Minissérie enlatada Netflix, mas que funciona bem, entrega passatempo e prende bem a atenção até o final. Apesar de ter sacado o plot no quarto episódio, conduz bem sem entregar na cara ao longo da narrativa. Mas esse plot, no fim das contas, só mostra que, como série enlatada, os autores se preocuparam mais em chocar em um tom novelesco do que ter compromisso com qualquer realidade e moralidade.
Apresentar a serial killer ao som de uma trilha heróica e com sorriso de admiração da filha foi o máximo. Kkkkkk Um felizes para sempre que colaria se o gênero da série fosse trash. Créditos para os estupradores da história que a veia ignorou total. Seria a amnésia real? Hahahah
Fim do Ep05 e ainda não é hora pra se emocionar, mas pq*p: Vince não entra em nada pra ser medíocre mesmo e não poderia haver casamento mais perfeito do que essa sua destreza pra dirigir séries com o gênero de suspense, mistério e teorizações num background distópico e sci-fi, totalmente fora da caixa dos seus dois sucessos anteriores e do que temos no portfólio dos streams atuais. Onde isso vai dar, não sabemos, só que será um striptease episódio a episódio de revelações e mais teorias.
EP03 divisor de águas; põe na mesa com clareza e um copo de vodka os dilemas que a série de fato vai explorar e todo o potencial disso nesse que parece uma grande distopia “blackmirror”. Sensacional! Conhecendo o modo do Vince, a série tem tudo pra deitar e rolar a conta gotas de agonia e deleite técnico nesse ying yang de reflexões éticas sobre felicidade x desolação, alegria x luto, individualidade x coletividade, certo x errado, ponto de vista x vista de ponto, homem social x mecânico, herói x vilão, realidade x matrix. E se tudo for um Show de Truman ou um experimento ou uma terapia futurista de cura da tristeza da alma de Carol? Pouco importa frente ao que esse enredo pode render de reflexão necessária aos nossos tempos.
Tecnicamente e filosoficamente, a melhor série da atualidade! Mais uma temporada de altíssimo nível, que fecha com poesia e maestria (por enquanto) o loop de mistérios iniciados na primeira temporada, premiando com todas as respostas necessárias em um final apoteótico a todos os que deglutiram lentamente e pacientemente cada episódio.
Não é à toa que Ruptura tem gerado tanto hype! É aclamada porque tem profundidade, é suco de arte, com filosofia, mitologia e psicologia, todas diluídas em cada frame e em camadas. Além de refletir sobre existência e egos, a série se aprofunda no campo da moral e sentimentos, unindo o high-tech ao anacrônico, não só em objetos, mas também nos comportementos, traumas e erros do passado que coexistem com o presente e que minam o futuro, numa luta de classes para serem desfeitos ou refeitos.
Assusta e é sintomático que um número considerável de espectadores se incomode com o ritmo e exija que tudo seja tão rápido, como se tudo o que não é resposta não desperte interesse.
Assusta porque o barato está no deleite dos detalhes técnicos que cada episódio entrega, nos enquadramentos de câmeras, nas referências de outras obras, no uso das cores, luzes e sombras, símbolos, objetos, reflexões e subtextos pra todo lado sem abrir mão de seguir desenvolvendo os porquês de cada personagem e a história, mesmo que em colcha de retalhos desordenados (destaque para o brilhante episódio 07 - Chikhai Bardo).
Sintomático porque ignorar tanto detalhe e se ater tanto à solução imediata da trama principal reflete a triste liquidez e vício por velocidade dessa era. Felizmente os produtores demonstram não ter compromisso com esse público sedento por respostas rápidas e incapaz de explorar as respostas em conta gotas de cada episódio. Em Severance, nada é superficial e quem busca superfície, nada e se cansa.
Alerta vermelho: a segunda temporada fecha um ciclo de perguntas sobre os principais mistérios da trama, tanto que poderia facilmente (com adição de mais alguns minutos) ser já o desfecho da série. Curioso em saber como vão conseguir dar continuidade mantendo a mesma qualidade, com novos fios condutores de mais mistérios, a mesma máquina de gerar teorias de conspiração, sem prejudicar o interesse de quem assiste e a coerência e o final que será dado a cada personagem. Tem muitas possibilidades de explorar o universo, mas exceto pela carta “na verdade, a verdade sobre tudo é outra”, será digna de aplausos e prêmios se de fato houver capacidade conciliar a necessidade comercial da Apple, tendo que conversar com todos os públicos, inclusive com um público cada vez mais digital e sedento por epics novelescos, com a profundidade técnica e filosófica da trama.
Insosso, esquecível, raso, preguiçoso e contra-cinema: um delírio político de uma academia tomada por doentes. Uma estrela para a protagonista que até que se esforçou nos gritos, no russienglish, palavrões e choros. Dos créditos para o mar do esquecimento.
Melhor do gênero desde Breaking Bad (sim! Pinguim definitivamente não é sobre e apenas para fãs do Morcego e seu universo). É sobre megalomania, amor, perda, dor, crime e psicopatia. E tudo isso retratado no design, roteiro e produção impecáveis e em atuações de gala de Farrel e Millioti.
Final um pouco apressado e conveniente, com alguns fatos que poderiam ser melhor executados pra ganharem ainda mais impacto como nos brilhantes 6 primeiros episódios, mas nada que comprometa o marco que foi essa grata surpresa. Que venham as premiações.
Tecnicamente excelente. Oscar coerente e merecido ao Fraser e à maquiagem. Aliás, a produção, roteiro e direção fazem jus a uma primeira prateleira de cinema, tamanha a qualidade e uso de símbolos e retratos, mas não ironicamente foram desdenhadas.
