Há um tempo que eu estava entre assistir ou não esse filme, mas fiz bem em dar uma chance, porque Zona de Interesse trouxe algumas reflexões interessantes...
A primeira reflexão foi que, diferente da maioria dos filmes que abordam a Segunda Guerra Mundial, focando diretamente nas vítimas do Holocausto, Zona de Interesse chama atenção para o cotidiano daqueles que dirigiam Auschwitz, no caso Rudolf Höss e sua família. Não que as vítimas passem despercebidas, porém ficam em segundo plano. Enquanto conhecemos a rotina da família nazista "perfeita", enxergamos as vítimas não por meio de personagens explícitos, mas pelos detalhes visuais, como um empregado maltrapilho e uma chaminé com fumaça, e pelos detalhes sonoros, como o som de gritos e tiros vindos do campo ao lado. A gente sabe o que se passa apenas pelo nosso repertório e pelos rastros que nos dão.
Já a segunda reflexão é sobre a diferença gritante entre dentro e fora do campo. Quem diria que um jardim tão florido seria adubado com cinzas e que crianças lindas se divertindo nele estariam separadas de câmaras de gás e execuções arbitrárias apenas por um muro! Dois universos diferentes, lado a lado.
E, finalmente, a terceira reflexão é a relação entre a ordem e a eficiência nazista que é construída e enfatizada ao longo do filme e o consequente sucesso no plano de extermínio dos judeus húngaros. A cena de pilhas e pilhas de sapatos das vítimas intercala com a cena do Rudolf Höss vomitando enquanto descia lances de escada reforçando o fato de o plano ter sido bem sucedido.
O filme é bem mais devagar do que especulamos pelo trailer, mas nem por isso deixa de ser bom. É uma obra com poucos diálogos que consegue se expressar muito bem. Ela mostra o quanto a culpa, daqueles que se deixaram vender pela covardia e pelos interesses pessoais, pode influenciar as ações humanas e gerar consequências.
O que chama atenção são os residentes que, assombrados pelo passado, vêm a presença de dois judeus mudar tudo, num dia que deveria ser festivo. O casal rompe, o noivo vai embora, um homem comete suicídio e a farmácia pega fogo. Isso sem contar as neuroses acerca das escrituras das casas.
Logo se percebe a razão daquelas duas figuras trazerem tamanho receio ao vilarejo. A crença era de que os judeus recém chegados eram apenas dois dos demais que retornariam, ameaçando a “prosperidade adquirida”. E demora até que todos entendam que a estadia deles era passageira e a única intenção era enterrar o que sobrou de seus mortos. Aliás, acredito que a fumaça do trem no final do filme remeta a isso mesmo.
Utøya é aquele filme que a gente vê e não esquece cedo! Eu me senti como parte do filme e acho que não fui a única. Acredito que foi bem fiel ao que de fato aconteceu ao contar as impressões dos sobreviventes. Ademais, umas cenas bem tocantes. Meus sentimentos...
A imagem do menino deficiente físico indo assistir aula do lado de fora da sala logo no início é uma dose de alta reflexão sobre nossas próprias vidas, que mesmo com as "dificuldades" diárias não se comparam à do garoto e das demais crianças.
O documentário consegue projetar muito bem o ambiente limitador da região, tanto em aspectos concretos quanto abstratos. Primeiramente, a pobreza que aparenta ter sido reforçada pelo início do domínio Talibã. Segundo, o fanatismo, ora sutil, ora evidente.
Acho muito interessante quando os meninos são interrogados sobre o que é Deus, pois parecem estudar com tanto afinco o Alcorão e se perdem bem numa resposta supostamente fácil. Isso me leva a pensar no quanto a religião é utilizada naquele espaço principalmente como objeto formador de seguidores.
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A Meia-Irmã Feia
3.8 435 Assista AgoraÉ uma bela desconstrução de Cinderela.
Muito perturbador e nojento!
Estou traumatizada com a cena do antídoto...
