Filme pioneiro, mediante o qual se estuda a integridade do espaço. Neste contexto, a sequência temporal é quase irrelevante, já que o importa, em última instância, é dar conta da capacidade de lugar. Caso se dêem ao trabalho de contar o tempo que o bombeiro demora a resgatar a mãe da criança, atentando sempre no ponto de vista interno, hão-de reparar que é muito mais rápido do que aquilo que sucede do ponto de vista externo, quando vemos a casa do lado de fora e a mulher a esbracejar. Porter inspirou Griffith naquilo que concerne ao travelling e ao «last minute rescue». O que constitui o nó da acção, aqui, são os elementos que aparecem em cada plano. Tudo se conta troço a troço, para que o espectador perceba o que está a acontecer sem necessitar de variadíssimos planos. Um filme deveras importante, a par do « The Great Train Robbery», que ainda não tive o privilégio de ver mas acerca do qual já li.
Uma cena do quotidiano, registada pelos irmãos Lumière, numa época em que o cinema ainda nem sequer existia. A par desta gravação, foram mostradas mais nove, cada uma do seu género, ainda que quase todas pendessem para a comédia. Esta foi, de qualquer modo, a primeira de todas. Há quem dê pela câmera e se exiba (ou, no mínimo, esboce um sorriso), sem ter a menor percepção de que aquelas imagens, isentas dos dados complementares que hoje em dia logram criar a ilusão, iriam ficar para a posterioridade (vide Bergson e as suas concepções acerca do movimento). Um marco para qualquer cinéfilo. Sente-se até comoção, pela oportunidade de «ter em mãos» este pedaço de história. Bem-hajam, irmãos Lumière.
Atendendo à época em que foi feito, trata-se de uma verdadeira obra-prima! É natural que algumas cenas nos pareçam lúgubres (os que não estão familiarizados com o cinema mudo hão-de reforçar essa ideia). «Alice in Wonderland» é um dos meus livros favoritos, pelas temáticas expostas e pelas reflexões que suscita. Um bem-haja a todos os que conservam estas fitas...não deve ser fácil passá-las de geração em geração, até aos dias de hoje.
Remete, inevitavelmente, para o filme do Billy Wilder. É uma versão mais clássica, por assim dizer. Atentemos, contudo, nas reacções. O constrangimento da senhora, no momento em que saia enfuna. A expressão do homem que a acompanha, também caricata. É um prato cheio para os historiadores (e para os que se interessam pelo passado, em última análise). Poder-se-ia, também, analisar a indumentária (ou modo como as pessoas flanavam, que até se assemelha ao dos dias de hoje). Temos, ainda, uma ideia de decoro, que já se tornou obsoleta ou ultrapassada. Um registo muito importante, sob os mais diversos prismas.
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A Vida de um Bombeiro Americano
3.9 15Filme pioneiro, mediante o qual se estuda a integridade do espaço. Neste contexto, a sequência temporal é quase irrelevante, já que o importa, em última instância, é dar conta da capacidade de lugar. Caso se dêem ao trabalho de contar o tempo que o bombeiro demora a resgatar a mãe da criança, atentando sempre no ponto de vista interno, hão-de reparar que é muito mais rápido do que aquilo que sucede do ponto de vista externo, quando vemos a casa do lado de fora e a mulher a esbracejar.
Porter inspirou Griffith naquilo que concerne ao travelling e ao «last minute rescue». O que constitui o nó da acção, aqui, são os elementos que aparecem em cada plano. Tudo se conta troço a troço, para que o espectador perceba o que está a acontecer sem necessitar de variadíssimos planos. Um filme deveras importante, a par do « The Great Train Robbery», que ainda não tive o privilégio de ver mas acerca do qual já li.
A Saída dos Operários da Fábrica Lumière, [I]
4.0 93Uma cena do quotidiano, registada pelos irmãos Lumière, numa época em que o cinema ainda nem sequer existia. A par desta gravação, foram mostradas mais nove, cada uma do seu género, ainda que quase todas pendessem para a comédia. Esta foi, de qualquer modo, a primeira de todas. Há quem dê pela câmera e se exiba (ou, no mínimo, esboce um sorriso), sem ter a menor percepção de que aquelas imagens, isentas dos dados complementares que hoje em dia logram criar a ilusão, iriam ficar para a posterioridade (vide Bergson e as suas concepções acerca do movimento). Um marco para qualquer cinéfilo. Sente-se até comoção, pela oportunidade de «ter em mãos» este pedaço de história. Bem-hajam, irmãos Lumière.
Alice no País das Maravilhas
3.8 114Atendendo à época em que foi feito, trata-se de uma verdadeira obra-prima! É natural que algumas cenas nos pareçam lúgubres (os que não estão familiarizados com o cinema mudo hão-de reforçar essa ideia). «Alice in Wonderland» é um dos meus livros favoritos, pelas temáticas expostas e pelas reflexões que suscita. Um bem-haja a todos os que conservam estas fitas...não deve ser fácil passá-las de geração em geração, até aos dias de hoje.
O Que Aconteceu na Rua 23, Nova Iorque
3.5 14Remete, inevitavelmente, para o filme do Billy Wilder. É uma versão mais clássica, por assim dizer. Atentemos, contudo, nas reacções. O constrangimento da senhora, no momento em que saia enfuna. A expressão do homem que a acompanha, também caricata. É um prato cheio para os historiadores (e para os que se interessam pelo passado, em última análise). Poder-se-ia, também, analisar a indumentária (ou modo como as pessoas flanavam, que até se assemelha ao dos dias de hoje). Temos, ainda, uma ideia de decoro, que já se tornou obsoleta ou ultrapassada. Um registo muito importante, sob os mais diversos prismas.