Une chambre en ville versa sobre o amor proibido entre portuário grevista e burguesa casada em meio aos distúrbios que convulsionaram Nantes na década de 50 – mistura de luta de classes com tragédia operística, eleito pela Cahiers du Cinéma o melhor filme do ano.
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Em "Um Quarto na Cidade," Jacques Demy nos leva a um mergulho profundo no coração da luta de classes, em meio a uma Nantes agitada pela greve de 1955. Através de um musical totalmente cantado, Demy desvela as camadas de complexidade humana e a tragédia da incomunicabilidade, refletindo sobre a dificuldade de encontrar conexão e empatia em um mundo marcado pela opressão e pelo conflito.
A música, elemento central na narrativa, atua como uma metáfora poderosa para as aspirações e desilusões dos personagens. As canções que embalam as manifestações nas ruas ecoam a força e a desesperança de uma classe trabalhadora em busca de justiça. No entanto, essa mesma musicalidade, que poderia ser um veículo de escapismo e beleza, transforma-se em um meio de expor as duras verdades da vida cotidiana, subvertendo a expectativa de um romance idealizado.
Os personagens de Demy são retratados com uma profundidade que os torna empáticos, apesar de suas falhas e impulsos destrutivos. Edith e François, em sua paixão intensa e efêmera, simbolizam a fragilidade dos relacionamentos humanos quando confrontados com a brutalidade da realidade social. A tragédia deles não está apenas em seus destinos individuais, mas na incapacidade de reconhecer o valor do outro, até que seja tarde demais.
A obra de Demy, com sua utilização magistral de cores e cenários, convida o espectador a refletir sobre a interseção entre amor e luta, revelando que, sem um amor autêntico e desinteressado, os movimentos sociais correm o risco de perder sua força. É uma crítica contundente à sociedade que continua a marginalizar e oprimir, onde a luta pela sobrevivência sufoca a possibilidade de verdadeira solidariedade.
Assim, "Um Quarto na Cidade" é mais do que um musical; é uma reflexão filosófica e social sobre a condição humana, a necessidade de amor e a constante batalha por dignidade e justiça em um mundo muitas vezes cruel e indiferente.
O filme de Jacques Demy que menos gostei. Ele tenta repetir a fórmula de os Guardas Chuvas do Amor, com diálogos cantados mas não dá certo dessa vez. Em parte porque o elenco é menos carismático que o do filme de 1964. Dominique Sanda está belíssima mas sua personagem não conseguiu me cativar, enquanto o fraquíssimo Richard Berry surge sem nenhum carisma. Nem o veterano Michel Piccoli consegue se destacar.
Pra piorar
o final fatalista não combina com a filmografia de Demy que sempre mostrou uma visão cínica e pouco melodramática dos relacionamentos amorosos de seus personagens. Alguém se matar por amor é algo que eu realmente não esperava em um filme dele.
Último grande musical do mestre Demy, demonstra que o autor não havia perdido sua grande sensibilidade, seu gosto pelos personagens simples e principalmente, pelo amor.
Rodada na cidade natal do diretor, retrata um tumultuado momento político de luta de classes. Os diálogos cantados, repletos de inocência e cinismo, são por si encantadores - mas as músicas cantadas nas cenas das manifestações nas ruas são fantásticas por sua força. Emocionante.
O cinema francês é muito elegante . Só que um filme
todo falado em musical dificulta em imergir para dentro
da trama .
Sou fã do Jacques Démy. Mais que isso, devoto de sua forma de amor que não prescinde de algo confundido com infidelidade. A suposta (e/ou confirmada) brevidade dos amores é uma marca registrada de seus enredos, o que só se confirma na explosão passional súbita que toma de assalto François e Edith (maravilhosamente vivida por uma despida Dominique Landa, aliás)... A priori, o sobejo musical do filme parece cansativo, visto que ele não é tão inesquecível em suas melodias quanto OS GUARDA-CHUVAS DO AMOR, por exemplo, mas a tragicidade exagerada do desfecho e a magnificência de seu elogio ao mais belo dos sentimentos me encantou por completo. Até mesmo a composição um tanto caricatural da Violette me encantou: lindo, belíssimo, magistral! (WPC>)