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Últimas opiniões enviadas

  • Gustavo

    Apesar de admirar diversas obras do gênero, não sou um grande fã de sci-fi e a ideia de assistir um filme sobre alienígenas me pareceu um pouco desanimadora de início. Mas esse foi meu erro, achar que A Chegada era mais um blockbuster sobre invasões aliens vazio de significados, a fim de retratar com grife conceitos já batidos.

    Identificado o engano, Arrival se apresenta como uma grande experiência às pessoas com tendências sensitivas. Como grande fã dos filmes do Malick, especialmente Árvore da Vida, posso dizer que me classifico como uma delas. Villeneuve trata de oferecer um visual belo e sutil, sem tornar isso uma obsessão e desperdiçando nenhum plano, resultando em um filme surreal e repleto de mistérios. O roteiro denso e repleto de questões existenciais ajuda a lapidar o tom poético da obra.

    Muito interessante também é a forma como percepções e emoções são tratadas. Ambos podem ser evidenciados na exploração da forma de contato com os visitantes. Nossos sentidos são ativados antes mesmo de conhecermos uma palavra. Quando vemos uma cor, somos capazes de associá-las e diferenciá-las das demais, mesmo que não saibamos o nome de cada uma. O mesmo acontece no campo das emoções, onde sentimos algo e então pensamos em palavras que possam expressar nossas ideias. Uma vez enriquecido o vocabulário, somos cada vez mais capazes de expor com precisão tudo o que passa em nossa mente.

    Nesse sentido, Dr. Louise Banks (Amy Adams) consegue ultrapassar a barreira do desconhecido e se arrisca numa interação até então tida como insana. Aos poucos, ela consegue demonstrar todo seu lado humano e só então somos capazes de detectar a complexidade emocional que a cerca. Todo esse trabalho no campo das emoções e sensações é basicamente o que resume Arrival. A tentativa de conhecer a fundo algo tão diferente de você, embarcando profundamente na forma como o outro pensa, seus sentimentos e sua visão de mundo. É uma exploração de diferentes raças, crenças, gêneros e costumes.

    Por fim, são explorados diversos outros temas que nos instigam a pensar por horas. Reflexões sobre o tempo e amor materno são postos em prática, assim como a ideia de que a compreensão, a compaixão e a inteligência humana é muito mais capaz de salvar nosso planeta - até mesmo da nossa própria espécie - do que utilizar a intolerância, a violência ou o preconceito.

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  • Gustavo

    “Essa história quase não foi contada. No entanto, merece ser conhecida”. Assim é realizada a abertura do épico medieval de František Vlácil, Marketa Lazarova. Já de cara, somos submetidos a um filme gélido e intenso, onde o conflito entre dois clãs rivais vai além de questões territoriais e da luta pelo poder. Entra em jogo também a disputa religiosa entre o cristianismo e o paganismo.

    O conto é num interior da Boêmia do século XIII, um território frio, selvagem e místico, em que dois governos defendem hierarquias e crenças próprias. De um lado Lazar, pai de Marketa e comandante do clã seguidor dos pensamentos cristãos, que nutre o grande desejo de ver sua filha num convento como freira. O outro é Kozlic, seguidor de rituais pagãos e pai de nove filhas e oito filhos, não escondendo sua preferência por Mikolas. A hostilidade entre ambos os lados não é apenas responsável por grandes momentos de batalhas, estas fortemente inspiradas em obras do Mestre Kurosawa. Também é por ela que Marketa e Mikolas se encontram e começam a desenvolver sentimentos improváveis e absurdos, em meio a tal contexto religioso. Assim, o espectador é levado a um universo sobre o que há de pior no ser humano. Assassinatos, estupro e vingança são alguns dos elementos que caracterizam o filme.

    Ao mesmo tempo em que possui uma atmosfera sombria e carregada de espiritualismo, Marketa Lazarova se apresenta como um dos mais belos filmes já produzidos, onde cada cena é repleta de vida e emoção. Uma sequência de imagens belíssima que, para muitos, se transforma numa verdadeira arte visual.

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  • Gustavo

    Visualmente estonteante, Arca Russa é um daqueles filmes que se tornam uma viagem e experiência únicas. Conduzido por um aristocrata francês, o filme explora o belíssimo Museu Hermitage, em São Petesburgo, apresentando as singulares cortes dos tsares russos.

    Durante os 99 minutos de filme, Sokurov utiliza um prato cheio de técnicas responsáveis por manter a atenção do espectador. As incalculáveis obras presentes no museu, junto a diversos personagens da história russa, dão uma riqueza única, capaz de nos transportar no tempo e nos fazer sentir um pedaço de uma cultura repleta em detalhes. Vale destacar a forma como a história é contada. A câmera em primeira pessoa, representando um homem do passado que participou da época, interage com um homem do presente, que detém todo o conhecimento e visão histórica que temos hoje. Assim, os diálogos entre ambos são utilizados como forma de orientar a quem assiste e desconhece o assunto abordado no filme.

    Não poderia deixar de falar sobre a principal técnica utilizada no filme. O único take é a grande atração e corresponde às expectativas, por meio de uma naturalidade exemplar. A sensação é de que estamos assistindo a uma peça de teatro. Por outro lado, a ousadia do diretor é responsável por pequenas falhas, como a iluminação insuficiente em alguns momentos. Nada que abale a originalidade e grandiosidade de uma obra marcante.

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