As temáticas depressão, luto, obesidade, homossexualidade, preconceito, vergonha, desprezo, fundamentalismo religioso e consequências das decisões humanas, são pintadas de forma visceral e o roteiro acaba por se enforcar no próprio cordão que tece e sendo auto sabotado pelo que mais pretendeu chamar a atenção dentre os temas: as consequências nefastas de pré-conceitos.
Há preconceito e generalização de obesidade e religião até o fim, o que tornou a obra alvo de críticas de ‘ativistas gordos’ e a reduzi-la a um grande desserviço, justificando esse amargo lugar de não lembrada tanto quanto poderia ter sido.
Obra prima, suco de cinema em mais alto nível. Nolan, definitivamente, finca seu nome e técnica na história com o que, pra mim, é sua melhor produção desde O Cavaleiro das Trevas e até a supera em certos aspectos. Merecidas as premiações e faz jus ao hype por todo o conjunto, elenco, atuações, direção e som. Oppenheimer é prova de que a sétima arte pra ser primorosa, não precisa necessariamente de ação ou enfoque no apelo visual, ou suspense, mas em como ser capaz de desenvolver narrativas e manipular os sentidos do espectador pra contar uma história e mantê-lo atento a cada ponto. E falando em sentidos, o auditivo é protagonista de exploração em Oppenheimer pela brilhante trilha de Göransson que tira o fôlego e cria a aura de que algo grandioso e decisivo está acontecendo a todo momento, a cada nova cena. E de fato o é. “Quando vim até você com esses cálculos, pensamos que poderíamos iniciar uma reação em cadeia que destruiria o mundo inteiro... Acredito que conseguimos.”
Nunca fui tão tapeado por avaliações do Filmow. Um rating 4,8 pra uma verdadeira contra-produção novelesca. Uma grande aula do que não fazer com finais de personagens, uma season finale canastrona. Todos os personagens, com exceção de David e Brenda, regrediram ou receberam um final desconexo, incoerente, incompleto e sem a lição do que de fato importava. Fora os personagens secundários que sequer final tiveram.
Fica o alerta pra quem tá entediado lá na season 3 pensando se vale a pena continuar… Se a expectativa for no tom do final da season 2 e início da season 3 esquece. Mas se a expectativa for novelesca siga em frente.
transformar o personagem principal depois de toda uma lição de amor com Lisa em um vilão fdp e traidor e matá-lo no ápice do egoismo por pura necessidade de dar ponto alto emotivo à série; dar liberdade à Claire pra torrar sua herança em uma cidade grande sozinha sem ter aprendido nada sobre inteligência emocional e responsabilidade; Tornar a melhor personagem (Ruth) a mais insuportável e egoista gratuita com George e modificar isso duzentas vezes aleatoriamente e depois reforçar que ela nasceu pra ser triste e amargurada por tudo que sempre dá errado; Criar toda uma situação coerente de amor verdadeiro, trauma e bloqueio pós traição entre Vanessa e Rico e riscar isso do mapa pra ficar tudo resolvido com novos investimentos e dinheiro; por fim desperdiçar a chance de dar um fim de vida coerente a cada personagem com o que cada um aprendeu e faz aprender com sua história completa de vida a mostrar como cada um pateticamente fechou os olhos pela última vez. Créditos: envelhecimento bizarro de uns personagens e outros não. Nota: dó.
Filme pastelão de ação mas muuuito da ruim. Não tem um tom, não se decide o que quer ser, não tem compromisso com nada, sequer entrega violência gratuita coreografada com qualidade ou uma comédia pelo exagero. Inexplicável esse hype. Qualquer filme de ação de Bollywood é mais divertido ou empolgante do que isso.
Trama muito bem costurada, atuações gigantes e plot muito bom, bem sacado. Mas o diretor se autosabota por querer fazer o roteiro e filme ser muito maior do que de fato é. ou deveria ser. Peca pelo excesso e perdeu grande de chance de emplacar um clássico premiado.
Uma ótima ideia, com potencial pra gestar um filme tão bom ou tão profundo quanto um Interestellar, mas que entrega um produto pessimamente executado, com um único compromisso de ser um filme raso, de sessão da tarde, do início ao fim. Elenco excelente, mas o roteiro é tão preguiçoso em não desenvolver personagens e motivações que nem Marryl Streep ou di Caprio seriam capazes de entregar uma atuação convincente. Funciona pra quem
espera uma história de um herói que volta no tempo pra salvar vidas e se salvar apaixonado por uma desconhecida sem se questionar por quê e cientificamente como.
Avatar 2 não decepciona em nada a sua principal promessa e objetivo: a de ser uma experiência e um espetáculo visual feito especialmente pra uma sala de cinema 3D IMAX. Quem puder, não deixe de ir conferir, porque isso não funciona no sofá de casa e ainda não se vê em um parque de diversões ou outra franquia de filme até hoje.
Tecnicamente, Avatar mais uma vez dispensa apresentações e qualquer coisa que seja falada sobre sua técnica será redundante. A produção conseguiu evoluir ainda mais os detalhes e a ousadia na tecnologia a frente de seu tempo utilizada em cada cena. Deslumbre impecável, que pra mim garantem o selo 5 estrelas.
