Este site usa cookies para oferecer a melhor experiência possível. Ao navegar em nosso site, você concorda com o uso de cookies.

Se você precisar de mais informações e / ou não quiser que os cookies sejam colocados ao usar o site, visite a página da Política de Privacidade.

filmow.com/usuario/alexvieira/
    Você está em
  1. > Home
  2. > Usuários
  3. > alexvieira
20 years
Usuário desde Setembro de 2015
Grau de compatibilidade cinéfila
Baseado em 0 avaliações em comum

Um puto qualquer que pensa que percebe de cinema e da vida.
O MEU FILM DIARY: https://aminoapps.com/c/movies-tv/tag/myweek/
Letterboxd: http://letterboxd.com/AlexVieira/
Escrevo "críticas" no Cinema Pla'net: https://cinemaplanet.pt/author/alex-vieira/

Últimas opiniões enviadas

  • Alex Vieira

    Lançado um ano antes de Valhalla Rising, Bronson é, com o seu forte teor artístico, uma biografia não convencional sobre Michael Peterson, um jovem britânico que, aos 19 anos, em 1974, após assaltar uma agência de correios, é condenado a 7 anos de prisão. Com o desejo de um dia ser famoso, mesmo admitindo não ter qualquer talento como representar ou cantar, Peterson (que mudaria o seu nome para Charles Bronson; sim, uma forma de prestar uma homenagem ao ator americano com o mesmo nome), viu nas numerosas cadeias por onde passou uma forma de conseguir popularidade. Resultado? Com os seus atos violentos, sobretudo contra os guardas prisionais, o verdadeiro Bronson está preso até hoje e é conhecido como “o prisioneiro mais violento da Grã-Bretanha".

    Nicolas Winding Refn fez aqui um retrato vazio, mesmo que eletrizante e estiloso, sobre a atitude questionável do seu protagonista. Aliás, o filme funciona como um estudo sobre a personalidade brutalmente delinquente de um jovem perdido na sua própria natureza. No entanto, ninguém, incluindo o filme, sabe porque é que Bronson comete estes atos, só piorando a sua situação como preso. Será por prazer? Ou será mesmo para simplesmente chamar a atenção? Será que ele realmente gosta de ficar atrás das grades?

    Na verdade, Refn insiste em dizer-nos que Bronson está constantemente cercado por um sentimento de aprisionamento (até mesmo quando este está em liberdade) ao, por exemplo, revestir os seus cenários com um papel de parede com linhas verticais que remetem às grades da prisão. Ademais, à medida que fazemos uma nova visita a este filme, notamos cada vez mais a forte presença de linhas horizontais ou verticais. É uma jogada inteligente, obviamente, proposital, por parte do realizador.

    E foi interpretando Charles Bronson que Tom Hardy se revelou definitivamente como um dos melhores atores da atualidade. Este foi o seu primeiro grande papel. Numa entrevista ao Movieweb, Refn disse que "(Tom Hardy) tem aquele aspecto de camaleão de transformar-se no Charlie Bronson; transformar-se fisicamente; transformar-se lógica e mentalmente. (...) O Tom Hardy é um daqueles atores que te entrega a alma; ele dá-te o seu "tudo" nas tuas mãos." E este ponto é bastante visível. De facto, ele viveu Bronson da forma mais animalesca possível. Uma performance brutalmente estrondosa, possivelmente a melhor da sua carreira.

    E se Drive paga uma homenagem ao primeiro filme do Michael Mann - Thief - através dos visuais com neon, da música eletrónica e do protagonista que se encontra em constante batalha contra a sua própria natureza, Bronson mostra-se como um claro tributo à minha obra cinematográfica favorita: A Clockwork Orange. Música clássica invade a cena quando ocorre uma explosão de violência; os guardas britânicos com as suas fatiotas e os seus bastões contra um delinquente adepto de sangue e pancadaria; a cinematografia do Larry Smith, um autêntico espetáculo de cores, consegue criar uma atmosfera tão peculiar como aquela criada por Kubrick.

    Tal como qualquer outra fita do Nicolas Winding Refn, Bronson tornar-se-á, muito possivelmente, um clássico dos filmes de culto. Uma viagem deslumbrantemente bizarra com visuais extraordinários e um tema perturbador, esta longa-metragem é uma experiência memorável.

    Nalguns cartazes deste filme, tem uma citação de um crítico que diz: "A Clockwork Orange for the 21st century."

    Concordo absolutamente.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Alex Vieira

    No decorrer de uma peça de teatro, a atriz Elisabet Vogler (Liv Ullmann) para de falar e isola-se. Exames posteriores dizem que a sua saúde está boa. De qualquer das maneiras, chamam Alma (Bibi Andersson), uma enfermeira jovem, para cuidar da silenciosa doente numa casa à beira de praia. Aí, Alma, achando a sua paciente boa ouvinte, fala abertamente sobre os seus segredos mais íntimos. Então, inicia-se um conflito existencial entre ambas. Vários monólogos e eventuais questões não recebem resposta.

    De um dos mais importantes e aclamados cineastas europeus, Persona é possivelmente o filme 80-minutos mais amplo e complexo, na sua abordagem reflexiva, da história do cinema. Falar dele, aliás, é como falar de religião: um debate que duraria horas, dias, semanas, meses, anos. Discuti-lo é como refletir sobre a existência humana: o que somos, quem somos, o que estamos a fazer aqui?

