Tinha altas expectativas com O Agente Secreto, mas terminar a sessão em prantos não estava nos meus planos… Esse é um filme sensacional, com um pouco de comédia, suspense, drama e realismo mágico. Kleber Mendonça Filho cria um roteiro intrigante, perspicaz e sarcástico, num longa que funciona como um compilado de sua carreira. E mais uma vez ele fala de memória: memórias individual e coletiva, de formas diferentes, tanto num contexto de ditadura militar, como sobre as peças que a memória nos prega. Pra além disso, ele continua tratando sobre memória da cidade, depois de Retratos Fantasmas, e segue homenageando os cinemas de rua de Recife. Simplesmente incrível! Viva Kleber, viva Wagner Moura e viva Tânia Maria!
Depois de conhecer o trabalho de Joachim Trier em A Pior Pessoa do Mundo, eu tinha grandes expectativas com seu novo filme. Sentimental Value guarda algumas semelhanças com o longa anterior, em especial pelo elenco com rostos conhecidos, mas principalmente pela delicadeza na história que o diretor decide contar, mesmo tratando de temas tão delicados. Me identifico com a história das irmãs Borgs e, talvez por isso, siga pensando nesse filme desde que saí da sala de cinema. Renate e Inga tem atuações espetaculares, o que eu já esperava de Renate, que vem crescendo com inúmeros trabalhos de destaque nos últimos anos, mas me surpreendi com a atriz que interpreta sua irmã, a qual ainda não conhecia.
[CONTÉM SPOILERS A PARTIR DAQUI] As duas carregam uma mesma dor, mas lidam de formas diferentes com os traumas de uma infância conturbada e a ausência do pai. É tão bonito e, ao mesmo tempo, triste ver a atuação introspectiva e reprimida de Renate. Nora não consegue expressar seus sentimentos e frustações com o pai, preferindo fugir (literalmente) ou viver outras personas como uma atriz, para conseguir manifestar o que está preso dentro de seu íntimo. Agnes, por sua vez, consegue confrontá-lo eventualmente, em especial para proteger seu filho da vivência que teve quando criança, trabalhando com o pai para conseguir ter tempo junto dele e, depois, sofrendo com sua partida. Tudo é dilacerante e belo nessa trama... Stellan está igualmente fantástico. Ele interpreta um homem que tenta se reconciliar com as filhas, talvez numa busca mais profunda para fazer as pazes com outras figuras femininas de sua vida. Porém, o mesmo não sabe como pedir desculpas e repete padrões de comportamento que são muito dolorosos para aqueles que convivem com ele. Gosto especialmente da forma como a casa da família é retratada no filme. Os trechos que contam eventos decorridos ao longo de anos, mostrando que diferentes gerações habitaram esse espaço, são de uma singularidade, com um olhar tão delicado para uma construção que carrega muitas memórias e vivências, boas e ruins, e representa essa família. [FIM DOS SPOILERS]
Ansiosa para assistir novamente essa obra no cinema! Assistido em 06/10/25, no Fetival do Rio de 2025.
Demorei e pensei muito antes de expressar uma opinião sobre esse filme aqui, mas vou deixar um comentário de alerta. Não, essa não é uma história incrível, com uma protagonista feminina empoderadora. Pelo contrário, apesar de dar título ao filme, Anora é uma personagem sem profundidade, sem arco de desenvolvimento, que começa e termina sua jornada sem nenhuma evolução. Anora é uma protagonista mal escrita, sem passado, sem motivação que justifique suas ações, dentro de uma narrativa pobre, num filme que começa até divertido e com potencial, mas que vira uma perseguição a um moleque rico e inconsequente, sem qualquer propósito real. Fiquei me perguntando o porquê desta história, pois ela realmente não traz nenhuma reflexão sobre os acontecimentos vexatórios aos quais a protagonista é exposta. O filme a odeia e nos faz odiá-la também, e isso foi o que mais mexeu comigo negativamente. Eu saí do cinema extremamente chateada e irritada com o que havia assistido porque esse filme me fez sentir raiva de Anora, propositalmente, por todos os seus defeitos. Ela foi resumida a uma garota de programa interesseira, que só queria mudar de vida a qualquer custo e ascender socialmente, nunca tendo realmente amado Ivan. E essa é a questão aqui, um roteiro escrito por um homem, que gera esse tipo de sentimento entre mulheres. No fim, a raiva que senti foi por Sean Baker ter tido êxito nessa tarefa.