Mas existe um detalhe cobrado por quem espera mais do que visual: Avatar passar a ser vendido como uma longa franquia, como se tivesse história, pontas soltas, reviravoltas e roteiro suficiente pra sustentar 4 filmes de 3 horas de duração, e não tem. O enredo em Avatar 2 é ainda mais simplório e superficial, sem aprofundamento de personagens, sem reviravoltas ou criação de ganchos para mais 6 horas de história. Aliás, grande parte do tempo de Avatar 2 é tomado mesmo por cenas sem fala, feitas como presente pra quem pagou pra ir a um parque de diversões visual e só. A grandeza técnica dessa produção merecia um enredo mais atrativo e com maior profundidade e com isso facilmente se despontaria como um “Star Wars” de seu tempo. Infelizmente, Avatar 2 reforça a mensagem de que essa é uma franquia de exploração da capacidade da tecnologia no cinema e de apresentação de um banquete visual a um público sedento por pura diversão e nada mais. Para esse fim, Avatar segue sendo o maior de todos os tempos. Se Cameron dará uma guinada e enfim colocará tempero e enredo na história nos dois próximos filmes, pagaremos, com certeza, novamente pra ver.
Missão espinhosa a que deram a Baran Bo Odar: realizar, à sombra da obra-prima precursora, uma nova ficção tão instigante e puzzle quanto, mas que, agora, fosse também comercial. Em outras palavras: sacie a sede dos órfãos de Dark sem decepcioná-los e além disso seja atrativo e digerível a todos os demais públicos. Afinal, e$$e é o destination que mais interessa no fim das contas. Esse parece ter sido o mote arquitetônico de 1899 pra a Netflix.
Como esperado, o roteiro serve um banquete de mistério, suspense e enigmas a gosto do freguês. Esse não poderia ser um problema a quem já provou que domina bem essa arte e a repete muito bem novamente. O problema em 1899 é o excesso. O roteiro, viciado por esse afã de ser inteligente e vendável, busca a todo momento entregar mais enigmas do que a história precisa e respostas o mais rápido possível, apresentando a charada e imediatamente a solução, como quem diz ao espectador: ei, aqui está a maior resposta que você precisa, eu não vou te cozinhar, agora não desiste e fique comigo para mais recompensas rápidas e secundárias. Com isso, a série é mais rápida do que deveria ser e deixa de explorar melhor seus personagens e quebra-cabeças tomando atalhos e encurtando os caminhos.
A principal amostra disso já chega ao final do 3° episódio, onde a série entrega o que, pra mim, é o principal plot twist dessa season 1:
sim, sou uma série sci-fi, futurista, de prováveis (neuro)cientistas experimentando a mente humana ou se utilizando de pessoas em uma matrix a Big Brother para um projeto maior, aos moldes de Westworld, Ruptura, Matrix ou Incception. Agora, por ora, resta apenas saber quem é o criador/arquiteto das realidades e o que ele deseja de fato com isso…
Felizmente, o final entrega, no apagar das luzes, uma boa surpresa que abre os horizontes para o que virá, e isso mantém o enredo bastante promissor.
Se essa produção estivesse em uma plataforma de maior popularidade como Netflix ou Amazon, certamente estaria no centro da aclamação do mundo das séries como se tornou Lost ao trabalhar com um mistério instigante e pessoalizado como fio condutor de trama ou Black Mirror ao satirizar e jogar na real as mazelas do mundo tecnológico e moderno. Esse show me obriga a dizer que desde Dark não éramos presentados com um universo e trama tão geniais e disruptivos, agora com o 'mundo do trabalho vs vida pessoal em um futuro distópico' como ambientação.
Baseada no mito da caverna de Platão, assim como em Matrix e na contemporânea Westworld, Severance, ou Ruptura, explode cabeças num thriller que reúne sci-fi, suspense e comédia, jogando tudo no liquidificador e produzindo um extrato cristalino e perfeitamente digerível da nossa vida real contemporânea, dos dilemas sociais modernos, dos limites morais e éticos da tecnologia, da luta e dominação de classes, do universo corporativo de disputa e insalubre, da rotina que reduz e consome o ser, da demanda por desempenhar os papeis de profissional, esposo(a), pai/mãe, filho, amigo(a) e de como se comportar e ser um eu em cada papel. O mais barato dessa série é que ela é capaz de atender a todos os públicos, sem se tornar hermética, "metida" ou "elitista" a ponto de restringir o publico como Dark ou Westworld (essa mais ainda). A série funciona ao público que só quer se ater mesmo à superfície da história sem se cansar e que já estará super atendido com uma entrega de enredo e reflexões incríveis, até ao publico que vai levar muito a sério toda a riqueza de detalhes e prismas que a série apresenta em camadas, desde os conceitos visuais, psicologia das cores e enquadramento de câmera propositalmente desconfortáveis, cenários, figurinos, subtextos, hierarquias, trilha sonora excelente que reforça a ideia de repetição e rotina, até a conceitos e dilemas filosóficos, psicossociais, religiosos, morais, éticos, econômicos, aplicados ao ambiente de trabalho e à vida fora dele, além de muito mistério. Para esse segundo público, a dica é: prepara o flipchart, uma parede limpa, postit e pincel, que tem muito ponto pra ligar e puzzle pra montar de teoria sobre a trama.
