Trainspotting: Sem Limites

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Trainspotting: Sem Limites (1996)
Trainspotting
Média do filme: 4.2 de 5 — baseado em 36550 votos
MÉDIAFILMOW
4.2
36550 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Danny Boyle
Data de lançamento 23 Fev. 1996 Outras datas
País de origem Reino Unido 🇬🇧
Duração 94 min (1h34)
Classificação indicativa de Trainspotting: Sem Limites: 18 - Não recomendado para menores de 18 anos
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Dirigido por

Data de lançamento

23 Fev. 1996

Duração

94 minutos Classificação indicativa de Trainspotting: Sem Limites: 18 - Não recomendado para menores de 18 anos
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Sinopse

Um retrato da juventude viciada de Edimburgo, capital da Escócia. Focado na vida de Mark Renton (Ewan McGregor), um rapaz que escolhe viver assumidamente como um viciado em heroína e deixa de lado os padrões da sociedade. Ao lado de seus amigos – Sick Boy (Jonny Lee Miller), Tommy (Kevin McKidd), Spud (Ewen Bremner) e Begbie (Robert Carlyle) – ele curte futebol e usar sua droga favorita o tempo todo. Cada um desses personagens peculiares tem uma história diferente, ora divertida, ora dramática, e todas elas se cruzam por conta do vício. Renton vai além dos limites o tempo todo e isso tem um preço. Cabe ao rapaz e a seus amigos tomar as rédeas de suas vidas e sair dessa. Mas será que eles querem realmente viver assim?

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Comentários 5029
amigos querem ver
confinesoffear
Eduardo Alvarez
1 semana atrás

Como eu não poderia assistir à continuação do filme sem antes rever este que é um dos meus favoritos, cá estou! Assisti pela primeira vez há nove anos atrás, e esta nova visita me despertou a vontade de escrever um pouquito.

Trainspotting é um filme irreverente e que consegue tornar a autodestruição em algo simultaneamente fascinante e repulsivo. Os personagens são engraçados, fascinantes, repulsivos, inteligentes, cruéis, carismáticos e autodestrutivos. Já a câmera subjetiva, os monólogos em voice-over e a ausência de julgamento explícito aproximam o espectador de suas euforias, transgressões e excessos, sem por isso transformá-las em virtudes. E o interessante é que o filme não escolhe uma dessas características em detrimento das outras porque é justamente da convivência entre elas que nasce sua ambiguidade.

Por trás de todo esse excesso, porém, existe uma pergunta mais difícil: o que fazer quando a vida que lhe foi oferecida parece insuportável, mas você também não sabe exatamente que vida deseja em seu lugar? Trainspotting é, em alguma medida, sobre liberdade, mas também sobre o desconforto que existe depois da recusa (no caso de Renton, a recusa em escolher a vida). Afinal, escapar de uma existência que não se quer não significa saber imediatamente como viver outra.

Para entender melhor por que essa fuga faz sentido, é preciso primeiro entender do que exatamente Renton está fugindo. A obra se passa numa Escócia arrasada pela desindustrialização, pelo desemprego, pela pobreza urbana e pelas consequências sociais de uma década de políticas da era Thatcher, num período em que a epidemia de heroína e HIV também atingia duramente o Reino Unido. O filme captura jovens que cresceram vendo as promessas antigas de estabilidade — emprego, casa, uma vida "normal" — murcharem antes mesmo de chegarem até eles.

É desse contexto que nasce o célebre monólogo “Choose Life”, apropriação irônica de um discurso real de incentivo à vida, virado do avesso e que o filme transforma em provocação pura. A ironia está bem ali no verbo: escolher. Porque escolher pressupõe opções reais, e para aquela juventude marginalizada da Grã-Bretanha thatcherista, sem acesso às promessas de estabilidade que a sociedade apresenta como naturais, o slogan soa hipócrita, absolutamente desconectado de qualquer chão. Que liberdade existe quando as alternativas já vêm previamente embaladas? Quanto da própria individualidade se perde quando uma existência socialmente prescrita é vendida como liberdade?

Há uma rebeldia genuína nos personagens da história, uma subversão quase infantil das expectativas sociais. Me arrancou boas risadas quando Renton afirma que eles teriam injetado até vitamina C caso ela fosse ilegal kkkkk... pois a frase sintetiza muito bem essa necessidade de transgredir por transgredir: o prazer não está apenas na droga, mas no próprio ato de violar aquilo que foi estabelecido como permitido. Boyle, porém, é inteligente demais para transformar esse inconformismo em virtude automática. Seus personagens rejeitam os valores dominantes sem, por isso, serem moralmente superiores a eles. Recusam as normas existentes, mas sem conseguir construir uma alternativa no lugar. E acho que é aí mora uma das contradições mais interessantes do filme: a rebeldia pode se tornar vazia e apática quando se mostra incapaz de produzir qualquer coisa além da própria recusa.