Desconsiderando todas as polêmica em volta desse filme, que não são poucas, ele é ruim por inúmeros motivos. A premissa do roteiro é até interessante, mas a execução é extremamente enfadonha, deixando evidente a falta de pesquisa ou qualquer interesse em compreender de fato as temáticas que o filme quer explorar. É tudo muito raso, sem qualquer desenvolvimento e, sinceramente, vergonhoso. Muita coisa simplesmente não faz sentido algum, como
a) Jessi não ter a mínima ideia do tratamento hormonal que Manitas vinha fazendo há dois anos ou sequer reconhecer o marido, enquanto Rita, descobre quem Emilia é com tanta facilidade; b) Ninguém questionar de onde vem o dinheiro de Emilia, que incialmente financia a fundação sozinha; c) Uma mulher, até então desconhecida, ser canonizada pelo povo de Vera Cruz após sua morte por causas escusas.
Esse final, principalmente, é de uma hipocrisia surreal. Apesar de saber o que aconteceria, ainda assim o filme me surpreendeu com tamanho absurdo! No fim das contas, Emilia Pérez é um reflexo da equipe por traz de seu desenvolvimento e realização. É um filme estereotipado e cafona, filmado e editado de uma maneira ultrapassada, com uma narrativa arrastada e músicas terríveis. Ele falha em tudo a que se propõe! Fica clara a arrogância de Jacques Audiard, que não consegue esconder sua perspectiva eurocêntrica e neocolonial sobre o povo mexicano e sua cultura. Ele insiste em apresentar aspectos negativos sobre o México, como pobreza, violência e insegurança, em oposição a superioridade de países como Suíça e Inglaterra, que no filme representam riqueza e novas oportunidades. As muitas indicações e vitórias nesta temporada de premiações são fruto de uma campanha pesada da Netflix, que investiu muito dinheiro e fez muito lobby para isso, o que é extremamente decepcionante para quem ama cinema, porque parece que a indústria vai sempre se resumir a lucro.
Fui assistir esse filme esperando uma história sobre o término de um longo relacionamento, mas ele é MUITO mais do que isso! Assisti há dois dias e ele continua comigo. O longa aborda sim questões sobre relacionamentos, principalmente fazendo uma análise de como vários pequenos gestos e coisas não ditas são capazes de envenenar um relacionamento até levar ao término. Acho interessante as diferentes perspectivas sobre uma cena em específico,
que acaba se repetindo 3 vezes: a primeira, o acontecimento real, a segunda, como se Maria imaginasse falar diretamente para Sigmund tudo que estava pensando no momento, e uma terceira vez, quando ela então imagina um cenário onde ela poderia finalmente se abrir com seu parceiro e contar sobre seus medos.
Porém, ele se aprofunda principalmente nas angústias e traumas de Maria,
no relacionamento dela consigo mesma, na relação com outras figuras femininas, no porque de, apesar de todo o esgotamento físico e mental, ela ainda recusar ajuda, assim como no motivo para seu pavor em se imaginar sozinha.
Acho que o filme consegue explorar bem questões associadas a padrões de gênero, além de tratar também de padrões de comportamento e traumas geracionais que se repetem. Me identifiquei muito com a protagonista e fiquei extremamente emocionada em muitas cenas. Ansiosa para rever <3
Apesar de já saber sobre a perversidade dos atos cometidos pela personagem de Dagmar, o filme não falha em chocar com cenas fortes, apesar de não serem gráficas. A atuação de Victoria Carmen Sonne é fascinante, ela diz tanto com suas expressões! Apesar de ser um "filme de época", ele trata de temas bastante atuais, que ainda pautam a vida das mulheres, como o aborto e a liberdade sobre nossos próprios corpos. Acho que a cena que mais me marcou foi quando
, durante o julgamento, Dagmar justifica seu atos dizendo que ela apenas fazia aquilo que as mães que colocavam seus filhos para adoção tinham vontade mas careciam de coragem para fazer.