Em Ruptura, absolutamente tudo o que é apresentado se conversa, se conecta e é desenvolvido de forma que pode soar lenta, mas muito orgânica, em camadas e em conta gotas, na medida certa. O ambiente de trabalho futurístico tecnológico da Lumon contrasta com alguns elementos do passado, como os monitores de tubo 8bits, números na tela, quadros com pinturas de estilo clássico, paleta de cores retrô, reforçando a sensação de que, apesar de ultra-moderna em tecnologia, a empresa se utiliza de métodos e políticas arcaicas, o que comicamente é o presente do nosso mundo corporativo da vida real em grande parte das organizações. Na Lumon, temos setores que não se conversam, funcionários que não conhecem o proposito do que fazem, assédio moral, concorrência tóxica, níveis e andares da empresa em que as camadas mais baixas jamais tomam conhecimento de suas decisões e reais propósitos e que aparentemente são marionetes ou cobaias de um plano de dominação, tradição, política e poder que parece existir na alta cúpula. Os personagens também representam bem a ideia do desconforto e de seguir uma rotina programada, até na forma engessada de andar, nas roupas apertadas, são devidamente trabalhados pra não só serem estudos de caso, mas para gerarem empatia, carisma e assim conduzirem o espectador às descobertas e ao plano de libertação ou entendimento do que acontece por fora da caverna e que se reflete dentro. A série sacia e muito bem o espectador na sua segunda metade, entregando uma trama frenética, agonizante, subversiva e com várias faces e possibilidades de enxergar as alegorias e metáforas apresentadas. Há ainda muitas sombras a serem reveladas e isso é ainda mais instigador. Nota 10 de 10, no hype alto e já favoritada! Genial!
Um dos grandes trunfos da DC é quase nunca entregar o seu maior e mais famoso herói nas mãos de qualquer um, pra fazer qualquer coisa. Afinal, é o Batman, o trauma, o medo, a sombra, a fé em um lugar melhor, a inteligência, a investigação, o preparo e a vigilância.
The Batman é totalmente diferente de tudo o que foi feito nos cinemas sobre o morcego até hoje e isso mais do que paga o ingresso, pois Matt imprimiu um arranjo ousado, de um Batman muito jovem, iniciante, com pouco preparo, mas viceral, vingativo e exímio investigador. Filmaço.
Pontos altos: Gotham, extremamente escura e suja, como melhor poderia ser retratada, pois o diretor consegue de forma magistral fazer você quase literalmente sentir que a cidade fede à corrupção, a crime e à vingança, trazendo a cada quadro a cidade sempre com tons de amarelo e vermelho se dissolvendo nas sombras. O Batmóvel é outro ponto alto que dispensa comentários, pois além da estética de muscle car que conversa total com a estética do filme, o motor não ronca, o motor rasga como a garganta de alguém cheio de vingança pra atacar o inimigo. As cenas de ação são todas excelentes, em especial a que a o morcego bate à luz das faíscas intermitentes das armas (única iluminação possível).
Pontos baixos: o diretor não tem a mesma ousadia em alguns diálogos, soluções e reviravoltas pra trama, sendo mais conservador pra entregar algo sem se arriscar. Pattison como Bruce ainda não convence, ao contrário da ótima atuação como Batman, mas segue com potencial. O filme tende a ter mais ponto baixo se o expectador cair no vício de comparar com outras adaptações do morcego, incomparáveis, pois nunca houve interpretação de Batman em ano 2, inexperiente e descobrindo suas origens, razões e preparos.
Mas, já que somos aficionados em comparações, só vejo uma perspectiva possível: Como um novo begins, esse é o melhor filme de início de um Batman já feito. E, por tudo isso, The Batman tem enorme potencial pra ser a melhor série de adaptação do morcego já produzida em cinema.
Se você viu todas as 8 temporadas de Dexter e espera ver nesse revival o que os produtores sac4nas foram incapazes de realizarem até aqui, fuja! (Já que não é possível desver nada). Mas, se você quer curtir apenas a nostalgia da série, se divertir com boas referências, easter eggs e um pouco do que poderia ser o desenvolvimento da história, assista até os 30 minutos do último episódio (não avance mais do que isso), porque os mesmos produtores estão de volta pra jogar no lixo um dos maiores potenciais de séries da história da TV. E fica tudo só no potencial mais uma vez.
Dexter é um serial killer que assinou centenas de pessoas e isso já o torna na trama o maior serial killer de todos os tempos. Só que ele é um gênio forense e não deixa rastros, até que alguém tão inteligente e serial killer quanto ele (um puta vilão conectado à origem de Dexter e criado pela dra. Vogel) o pusesse em apuros novamente com a polícia em um jogo de assassinatos, charadas e gato e rato, inocentando Doakes com álibis, reabrindo o caso Bay Harbor Butcher e causando uma mega operação do FBi que culminasse na prisão preventiva de Dexter como maior suspeito de ser o açougueiro. A partir daí, cabia uma última temporada focada no julgamento e na genialidade de Dexter e seu advogado pra livra-lo, além de explorar a opinião pública inflamada sobre o caso, colocando em cheque conceitos morais e religiosos sobre justiça e justiçamento, até que fosse provado que Dexter causou a morte de pessoas inocentes para se livrar e que isso o descredibiliza perante todos os apoiadores e Deb (que eu não teria matado) e Harisson. Ao filho de Dexter eu daria a trama similar à que foi dada em New Blood, exceto na sua decisão final. Dexter fugiria e, só após tudo isso, seria morto pela dra Vogel (que também não teria matado), que se suicidaria por remorso do que ajudou a criar e a história teria um fim. Qualquer mente minimamente criativa, em poucos instantes pensaria um desenvolvimento melhor com o personagem de Jeff Lindsay em mãos. Mas Dexter New Blood tambem não foi nada disso.
Sim, Dexter foi uma série sobre como não se fazer uma série. E agora, enfim, terminou.
o filme reúne (com muuuito fan service) 3 gerações do Aranha e emociona e diverte pra caralho meio mundo de gente, inclusive eu.
As atuações de Molina e Dafoe (que dispensa comentários sempre!), além das cenas sempre incríveis com o dr. Strange completam a base de sustentação do filme e o tornam sim um presente inevitavelmente marcante. Mas, só! (o que pra maior parte do público ja é mais do que suficiente pra colocar a produção no pedestal dos melhores).