Zona de Interesse
3.6 694 Assista AgoraHá um tempo que eu estava entre assistir ou não esse filme, mas fiz bem em dar uma chance, porque Zona de Interesse trouxe algumas reflexões interessantes...
A primeira reflexão foi que, diferente da maioria dos filmes que abordam a Segunda Guerra Mundial, focando diretamente nas vítimas do Holocausto, Zona de Interesse chama atenção para o cotidiano daqueles que dirigiam Auschwitz, no caso Rudolf Höss e sua família. Não que as vítimas passem despercebidas, porém ficam em segundo plano. Enquanto conhecemos a rotina da família nazista "perfeita", enxergamos as vítimas não por meio de personagens explícitos, mas pelos detalhes visuais, como um empregado maltrapilho e uma chaminé com fumaça, e pelos detalhes sonoros, como o som de gritos e tiros vindos do campo ao lado. A gente sabe o que se passa apenas pelo nosso repertório e pelos rastros que nos dão.
Já a segunda reflexão é sobre a diferença gritante entre dentro e fora do campo. Quem diria que um jardim tão florido seria adubado com cinzas e que crianças lindas se divertindo nele estariam separadas de câmaras de gás e execuções arbitrárias apenas por um muro! Dois universos diferentes, lado a lado.
E, finalmente, a terceira reflexão é a relação entre a ordem e a eficiência nazista que é construída e enfatizada ao longo do filme e o consequente sucesso no plano de extermínio dos judeus húngaros. A cena de pilhas e pilhas de sapatos das vítimas intercala com a cena do Rudolf Höss vomitando enquanto descia lances de escada reforçando o fato de o plano ter sido bem sucedido.
Guerra Civil
3.5 649 Assista AgoraA melhor parte foi o trailer e ver o Wagner Moura atuando na gringa...
1945
3.6 28O filme é bem mais devagar do que especulamos pelo trailer, mas nem por isso deixa de ser bom. É uma obra com poucos diálogos que consegue se expressar muito bem. Ela mostra o quanto a culpa, daqueles que se deixaram vender pela covardia e pelos interesses pessoais, pode influenciar as ações humanas e gerar consequências.
O que chama atenção são os residentes que, assombrados pelo passado, vêm a presença de dois judeus mudar tudo, num dia que deveria ser festivo. O casal rompe, o noivo vai embora, um homem comete suicídio e a farmácia pega fogo. Isso sem contar as neuroses acerca das escrituras das casas.
Logo se percebe a razão daquelas duas figuras trazerem tamanho receio ao vilarejo. A crença era de que os judeus recém chegados eram apenas dois dos demais que retornariam, ameaçando a “prosperidade adquirida”. E demora até que todos entendam que a estadia deles era passageira e a única intenção era enterrar o que sobrou de seus mortos. Aliás, acredito que a fumaça do trem no final do filme remeta a isso mesmo.
Utøya - 22 de Julho
3.7 79Utøya é aquele filme que a gente vê e não esquece cedo! Eu me senti como parte do filme e acho que não fui a única. Acredito que foi bem fiel ao que de fato aconteceu ao contar as impressões dos sobreviventes. Ademais, umas cenas bem tocantes. Meus sentimentos...
Sem Dor, Sem Ganho
3.0 845 Assista AgoraThis is still a true story
O Alfabeto Afegão
4.2 9A imagem do menino deficiente físico indo assistir aula do lado de fora da sala logo no início é uma dose de alta reflexão sobre nossas próprias vidas, que mesmo com as "dificuldades" diárias não se comparam à do garoto e das demais crianças.
O documentário consegue projetar muito bem o ambiente limitador da região, tanto em aspectos concretos quanto abstratos. Primeiramente, a pobreza que aparenta ter sido reforçada pelo início do domínio Talibã. Segundo, o fanatismo, ora sutil, ora evidente.
Acho muito interessante quando os meninos são interrogados sobre o que é Deus, pois parecem estudar com tanto afinco o Alcorão e se perdem bem numa resposta supostamente fácil. Isso me leva a pensar no quanto a religião é utilizada naquele espaço principalmente como objeto formador de seguidores.