Um filme fofo, sem grandes pretensões, que conquista mesmo pelo carisma dos protagonistas e a química do casal. A cena final é de cortar o coração porque
fica claro que Almut não será esquecida, como temia. Ela será lembrada por aqueles que a amam através das pequenas coisas, aquilo que foi vivido na intimidade de um relacionamento, no dia a dia, nas trocas e ensinamentos, que são aquilo que realmente deixam marcas pra sempre.
aquela em que Elizabeth tenta se desvencilhar, em meio a uma dança, dos funcionários do colégio, pessoas que a julgam e que a fazem se sentir manipulada, conforme encenado de maneira lúdica. É uma cena, entre outras do longa, que causa estranhamento e traz alguns questionamentos sobre o passado da protagonista, seus traumas e vivências, construindo o mistério por traz do relacionamento dela com o marido, com o filho e outras possíveis experiências de abuso que ela possa ter vivido.
o mesmo tratamento seria dado a um homem em julgamento, onde o marido fosse o réu e a esposa a vítima. A sexualidade de Sandra é abordada levianamente, ela é julgada por uma traição que ocorreu há mais de 5 anos, seu sucesso profissional é contraposto ao papel do marido, que se tornou responsável pela educação do filho enquanto ela aparenta ser a principal provedora financeira da família, além do acolhimento da indignação de Samuel por ter perdido tempo de vida ao se dedicar aos "cuidados domésticos" e deixar de lado sua carreira. Um homem seria julgado como culpado de assassinato por tais indícios? Talvez sim, mas me pergunto se seria de forma tão incisiva como feito pelo Júri, sobretudo pelo promotor. Até mesmo na cena em que ouve-se a gravação da briga que ocorreu no dia anterior, é possível perceber que Samuel quase chora algumas vezes, mas em nenhum momento o Júri parece reconhecer um desequilíbrio emocional que pudesse justificar o suicídio do marido. Tal comportamento, vindo de uma mulher, seria facilmente descredibilizado. E isso é feito com Sandra inúmeras vezes ao longo do julgamento.
Anatomia de Uma Queda é um filme angustiante porque traz muitas dúvidas sem respostas, porque mostra o sofrimento de uma mãe e um filho, mas pincipalmente,
Como arquiteta e urbanista, esse filme me tocou extremamente. Me emocionei por diversas vezes com a delicadeza dessa obra! Ela, entre muitas coisas, é como um álbum de recordações, pois trata de memória: a memória que os objetos podem nos trazer, assim como a memória que temos de alguns lugares, a memória que a cidade carrega e as memórias que guardamos daqueles que amamos. E Kleber é muito didático em mostrar que não apenas as pessoas podem marcar nossa vida e deixar tantas lembranças, mas também a cidade, as experiências que vivemos em espaços construídos, desde nossa própria casa, até os edifícios que nos fascinam pela sua bela arquitetura ou pelas histórias que presenciamos e construímos nesses lugares. O filme é uma declaração de amor ao cinema, assim como à cidade de Recife! Obrigada, Kleber, por este presente <3
Há muito tempo queria ver esse filme e acabei assistindo só hoje, depois de já ter lido o livro. Minha impressão é que filme e livro são duas obras completamente diferentes, mas cada uma com seu valor. O filme tem uma atmosfera muito mais pesada. A fotografia, as cores, a iluminação (etc) criam uma ambiência extremamente desconfortável. E o filme deixa o espectador em agonia o tempo todo com as diversas situações repulsivas, constrangedoras e revoltantes que acontecem no desenrolar da história. O livro, apesar de igualmente triste, traz uma experiência mais leve. As duas irmãs sofrem com as adversidades da vida, o machismo, e tantas outras tragédias presentes na vida de mulheres, apenas por elas terem nascido mulheres. O livro não precisa de muito para você se identificar e entender o sofrimento das irmãs e o porque de cada uma agir de determinada forma.
Eurídice sofre pois durante toda a vida ela tenta realizar diferentes sonhos e nenhum deles vai adiante porque os pais ou, mais tarde, o marido a impedem. Ela é uma mulher extremamente inteligente, autodidata, que tenta se agarra a toda e qualquer chance de fazer algo notável, além de ser apenas mãe e dona de casa. Ela não quer ser invisível mas o é apenas por ser mulher.
Guida foge por amor e é abandonada grávida, passa por muitas dificuldades para arranjar emprego, se sustentar, criar um filho e mais tarde pagar o tratamento pro mesmo, que acaba tendo febre reumática. Ela luta para sobreviver.
A dor está presente na vida das duas em ambas as obras, mas o filme consegue tornar tudo 10 vezes pior!