    Mas é, sobretudo, acerca daquilo que mostramos ser externamente (a nossa maneira de vestir, o nosso trabalho, a nossa maneira de agir, etc.) versus aquilo que realmente somos por dentro (o que pensamos, o que sentimos).

    E é inegável o facto de que Bibi Andersson e Liv Ullman fazem um espetáculo. Os seus momentos são geniais, não só devido à qualidade das suas interpretações, mas devido à maneira como foram perfeitamente fotografados pelo extraordinário Sven Nykvist: aqui os enquadramentos dizem muito e o preto e branco é plenamente aproveitado, reproduzindo momentos belíssimos num jogo de contraste de sombras.

    Com um argumento poderoso e uma realização notável, principalmente por criar cenas eternamente memoráveis, Ingmar Bergman fez aqui um grande marco do cinema de autor europeu que, certamente, não deve ser dispensado.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Alex Vieira

    Drive é poesia.

    Um retrato visceral sobre um homem sem nome e o universo que o detém de ser aquele que quer ser. Sobre o desejo desse homem de sair do tenebroso mundo que o rodeia, sobretudo nas noites que, resplandecentes de neon, o sobrecarregam com um pesar de tempo que reforça a sua necessidade de encontrar um sentido para a sua vida. Mas onde pode ele encontrar uma saída que lhe dê esperança, uma luz no fundo do corredor? É quando esta pessoa vê a possibilidade de integrar-se numa família, evitando pensar nos seus atos passados. No entanto, independentemente de tudo, conseguirá ele fugir de quem realmente é?

    Driver é o escorpião que pediu ajuda a um sapo para atravessar um rio. Infelizmente, no caminho, picou o amigo sem querer. Ambos se afundaram e morreram. É a sua natureza.

    Além do mais, ele é um enigma. Não sabemos o que ele fez no passado. Desconhecemos a sua história. Todavia, sabemos que anseia esquecer os seus actos (e talvez evitar futuros) para começar uma nova etapa na sua vida. Driver é tímido, mas furiosamente silencioso. Portanto, quem quer que seja que interrompa esta sua ambição, acima de tudo agentes que relembram o que já fez, ele agirá da forma que for necessária para impedir que gente intrometa no seu caminho.

    Drive é certamente um filme com um forte estudo de personagem, evidenciado por visuais e diálogos que nos dizem quem Driver é. Por exemplo, a cena de abertura representa perfeitamente o ambiente em que ele está inserido e o ser cauteloso que ele é. Depois, o silêncio dele diz muito, através de pequenas expressões faciais e o seu olhar. O Ryan Gosling, aliás, é um mestre nisso, conseguindo transmitir tanto afeição como fúria apenas com os olhos.

    Nitidamente, a composição das cenas ajudam nesse aspecto. Com o apartamento de Driver caracterizado por sombras, percebemos a solidão que possivelmente passa diariamente e a necessidade que sente de sair daquela atmosfera. Por outro lado, a residência da sua vizinha é viva e colorida - como uma nova luz libertadora.

    A realização do Nicolas Winding Refn é genial. Aqui o suspense é criado através de poucas falas, pouca música e momentos imprevisíveis. O silêncio é o segredo. As cenas de ação só acontecem quando a trama precisa verdadeiramente delas. O enredo não é propositalmente mirabolante para criar situações para que tais sequências ocorram. O Refn sabe que isso não é o mais importante.

    Por isso, ao extrair apenas algumas ideias do argumento original, focando-se mais no romance entre Driver e Irene e toda a história de crime que se sucede, o cineasta evitou exposições desnecessárias e subtextos vazios, mostrando-nos apenas o necessário. Os personagens só falam quando têm algo verdadeiramente importante para dizer. Aliás, é incrível o tratamento empregue a cada fala.

    Nas mãos doutro realizador, Drive teria sido um provável desastre. O Refn não quis contar-nos uma história de perseguições de carros a toda a velocidade. O Refn quis contar-nos a história de quem conduz esses carros.

    E Drive é um filme explosivo, à sua maneira. É um neo noir primoroso, com performances extraordinárias, uma fotografia absolutamente brilhante e uma soundtrack eletrizante - Kavinsky nos créditos iniciais é de arrepiar.

    Meditar no silêncio nunca foi tão feroz. Assim é Drive. E, quanto a mim, é já um grandessíssimo clássico. É cinema contemporâneo no seu melhor.

    É cinema brutal.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Luciano M.
    Luciano M.

    Teu comentário sobre o The Disaster Artist é a coisa mais fantástica que eu li ali, entre muitos outros comentários desmerecendo o Franco e etc, mas é aquilo, o cara fez uma obra absolutamente genial, ele captou totalmente a essência do Tommy Wisceau, ele viveu o Tommy Wisceau por completo e aquilo foi lindo pra caralho.

  • H
    H

    Realmente uma lista incrível de filmes indispensáveis e curti muito suas observações sobre o filme Os 12 Macacos!!!! Add aí.... :)

  • Leandro Braga
    Leandro Braga

    Sua lista de filmes obrigatórios é muito boa!