« Education is conceived more in terms of indoctrination by most school officials than in terms of enlightenment. My own belief is that education must be subversive if it is to be meaningful. By this I mean that it must challenge all the things we take for granted, examine all accepted assumptions, tamper with every sacred cow, and instill a desire to question and doubt. Without this the mere instruction to memorise data is empty. The attempt to enforce conventional mediocrity on the young is criminal. » *
* Bertrand Russell, as quoted, in Ronald William Clark, THE LIFE OF BERTRAND RUSSELL (1976), p. 423
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Para alguns, a imagem nĂŁo Ă© mais do que um logro: basta sujeitĂĄ-la a qualquer modificação â mesmo que se trate de um retoque elementar â, para que todo o cenĂĄrio se transforme numa mentira insidiosa. A meu ver, a imagem Ă© o que consubstancia a palavra, inscrevendo-a num campo de memĂłria eidĂ©tica: o vocĂĄbulo assume-se visualmente, com acuidade e detalhe, deixando para trĂĄs a sua natureza grĂĄfica.
No meu caso, todo este fenĂłmeno toma proporçÔes curiosĂssimas, porque sempre encarei a palavra â aquela que se inscreve, que se desenha â como paixĂŁo derradeira. Fui alfabetizada aos quatro anos, por vontade prĂłpria, e, desde entĂŁo, tenho vivido em plena angĂșstia, dada a falta de um vocĂĄbulo que, dentro da sua subjectividade intrĂnseca, seja suficientemente contundente para redefinir os meus humores, atĂ© os mais Ăłbvios e recorrentes.
Aos primeiros filmes â ainda em casa, sem o deslumbramento que associamos aos grandes ecrĂŁs â, tive uma reacção quase patolĂłgica: antes de ingressar na faculdade, em perĂodo de fĂ©rias, via-os Ă dĂșzia. NĂŁo eram somente imagens que validavam â ou consolidavam â conceitos. Tratava-se, jĂĄ, de um processo alquĂmico, muito alĂ©m da pura materialização e de outros efeitos a haver. O cinema nĂŁo coincidia ponto por ponto com as minhas paixĂ”es: tornava-as ainda mais dilatadas e mais sĂŽfregas, como se cada cena conseguisse enformar aquele vocĂĄbulo perdido, ou dar corpo a um texto incoerente, polvilhado de rasuras e disparates. A literatura, ao contrĂĄrio do cinema, trouxe-me sempre pela mĂŁo. Os filmes sĂŁo uma espĂ©cie de mundo inventado, de tĂĄbua Ă qual me agarro firmemente.
Feminist as hell. âïž
NĂŁo hĂĄ, no cerne do cinema portuguĂȘs, aquilo que radica na economia de atenção. Dir-se-ia que nĂŁo hĂĄ pressa, nem recurso forçado aos estĂmulos do espectador. Existe, outrossim, uma relação de profundo respeito entre as partes envolvidas. Agrada-me que nunca se subestime a inteligĂȘncia de quem vĂȘ, nem a mestria de quem opera.
Que a Natureza o mantenha.