Por exemplo, Guida e Eurídice se reencontram no livro e Guida até mora por um tempo na casa de Eurídice (já casada e com filhos). O pai renega Guida, assim como no filme, mas nunca mentiu sobre Eurídice ter saído do país. Guida e Seu Manuel inclusive se reconciliam e é ela quem cuida do pai na velhice.
Enfim, acho que o livro termina até de uma forma aprazível, enquanto o filme só deixa muitas lágrimas nos olhos. Fernanda Montenegro só com um olhar consegue quebrar seu coração em mil pedacinhos. E só de pensar que
é angustiante demais! Por fim, acho que o filme peca um pouco no desenvolvimento dos personagens, deixando de explorar algumas questões mais profundas sobre os pais, Antenor, Filomena e até mesmo as crianças.
Uma frase em particular, dita pelo pai das meninas, me tocou muito. Ele leva Mei e Satsuki para saudarem os espíritos da floresta e encontram a Canforeira. Ele então diz: "Que árvore magnífica! Deve estar aqui há muitos anos... Dede a época em que árvores e pessoas eram amigas." Esse é um dos pequenos detalhes dessa história encantadora e tão delicada.
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraTinha altas expectativas com O Agente Secreto, mas terminar a sessão em prantos não estava nos meus planos…
Esse é um filme sensacional, com um pouco de comédia, suspense, drama e realismo mágico. Kleber Mendonça Filho cria um roteiro intrigante, perspicaz e sarcástico, num longa que funciona como um compilado de sua carreira. E mais uma vez ele fala de memória: memórias individual e coletiva, de formas diferentes, tanto num contexto de ditadura militar, como sobre as peças que a memória nos prega. Pra além disso, ele continua tratando sobre memória da cidade, depois de Retratos Fantasmas, e segue homenageando os cinemas de rua de Recife.
Simplesmente incrível!
Viva Kleber, viva Wagner Moura e viva Tânia Maria!
Valor Sentimental
3.9 403 Assista AgoraDepois de conhecer o trabalho de Joachim Trier em A Pior Pessoa do Mundo, eu tinha grandes expectativas com seu novo filme. Sentimental Value guarda algumas semelhanças com o longa anterior, em especial pelo elenco com rostos conhecidos, mas principalmente pela delicadeza na história que o diretor decide contar, mesmo tratando de temas tão delicados.
Me identifico com a história das irmãs Borgs e, talvez por isso, siga pensando nesse filme desde que saí da sala de cinema. Renate e Inga tem atuações espetaculares, o que eu já esperava de Renate, que vem crescendo com inúmeros trabalhos de destaque nos últimos anos, mas me surpreendi com a atriz que interpreta sua irmã, a qual ainda não conhecia.
[CONTÉM SPOILERS A PARTIR DAQUI]
As duas carregam uma mesma dor, mas lidam de formas diferentes com os traumas de uma infância conturbada e a ausência do pai. É tão bonito e, ao mesmo tempo, triste ver a atuação introspectiva e reprimida de Renate. Nora não consegue expressar seus sentimentos e frustações com o pai, preferindo fugir (literalmente) ou viver outras personas como uma atriz, para conseguir manifestar o que está preso dentro de seu íntimo. Agnes, por sua vez, consegue confrontá-lo eventualmente, em especial para proteger seu filho da vivência que teve quando criança, trabalhando com o pai para conseguir ter tempo junto dele e, depois, sofrendo com sua partida. Tudo é dilacerante e belo nessa trama...
Stellan está igualmente fantástico. Ele interpreta um homem que tenta se reconciliar com as filhas, talvez numa busca mais profunda para fazer as pazes com outras figuras femininas de sua vida. Porém, o mesmo não sabe como pedir desculpas e repete padrões de comportamento que são muito dolorosos para aqueles que convivem com ele.
Gosto especialmente da forma como a casa da família é retratada no filme. Os trechos que contam eventos decorridos ao longo de anos, mostrando que diferentes gerações habitaram esse espaço, são de uma singularidade, com um olhar tão delicado para uma construção que carrega muitas memórias e vivências, boas e ruins, e representa essa família.
[FIM DOS SPOILERS]
Ansiosa para assistir novamente essa obra no cinema!
Assistido em 06/10/25, no Fetival do Rio de 2025.
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraDemorei e pensei muito antes de expressar uma opinião sobre esse filme aqui, mas vou deixar um comentário de alerta.
