sobre todos estes temas.