E é nesse vácuo que a heroína entra. Existe algo profundamente sartreano no dilema de Renton: a liberdade não é apenas poder fazer o que se quer, mas também a impossibilidade de escapar da necessidade de escolher. A droga promete justamente essa fuga impossível, pois suspende o futuro, silencia a consciência e oferece a doce ilusão de que é possível deixar de participar do jogo. Só que a fuga produz exatamente o oposto do que promete, e Renton acaba trocando uma prisão social por outra, agora física, química e psicológica.

A produção de Boyle está longe de ser um drama social realista convencional. Tudo parece em permanente estado de combustão: a câmera inquieta, a montagem frenética, os enquadramentos e lentes distorcidos, a fotografia saturada, a trilha sonora pulsante, o humor ácido, o surrealismo e as atuações no limite. A câmera corre, a montagem corre, a música corre, os personagens correm. E por baixo de toda essa velocidade paira uma pergunta melancólica: para onde eles estão indo?

Essa inquietação formal não é mera decoração. Sinto que o diretor tenta nos colocar, ainda que por instantes, dentro da lógica subjetiva do vício. Não é apenas mostrar como aqueles personagens vivem, mas fazer com que a própria linguagem do filme pareça contaminada pela maneira como eles enxergam o mundo. Por isso, a estética abandona o realismo com frequência e mergulha no delírio, na fantasia e no absurdo.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

A sequência do “pior banheiro da Escócia” é o exemplo perfeito desse mergulho. Renton perde as drogas dentro de um vaso sanitário asqueroso e literalmente entra ali dentro a fim de recuperá-las. Objetivamente, é uma das cenas mais repulsivas do filme. Subjetivamente, porém, ela se transforma em uma aventura: o banheiro vira oceano, a sujeira vira água cristalina e a droga vira tesouro. Recuperá-la, naquele instante, vale mais do que preservar a própria dignidade. E o mais genial é que o filme não apenas mostra essa inversão de valores; incorpora-a à própria linguagem cinematográfica, obrigando o espectador a experimentar a transformação do grotesco em belo. É assim que a cena nos faz enxergar a lógica da dependência por dentro, sem deixar de perceber o horror que existe nela.

O paradoxo visual do filme trabalha na mesma direção. O mundo ao redor de Renton é vibrante, saturado, quase agressivo, enquanto seu corpo perde vitalidade progressivamente: pele pálida, olhos marcados, rosto emagrecido, uma figura cada vez mais espectral em meio a cenários encardidos, amarelados, esverdeados, de vermelhos infernais e verdes doentios. Boyle inclusive cita Francis Bacon como referência visual da obra, e essa influência ajuda a entender como os corpos ali são isolados, deformados e submetidos a contrastes violentos. Fotografia, montagem, surrealismo e música projetam para fora dos personagens aquilo que se passa dentro deles. E é essa mistura entre prazer e degradação, beleza e sujeira, liberdade e dependência, euforia e morte que impede o longa-metragem de se tornar uma simples celebração da marginalidade.

As ironias do roteiro também reforçam essa recusa de uma leitura moral simples. Begbie não é tecnicamente um junkie como Renton, Sick Boy e Spud, mas é justamente ele o mais agressivo, descontrolado e destrutivo de todos. Sua dependência aparece de outras formas, no álcool, no cigarro, na violência e na necessidade compulsiva de controle. O problema, portanto, nunca esteve apenas na heroína: existem diferentes formas de dependência e de fuga, e a substância é apenas a mais visível delas.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Tommy é o contraponto ainda mais doloroso. Entre os amigos, é quem mais se aproxima de uma existência convencional: pratica exercícios, trabalha, mantém um relacionamento e parece razoavelmente integrado à sociedade que os outros rejeitam. E, ainda assim, é ele quem morre. Trainspotting recusa aquela moral confortável segundo a qual o bom comportamento é recompensado e a transgressão, punida. A vida ali é bem mais arbitrária do que isso, e é essa arbitrariedade, mais do que qualquer julgamento sobre drogas, que sustenta boa parte do pessimismo da obra.