Não, essa não é uma história incrível, com uma protagonista feminina empoderadora. Pelo contrário, apesar de dar título ao filme, Anora é uma personagem sem profundidade, sem arco de desenvolvimento, que começa e termina sua jornada sem nenhuma evolução. Anora é uma protagonista mal escrita, sem passado, sem motivação que justifique suas ações, dentro de uma narrativa pobre, num filme que começa até divertido e com potencial, mas que vira uma perseguição a um moleque rico e inconsequente, sem qualquer propósito real.
Fiquei me perguntando o porquê desta história, pois ela realmente não traz nenhuma reflexão sobre os acontecimentos vexatórios aos quais a protagonista é exposta. O filme a odeia e nos faz odiá-la também, e isso foi o que mais mexeu comigo negativamente. Eu saí do cinema extremamente chateada e irritada com o que havia assistido porque esse filme me fez sentir raiva de Anora, propositalmente, por todos os seus defeitos. Ela foi resumida a uma garota de programa interesseira, que só queria mudar de vida a qualquer custo e ascender socialmente, nunca tendo realmente amado Ivan.
E essa é a questão aqui, um roteiro escrito por um homem, que gera esse tipo de sentimento entre mulheres. No fim, a raiva que senti foi por Sean Baker ter tido êxito nessa tarefa.
Emilia Pérez
2.4 484 Assista AgoraDesconsiderando todas as polêmica em volta desse filme, que não são poucas, ele é ruim por inúmeros motivos.
A premissa do roteiro é até interessante, mas a execução é extremamente enfadonha, deixando evidente a falta de pesquisa ou qualquer interesse em compreender de fato as temáticas que o filme quer explorar. É tudo muito raso, sem qualquer desenvolvimento e, sinceramente, vergonhoso. Muita coisa simplesmente não faz sentido algum, como
a) Jessi não ter a mínima ideia do tratamento hormonal que Manitas vinha fazendo há dois anos ou sequer reconhecer o marido, enquanto Rita, descobre quem Emilia é com tanta facilidade; b) Ninguém questionar de onde vem o dinheiro de Emilia, que incialmente financia a fundação sozinha; c) Uma mulher, até então desconhecida, ser canonizada pelo povo de Vera Cruz após sua morte por causas escusas.
Esse final, principalmente, é de uma hipocrisia surreal. Apesar de saber o que aconteceria, ainda assim o filme me surpreendeu com tamanho absurdo!
No fim das contas, Emilia Pérez é um reflexo da equipe por traz de seu desenvolvimento e realização. É um filme estereotipado e cafona, filmado e editado de uma maneira ultrapassada, com uma narrativa arrastada e músicas terríveis. Ele falha em tudo a que se propõe!
Fica clara a arrogância de Jacques Audiard, que não consegue esconder sua perspectiva eurocêntrica e neocolonial sobre o povo mexicano e sua cultura. Ele insiste em apresentar aspectos negativos sobre o México, como pobreza, violência e insegurança, em oposição a superioridade de países como Suíça e Inglaterra, que no filme representam riqueza e novas oportunidades.
As muitas indicações e vitórias nesta temporada de premiações são fruto de uma campanha pesada da Netflix, que investiu muito dinheiro e fez muito lobby para isso, o que é extremamente decepcionante para quem ama cinema, porque parece que a indústria vai sempre se resumir a lucro.
Amável
4.1 1Fui assistir esse filme esperando uma história sobre o término de um longo relacionamento, mas ele é MUITO mais do que isso! Assisti há dois dias e ele continua comigo.
O longa aborda sim questões sobre relacionamentos, principalmente fazendo uma análise de como vários pequenos gestos e coisas não ditas são capazes de envenenar um relacionamento até levar ao término. Acho interessante as diferentes perspectivas sobre uma cena em específico,
que acaba se repetindo 3 vezes: a primeira, o acontecimento real, a segunda, como se Maria imaginasse falar diretamente para Sigmund tudo que estava pensando no momento, e uma terceira vez, quando ela então imagina um cenário onde ela poderia finalmente se abrir com seu parceiro e contar sobre seus medos.
Porém, ele se aprofunda principalmente nas angústias e traumas de Maria,
no relacionamento dela consigo mesma, na relação com outras figuras femininas, no porque de, apesar de todo o esgotamento físico e mental, ela ainda recusar ajuda, assim como no motivo para seu pavor em se imaginar sozinha.