Até que o filme comece a funcionar emotivamente e leve o público à essa catarse, ele já tem se sabotado em incoerências do tipo que faz um Mago supremo aceitar o risco de criar o caos generalizado só de olhar pra cara de cachorro-aranha pidão, a personagens revividos em tubos de ensaio, imobilizados, estranhos e apagados, bem como uma fotografia que nas melhores oportunidades se escurece bisonhamente. Adicione isso a uma trilha sonora nada marcante, montada na preguiça, e sensação de muita perda de chance de colocar mais ação e menos conversa em tela, principalmente com
os aranhas, juntos, bem enquadrados na tela, sem medo de mostrar a trindade trajada e de explorar cenas vivas e visíveis.
Com isso, No way home se perde no caminho de casa, onde, com tudo pra ser bem distante do tom insosso dos dois filmes antecessores, fica pelas esquinas da grandeza do herói.
É preciso muita disposição e saco pra assistir um casal brigando pra krlho* por mais de 2 horas. Mas respeito quem tem essa disposição e conseguiu ver beleza no filme, que até no que se propõe deixa a desejar pesando a mão estabanadamente no drama sem um plano afetivo de sustentação entre espectador, personagens e história de amor por trás de toda a briga pra que tenha pelo menos efeito emocional. Duas estrelas pela tentativa e esforço dos atores, que cumpriram muito bem a missão de não me deixar dormir gritando pra krlho*, mesmo diante de um sono pesado que esse filme dá.
Existem filmes que foram feitos pra serem vividos em uma sala de cinema, em alta resolução de som e imagem em profundidade. Exemplo nato desse tipo de filme é Dunkirk. Infelizmente, quem deixou pra assisti-lo como se assiste qualquer drama emotivo de guerra em um quarto ou sofá, jamais será seduzido à mesma imersividade e potência dos efeitos, a não ser que possua uma sala de cinema à altura. Dunkirk é pura técnica, direção de câmera das mais absurdas, que te coloca a bordo de caças parafusando os céus franceses com trilhas e planos em primeira pessoa de tirar o fôlego e com uma fotografia exuberante. A mixagem de som e a trilha sonora em relógio tiquetaqueando ao fundo incessantemente ditam o ritmo da agonia, principalmente na parte em que você é um dos náufragos submersos sem ar tentando tornar à superfície. Filme sensacional no que se propõe e com certeza será visto como um clássico de seu tempo.
Como filme solo, talvez o melhor desde "O Império Contra-Ataca". Como filme que fecha uma saga, há controvérsias e pontos fracos maximizados pelos chatos fanboys. A trilogia enfim tem suas principais pontas amarradas e um desfecho romântico ao tom de Star Wars enquanto obra infantil, nada compromissada com genialidades e deuses ex machina. Mas pra quem leva a coisa muito mais a sério, o filme é um puta balde de água fria.
Dele & Dela
3.5 134 Assista AgoraMinissérie enlatada Netflix, mas que funciona bem, entrega passatempo e prende bem a atenção até o final. Apesar de ter sacado o plot no quarto episódio, conduz bem sem entregar na cara ao longo da narrativa. Mas esse plot, no fim das contas, só mostra que, como série enlatada, os autores se preocuparam mais em chocar em um tom novelesco do que ter compromisso com qualquer realidade e moralidade.
Apresentar a serial killer ao som de uma trilha heróica e com sorriso de admiração da filha foi o máximo. Kkkkkk Um felizes para sempre que colaria se o gênero da série fosse trash. Créditos para os estupradores da história que a veia ignorou total. Seria a amnésia real? Hahahah
Pluribus (1ª Temporada)
4.0 335 Assista AgoraFim do Ep05 e ainda não é hora pra se emocionar, mas pq*p: Vince não entra em nada pra ser medíocre mesmo e não poderia haver casamento mais perfeito do que essa sua destreza pra dirigir séries com o gênero de suspense, mistério e teorizações num background distópico e sci-fi, totalmente fora da caixa dos seus dois sucessos anteriores e do que temos no portfólio dos streams atuais. Onde isso vai dar, não sabemos, só que será um striptease episódio a episódio de revelações e mais teorias.
Pluribus (1ª Temporada)
4.0 335 Assista AgoraEP03 divisor de águas; põe na mesa com clareza e um copo de vodka os dilemas que a série de fato vai explorar e todo o potencial disso nesse que parece uma grande distopia “blackmirror”. Sensacional! Conhecendo o modo do Vince, a série tem tudo pra deitar e rolar a conta gotas de agonia e deleite técnico nesse ying yang de reflexões éticas sobre felicidade x desolação, alegria x luto, individualidade x coletividade, certo x errado, ponto de vista x vista de ponto, homem social x mecânico, herói x vilão, realidade x matrix. E se tudo for um Show de Truman ou um experimento ou uma terapia futurista de cura da tristeza da alma de Carol? Pouco importa frente ao que esse enredo pode render de reflexão necessária aos nossos tempos.
Ruptura (2ª Temporada)
4.1 346 Assista AgoraTecnicamente e filosoficamente, a melhor série da atualidade! Mais uma temporada de altíssimo nível, que fecha com poesia e maestria (por enquanto) o loop de mistérios iniciados na primeira temporada, premiando com todas as respostas necessárias em um final apoteótico a todos os que deglutiram lentamente e pacientemente cada episódio.
Não é à toa que Ruptura tem gerado tanto hype! É aclamada porque tem profundidade, é suco de arte, com filosofia, mitologia e psicologia, todas diluídas em cada frame e em camadas. Além de refletir sobre existência e egos, a série se aprofunda no campo da moral e sentimentos, unindo o high-tech ao anacrônico, não só em objetos, mas também nos comportementos, traumas e erros do passado que coexistem com o presente e que minam o futuro, numa luta de classes para serem desfeitos ou refeitos.