Talvez seja por isso que o filme consiga ser, ao mesmo tempo, tão frenético e tão melancólico. Existe uma energia cinética enorme em Trainspotting, mas seus personagens estão, na maior parte do tempo, existencialmente parados. O mundo se move enquanto eles giram em círculo. Usam drogas, procuram dinheiro para comprar mais drogas, brigam, fazem sexo, riem, roubam, voltam a usar. A velocidade da forma contrasta o tempo inteiro com a imobilidade real da existência que ela retrata. E foi aqui que o próprio título ganhou outra dimensão para mim: enquanto eles observam os trens passarem, a vida continua em movimento sem que eles realmente embarquem nela.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Por isso, quando “Born Slippy .NUXX”, do Underworld, explode no final, o momento carrega tanto peso. Não é apenas uma música eletrônica acompanhando uma fuga; é a transformação do movimento em euforia real. Depois de passar boa parte do filme correndo sem sair do lugar, Renton finalmente está indo embora. E não há, de forma alguma, redenção moral nesse gesto: ele trai os amigos, fica com o dinheiro e abandona aquele mundo sem se despedir de verdade. Continua sendo um personagem profundamente imperfeito. Mas vale ressaltar uma diferença essencial em relação a tudo que veio antes: pela primeira vez, ele escolhe uma direção.

“Born Slippy” funciona quase como o batimento cardíaco de uma vida que volta a pulsar. A euforia antes associada à heroína encontra ali outra forma de expressão. A viagem continua, mas a droga já não é necessariamente o veículo. O movimento, que durante toda a narrativa parecia apenas outra forma de fuga, finalmente se transforma em possibilidade.

Foi aí que um trecho muito marcante da obra "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa, me veio à cabeça:

“Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. (...) O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.”

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Renton passou um bom tempo tentando evitar justamente esse aprendizado. Porque o problema de viver não é simplesmente escolher entre caminhos já conhecidos, mas se lançar por um deles sem saber exatamente onde ele vai dar. A travessia de Rosa não é a passagem tranquila de um ponto a outro: é o próprio processo pelo qual alguém descobre, ao caminhar, aquilo que deseja e se torna capaz de sustentar esse desejo. O que, convenhamos, é difícil para um caralho rs. Talvez seja isso que Renton finalmente ensaie no fim. Não porque tenha encontrado todas as respostas, mas porque aceita novamente a possibilidade de ter um futuro e, com ela, o risco de descobrir quem pode ser.

Acredito ainda que haja um forte niilismo presente no longa, mas não creio que o filme termine nele. Se a heroína representa a tentativa de suspender o futuro e escapar da necessidade de escolher, o percurso de Renton aponta para outro lugar: um acerto de contas com a própria capacidade de agir. O filme não diz que a sociedade está certa e seus personagens errados, nem o contrário. Habita justamente o espaço desconfortável entre as duas coisas. Há algo sufocante numa existência pré-fabricada, mas há também algo autodestrutivo em transformar a recusa dessa existência num culto à própria estagnação.

E talvez seja essa a verdadeira travessia de Renton. Não passar simplesmente da droga para a sobriedade, nem da marginalidade para a respeitabilidade, mas da recusa para a possibilidade de escolha. No fim, Trainspotting não pergunta apenas “você vai escolher a vida?”. Pergunta algo bem mais incômodo: qual vida você está escolhendo? E, principalmente, essa escolha é realmente sua?

ohugofernandes
Hugo
2 semanas atrás

Não vi nada demais, é só um grupo de drogados.

A estética urban British me incomoda muito, mas o filme em si ofusca isso por ser tão magistralmente bem feito. Se a intenção foi gerar desconforto e ansiedade durante toda duração, deu certo.

feliped78405717
feliped78405717
½
4 meses atrás

Um retrato satírico e ao mesmo tempo visceral da dependência química, me chocou muito a situação com o bebê, é uma realidade empírica de muita gente essas situações anomalas e chocantes até hoje, Gostei muito da narração de Mark com uma sinceridade brutal e cômica acerca da dependência, visual do filme incrível passando fielmente essa vibe punk do submundo inglês nos anos 80 e 90.

ronaldopantoja
Ronaldo
½
5 meses atrás

Revendo essa coisa maravilhosa (e tensa) em comemoração aos 30 anos do lançamento. Que obra prima.

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Elenco de Trainspotting: Sem Limites

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Ewen Bremner

(Spud)
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Kelly Macdonald

(Diane)
Kevin McKidd 26 461

Kevin McKidd

(Tommy)
Robert Carlyle 60 695

Robert Carlyle

(Begbie)
Andrew Macdonald 1 10

Andrew Macdonald

(Flat Buyer)

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