Acho que o filme consegue explorar bem questões associadas a padrões de gênero, além de tratar também de padrões de comportamento e traumas geracionais que se repetem.
Me identifiquei muito com a protagonista e fiquei extremamente emocionada em muitas cenas. Ansiosa para rever <3
Assistido no Fetival do Rio de 2024.
A Garota da Agulha
4.0 299 Assista AgoraApesar de já saber sobre a perversidade dos atos cometidos pela personagem de Dagmar, o filme não falha em chocar com cenas fortes, apesar de não serem gráficas.
A atuação de Victoria Carmen Sonne é fascinante, ela diz tanto com suas expressões!
Apesar de ser um "filme de época", ele trata de temas bastante atuais, que ainda pautam a vida das mulheres, como o aborto e a liberdade sobre nossos próprios corpos. Acho que a cena que mais me marcou foi quando
, durante o julgamento, Dagmar justifica seu atos dizendo que ela apenas fazia aquilo que as mães que colocavam seus filhos para adoção tinham vontade mas careciam de coragem para fazer.
Assistido no Fetival do Rio de 2024.
Todo Tempo Que Temos
3.4 177 Assista AgoraUm filme fofo, sem grandes pretensões, que conquista mesmo pelo carisma dos protagonistas e a química do casal.
A cena final é de cortar o coração porque
fica claro que Almut não será esquecida, como temia. Ela será lembrada por aqueles que a amam através das pequenas coisas, aquilo que foi vivido na intimidade de um relacionamento, no dia a dia, nas trocas e ensinamentos, que são aquilo que realmente deixam marcas pra sempre.
Assistido no Fetival do Rio de 2024.
Armand e os Limites das Famílias
3.3 17Talvez a cena mais marcante seja
aquela em que Elizabeth tenta se desvencilhar, em meio a uma dança, dos funcionários do colégio, pessoas que a julgam e que a fazem se sentir manipulada, conforme encenado de maneira lúdica. É uma cena, entre outras do longa, que causa estranhamento e traz alguns questionamentos sobre o passado da protagonista, seus traumas e vivências, construindo o mistério por traz do relacionamento dela com o marido, com o filho e outras possíveis experiências de abuso que ela possa ter vivido.
Renate Reinsve está mais uma vez impecável! <3
Assistido no Fetival do Rio de 2024.
Dias Perfeitos
4.2 632 Assista AgoraApaixonada pela arquitetura dos banheiros públicos de Tóquio depois de assistir esse filme <3
Anatomia de uma Queda
4.0 992 Assista AgoraPara além dos diversos comentário muito pertinentes que vi por aqui, gostaria de contribuir com a percepção que tive do filme.
Achei extremamente perspicaz o roteiro de Justine Triet, que nos faz pensar se
o mesmo tratamento seria dado a um homem em julgamento, onde o marido fosse o réu e a esposa a vítima. A sexualidade de Sandra é abordada levianamente, ela é julgada por uma traição que ocorreu há mais de 5 anos, seu sucesso profissional é contraposto ao papel do marido, que se tornou responsável pela educação do filho enquanto ela aparenta ser a principal provedora financeira da família, além do acolhimento da indignação de Samuel por ter perdido tempo de vida ao se dedicar aos "cuidados domésticos" e deixar de lado sua carreira.
Um homem seria julgado como culpado de assassinato por tais indícios? Talvez sim, mas me pergunto se seria de forma tão incisiva como feito pelo Júri, sobretudo pelo promotor. Até mesmo na cena em que ouve-se a gravação da briga que ocorreu no dia anterior, é possível perceber que Samuel quase chora algumas vezes, mas em nenhum momento o Júri parece reconhecer um desequilíbrio emocional que pudesse justificar o suicídio do marido. Tal comportamento, vindo de uma mulher, seria facilmente descredibilizado. E isso é feito com Sandra inúmeras vezes ao longo do julgamento.
Anatomia de Uma Queda é um filme angustiante porque traz muitas dúvidas sem respostas, porque mostra o sofrimento de uma mãe e um filho, mas pincipalmente,
porque demonstra como toda e qualquer atitude de uma mulher pode ser facilmente julgada e usada contra ela quando conveniente.
Saltburn
3.5 935Emerald Fennell se acha tão transgressora, mas só é medíocre e muito arrogante...