Assusta e é sintomático que um número considerável de espectadores se incomode com o ritmo e exija que tudo seja tão rápido, como se tudo o que não é resposta não desperte interesse.
Assusta porque o barato está no deleite dos detalhes técnicos que cada episódio entrega, nos enquadramentos de câmeras, nas referências de outras obras, no uso das cores, luzes e sombras, símbolos, objetos, reflexões e subtextos pra todo lado sem abrir mão de seguir desenvolvendo os porquês de cada personagem e a história, mesmo que em colcha de retalhos desordenados (destaque para o brilhante episódio 07 - Chikhai Bardo).
Sintomático porque ignorar tanto detalhe e se ater tanto à solução imediata da trama principal reflete a triste liquidez e vício por velocidade dessa era. Felizmente os produtores demonstram não ter compromisso com esse público sedento por respostas rápidas e incapaz de explorar as respostas em conta gotas de cada episódio. Em Severance, nada é superficial e quem busca superfície, nada e se cansa.
Alerta vermelho: a segunda temporada fecha um ciclo de perguntas sobre os principais mistérios da trama, tanto que poderia facilmente (com adição de mais alguns minutos) ser já o desfecho da série. Curioso em saber como vão conseguir dar continuidade mantendo a mesma qualidade, com novos fios condutores de mais mistérios, a mesma máquina de gerar teorias de conspiração, sem prejudicar o interesse de quem assiste e a coerência e o final que será dado a cada personagem. Tem muitas possibilidades de explorar o universo, mas exceto pela carta “na verdade, a verdade sobre tudo é outra”, será digna de aplausos e prêmios se de fato houver capacidade conciliar a necessidade comercial da Apple, tendo que conversar com todos os públicos, inclusive com um público cada vez mais digital e sedento por epics novelescos, com a profundidade técnica e filosófica da trama.
A ver.
Anora
3.4 1,1K Assista AgoraInsosso, esquecível, raso, preguiçoso e contra-cinema: um delírio político de uma academia tomada por doentes. Uma estrela para a protagonista que até que se esforçou nos gritos, no russienglish, palavrões e choros. Dos créditos para o mar do esquecimento.
Ruptura (2ª Temporada)
4.1 346 Assista AgoraEpisódio 07: obra prima com cadeira cativa no rol de produções mais primorosas em séries de tv. Que série maravilhosa!!!!!
Pinguim
4.4 293 Assista AgoraMelhor do gênero desde Breaking Bad (sim! Pinguim definitivamente não é sobre e apenas para fãs do Morcego e seu universo). É sobre megalomania, amor, perda, dor, crime e psicopatia. E tudo isso retratado no design, roteiro e produção impecáveis e em atuações de gala de Farrel e Millioti.
Final um pouco apressado e conveniente, com alguns fatos que poderiam ser melhor executados pra ganharem ainda mais impacto como nos brilhantes 6 primeiros episódios, mas nada que comprometa o marco que foi essa grata surpresa. Que venham as premiações.
Normal People
4.4 468Meia estrela pelo primeiro episódio. Todo o resto é perda de tempo. Trama mais anêmica, sem pé, sem cabeça e paumole que existe.
A Baleia
4.0 1,2K Assista AgoraTecnicamente excelente. Oscar coerente e merecido ao Fraser e à maquiagem. Aliás, a produção, roteiro e direção fazem jus a uma primeira prateleira de cinema, tamanha a qualidade e uso de símbolos e retratos, mas não ironicamente foram desdenhadas.
As temáticas depressão, luto, obesidade, homossexualidade, preconceito, vergonha, desprezo, fundamentalismo religioso e consequências das decisões humanas, são pintadas de forma visceral e o roteiro acaba por se enforcar no próprio cordão que tece e sendo auto sabotado pelo que mais pretendeu chamar a atenção dentre os temas: as consequências nefastas de pré-conceitos.
Há preconceito e generalização de obesidade e religião até o fim, o que tornou a obra alvo de críticas de ‘ativistas gordos’ e a reduzi-la a um grande desserviço, justificando esse amargo lugar de não lembrada tanto quanto poderia ter sido.
Oppenheimer
4.0 1,2KObra prima, suco de cinema em mais alto nível. Nolan, definitivamente, finca seu nome e técnica na história com o que, pra mim, é sua melhor produção desde O Cavaleiro das Trevas e até a supera em certos aspectos. Merecidas as premiações e faz jus ao hype por todo o conjunto, elenco, atuações, direção e som. Oppenheimer é prova de que a sétima arte pra ser primorosa, não precisa necessariamente de ação ou enfoque no apelo visual, ou suspense, mas em como ser capaz de desenvolver narrativas e manipular os sentidos do espectador pra contar uma história e mantê-lo atento a cada ponto. E falando em sentidos, o auditivo é protagonista de exploração em Oppenheimer pela brilhante trilha de Göransson que tira o fôlego e cria a aura de que algo grandioso e decisivo está acontecendo a todo momento, a cada nova cena. E de fato o é. “Quando vim até você com esses cálculos, pensamos que poderíamos iniciar uma reação em cadeia que destruiria o mundo inteiro... Acredito que conseguimos.”
A Sete Palmos (5ª Temporada)
4.8 501 Assista AgoraNunca fui tão tapeado por avaliações do Filmow. Um rating 4,8 pra uma verdadeira contra-produção novelesca. Uma grande aula do que não fazer com finais de personagens, uma season finale canastrona. Todos os personagens, com exceção de David e Brenda, regrediram ou receberam um final desconexo, incoerente, incompleto e sem a lição do que de fato importava. Fora os personagens secundários que sequer final tiveram.