Vidas Passadas
4.1 962 Assista AgoraUm filme extremamente bonito e delicado, com diálogos marcantes.
Uma das muitas frase que ressoaram na minha cabeça foi "'É como plantar duas árvores em um lugar só. Nossas raízes precisam se acomodar."
Retratos Fantasmas
4.1 261 Assista AgoraComo arquiteta e urbanista, esse filme me tocou extremamente. Me emocionei por diversas vezes com a delicadeza dessa obra! Ela, entre muitas coisas, é como um álbum de recordações, pois trata de memória: a memória que os objetos podem nos trazer, assim como a memória que temos de alguns lugares, a memória que a cidade carrega e as memórias que guardamos daqueles que amamos. E Kleber é muito didático em mostrar que não apenas as pessoas podem marcar nossa vida e deixar tantas lembranças, mas também a cidade, as experiências que vivemos em espaços construídos, desde nossa própria casa, até os edifícios que nos fascinam pela sua bela arquitetura ou pelas histórias que presenciamos e construímos nesses lugares. O filme é uma declaração de amor ao cinema, assim como à cidade de Recife!
Obrigada, Kleber, por este presente <3
X-Men: Fênix Negra
2.6 1,1K Assista AgoraEsse filme só pode ter sido lavagem de dinheiro
A Vida Invisível
4.3 663Há muito tempo queria ver esse filme e acabei assistindo só hoje, depois de já ter lido o livro. Minha impressão é que filme e livro são duas obras completamente diferentes, mas cada uma com seu valor.
O filme tem uma atmosfera muito mais pesada. A fotografia, as cores, a iluminação (etc) criam uma ambiência extremamente desconfortável. E o filme deixa o espectador em agonia o tempo todo com as diversas situações repulsivas, constrangedoras e revoltantes que acontecem no desenrolar da história.
O livro, apesar de igualmente triste, traz uma experiência mais leve. As duas irmãs sofrem com as adversidades da vida, o machismo, e tantas outras tragédias presentes na vida de mulheres, apenas por elas terem nascido mulheres. O livro não precisa de muito para você se identificar e entender o sofrimento das irmãs e o porque de cada uma agir de determinada forma.
Eurídice sofre pois durante toda a vida ela tenta realizar diferentes sonhos e nenhum deles vai adiante porque os pais ou, mais tarde, o marido a impedem. Ela é uma mulher extremamente inteligente, autodidata, que tenta se agarra a toda e qualquer chance de fazer algo notável, além de ser apenas mãe e dona de casa. Ela não quer ser invisível mas o é apenas por ser mulher.
Guida foge por amor e é abandonada grávida, passa por muitas dificuldades para arranjar emprego, se sustentar, criar um filho e mais tarde pagar o tratamento pro mesmo, que acaba tendo febre reumática. Ela luta para sobreviver.
A dor está presente na vida das duas em ambas as obras, mas o filme consegue tornar tudo 10 vezes pior!
Por exemplo, Guida e Eurídice se reencontram no livro e Guida até mora por um tempo na casa de Eurídice (já casada e com filhos). O pai renega Guida, assim como no filme, mas nunca mentiu sobre Eurídice ter saído do país. Guida e Seu Manuel inclusive se reconciliam e é ela quem cuida do pai na velhice.
Enfim, acho que o livro termina até de uma forma aprazível, enquanto o filme só deixa muitas lágrimas nos olhos. Fernanda Montenegro só com um olhar consegue quebrar seu coração em mil pedacinhos. E só de pensar que
no longa as irmãs nunca se veem novamente
Por fim, acho que o filme peca um pouco no desenvolvimento dos personagens, deixando de explorar algumas questões mais profundas sobre os pais, Antenor, Filomena e até mesmo as crianças.
Meu Amigo Totoro
4.3 1,3K Assista AgoraUma frase em particular, dita pelo pai das meninas, me tocou muito. Ele leva Mei e Satsuki para saudarem os espíritos da floresta e encontram a Canforeira. Ele então diz: "Que árvore magnífica! Deve estar aqui há muitos anos... Dede a época em que árvores e pessoas eram amigas."
Esse é um dos pequenos detalhes dessa história encantadora e tão delicada.
Trama Fantasma
3.7 821 Assista AgoraOutro possível título para o filme:
Cogumelos da Paixão