Fica o alerta pra quem tá entediado lá na season 3 pensando se vale a pena continuar… Se a expectativa for no tom do final da season 2 e início da season 3 esquece. Mas se a expectativa for novelesca siga em frente.
Razões com spoiler:
transformar o personagem principal depois de toda uma lição de amor com Lisa em um vilão fdp e traidor e matá-lo no ápice do egoismo por pura necessidade de dar ponto alto emotivo à série; dar liberdade à Claire pra torrar sua herança em uma cidade grande sozinha sem ter aprendido nada sobre inteligência emocional e responsabilidade; Tornar a melhor personagem (Ruth) a mais insuportável e egoista gratuita com George e modificar isso duzentas vezes aleatoriamente e depois reforçar que ela nasceu pra ser triste e amargurada por tudo que sempre dá errado; Criar toda uma situação coerente de amor verdadeiro, trauma e bloqueio pós traição entre Vanessa e Rico e riscar isso do mapa pra ficar tudo resolvido com novos investimentos e dinheiro; por fim desperdiçar a chance de dar um fim de vida coerente a cada personagem com o que cada um aprendeu e faz aprender com sua história completa de vida a mostrar como cada um pateticamente fechou os olhos pela última vez. Créditos: envelhecimento bizarro de uns personagens e outros não. Nota: dó.
John Wick: De Volta ao Jogo
3.8 1,8K Assista AgoraFilme pastelão de ação mas muuuito da ruim. Não tem um tom, não se decide o que quer ser, não tem compromisso com nada, sequer entrega violência gratuita coreografada com qualidade ou uma comédia pelo exagero. Inexplicável esse hype. Qualquer filme de ação de Bollywood é mais divertido ou empolgante do que isso.
Cidade dos Sonhos
4.1 1,8K Assista AgoraTrama muito bem costurada, atuações gigantes e plot muito bom, bem sacado. Mas o diretor se autosabota por querer fazer o roteiro e filme ser muito maior do que de fato é. ou deveria ser. Peca pelo excesso e perdeu grande de chance de emplacar um clássico premiado.
Contra o Tempo
3.8 2,0K Assista AgoraUma ótima ideia, com potencial pra gestar um filme tão bom ou tão profundo quanto um Interestellar, mas que entrega um produto pessimamente executado, com um único compromisso de ser um filme raso, de sessão da tarde, do início ao fim. Elenco excelente, mas o roteiro é tão preguiçoso em não desenvolver personagens e motivações que nem Marryl Streep ou di Caprio seriam capazes de entregar uma atuação convincente. Funciona pra quem
espera uma história de um herói que volta no tempo pra salvar vidas e se salvar apaixonado por uma desconhecida sem se questionar por quê e cientificamente como.
Avatar: O Caminho da Água
3.9 1,4K Assista AgoraAvatar 2 não decepciona em nada a sua principal promessa e objetivo: a de ser uma experiência e um espetáculo visual feito especialmente pra uma sala de cinema 3D IMAX. Quem puder, não deixe de ir conferir, porque isso não funciona no sofá de casa e ainda não se vê em um parque de diversões ou outra franquia de filme até hoje.
Tecnicamente, Avatar mais uma vez dispensa apresentações e qualquer coisa que seja falada sobre sua técnica será redundante. A produção conseguiu evoluir ainda mais os detalhes e a ousadia na tecnologia a frente de seu tempo utilizada em cada cena. Deslumbre impecável, que pra mim garantem o selo 5 estrelas.
Mas existe um detalhe cobrado por quem espera mais do que visual: Avatar passar a ser vendido como uma longa franquia, como se tivesse história, pontas soltas, reviravoltas e roteiro suficiente pra sustentar 4 filmes de 3 horas de duração, e não tem. O enredo em Avatar 2 é ainda mais simplório e superficial, sem aprofundamento de personagens, sem reviravoltas ou criação de ganchos para mais 6 horas de história. Aliás, grande parte do tempo de Avatar 2 é tomado mesmo por cenas sem fala, feitas como presente pra quem pagou pra ir a um parque de diversões visual e só. A grandeza técnica dessa produção merecia um enredo mais atrativo e com maior profundidade e com isso facilmente se despontaria como um “Star Wars” de seu tempo. Infelizmente, Avatar 2 reforça a mensagem de que essa é uma franquia de exploração da capacidade da tecnologia no cinema e de apresentação de um banquete visual a um público sedento por pura diversão e nada mais. Para esse fim, Avatar segue sendo o maior de todos os tempos. Se Cameron dará uma guinada e enfim colocará tempero e enredo na história nos dois próximos filmes, pagaremos, com certeza, novamente pra ver.
1899 (1ª Temporada)
3.6 396 Assista AgoraMissão espinhosa a que deram a Baran Bo Odar: realizar, à sombra da obra-prima precursora, uma nova ficção tão instigante e puzzle quanto, mas que, agora, fosse também comercial. Em outras palavras: sacie a sede dos órfãos de Dark sem decepcioná-los e além disso seja atrativo e digerível a todos os demais públicos. Afinal, e$$e é o destination que mais interessa no fim das contas. Esse parece ter sido o mote arquitetônico de 1899 pra a Netflix.
Como esperado, o roteiro serve um banquete de mistério, suspense e enigmas a gosto do freguês. Esse não poderia ser um problema a quem já provou que domina bem essa arte e a repete muito bem novamente.
O problema em 1899 é o excesso. O roteiro, viciado por esse afã de ser inteligente e vendável, busca a todo momento entregar mais enigmas do que a história precisa e respostas o mais rápido possível, apresentando a charada e imediatamente a solução, como quem diz ao espectador: ei, aqui está a maior resposta que você precisa, eu não vou te cozinhar, agora não desiste e fique comigo para mais recompensas rápidas e secundárias. Com isso, a série é mais rápida do que deveria ser e deixa de explorar melhor seus personagens e quebra-cabeças tomando atalhos e encurtando os caminhos.
A principal amostra disso já chega ao final do 3° episódio, onde a série entrega o que, pra mim, é o principal plot twist dessa season 1:
sim, sou uma série sci-fi, futurista, de prováveis (neuro)cientistas experimentando a mente humana ou se utilizando de pessoas em uma matrix a Big Brother para um projeto maior, aos moldes de Westworld, Ruptura, Matrix ou Incception. Agora, por ora, resta apenas saber quem é o criador/arquiteto das realidades e o que ele deseja de fato com isso…
Felizmente, o final entrega, no apagar das luzes, uma boa surpresa que abre os horizontes para o que virá, e isso mantém o enredo bastante promissor.
Ruptura (1ª Temporada)
4.5 870 Assista AgoraSe essa produção estivesse em uma plataforma de maior popularidade como Netflix ou Amazon, certamente estaria no centro da aclamação do mundo das séries como se tornou Lost ao trabalhar com um mistério instigante e pessoalizado como fio condutor de trama ou Black Mirror ao satirizar e jogar na real as mazelas do mundo tecnológico e moderno.
Esse show me obriga a dizer que desde Dark não éramos presentados com um universo e trama tão geniais e disruptivos, agora com o 'mundo do trabalho vs vida pessoal em um futuro distópico' como ambientação.
Baseada no mito da caverna de Platão, assim como em Matrix e na contemporânea Westworld, Severance, ou Ruptura, explode cabeças num thriller que reúne sci-fi, suspense e comédia, jogando tudo no liquidificador e produzindo um extrato cristalino e perfeitamente digerível da nossa vida real contemporânea, dos dilemas sociais modernos, dos limites morais e éticos da tecnologia, da luta e dominação de classes, do universo corporativo de disputa e insalubre, da rotina que reduz e consome o ser, da demanda por desempenhar os papeis de profissional, esposo(a), pai/mãe, filho, amigo(a) e de como se comportar e ser um eu em cada papel. O mais barato dessa série é que ela é capaz de atender a todos os públicos, sem se tornar hermética, "metida" ou "elitista" a ponto de restringir o publico como Dark ou Westworld (essa mais ainda). A série funciona ao público que só quer se ater mesmo à superfície da história sem se cansar e que já estará super atendido com uma entrega de enredo e reflexões incríveis, até ao publico que vai levar muito a sério toda a riqueza de detalhes e prismas que a série apresenta em camadas, desde os conceitos visuais, psicologia das cores e enquadramento de câmera propositalmente desconfortáveis, cenários, figurinos, subtextos, hierarquias, trilha sonora excelente que reforça a ideia de repetição e rotina, até a conceitos e dilemas filosóficos, psicossociais, religiosos, morais, éticos, econômicos, aplicados ao ambiente de trabalho e à vida fora dele, além de muito mistério. Para esse segundo público, a dica é: prepara o flipchart, uma parede limpa, postit e pincel, que tem muito ponto pra ligar e puzzle pra montar de teoria sobre a trama.
Em Ruptura, absolutamente tudo o que é apresentado se conversa, se conecta e é desenvolvido de forma que pode soar lenta, mas muito orgânica, em camadas e em conta gotas, na medida certa. O ambiente de trabalho futurístico tecnológico da Lumon contrasta com alguns elementos do passado, como os monitores de tubo 8bits, números na tela, quadros com pinturas de estilo clássico, paleta de cores retrô, reforçando a sensação de que, apesar de ultra-moderna em tecnologia, a empresa se utiliza de métodos e políticas arcaicas, o que comicamente é o presente do nosso mundo corporativo da vida real em grande parte das organizações. Na Lumon, temos setores que não se conversam, funcionários que não conhecem o proposito do que fazem, assédio moral, concorrência tóxica, níveis e andares da empresa em que as camadas mais baixas jamais tomam conhecimento de suas decisões e reais propósitos e que aparentemente são marionetes ou cobaias de um plano de dominação, tradição, política e poder que parece existir na alta cúpula. Os personagens também representam bem a ideia do desconforto e de seguir uma rotina programada, até na forma engessada de andar, nas roupas apertadas, são devidamente trabalhados pra não só serem estudos de caso, mas para gerarem empatia, carisma e assim conduzirem o espectador às descobertas e ao plano de libertação ou entendimento do que acontece por fora da caverna e que se reflete dentro. A série sacia e muito bem o espectador na sua segunda metade, entregando uma trama frenética, agonizante, subversiva e com várias faces e possibilidades de enxergar as alegorias e metáforas apresentadas. Há ainda muitas sombras a serem reveladas e isso é ainda mais instigador. Nota 10 de 10, no hype alto e já favoritada! Genial!
Batman
4.0 1,9K Assista AgoraUm dos grandes trunfos da DC é quase nunca entregar o seu maior e mais famoso herói nas mãos de qualquer um, pra fazer qualquer coisa. Afinal, é o Batman, o trauma, o medo, a sombra, a fé em um lugar melhor, a inteligência, a investigação, o preparo e a vigilância.
The Batman é totalmente diferente de tudo o que foi feito nos cinemas sobre o morcego até hoje e isso mais do que paga o ingresso, pois Matt imprimiu um arranjo ousado, de um Batman muito jovem, iniciante, com pouco preparo, mas viceral, vingativo e exímio investigador. Filmaço.
Pontos altos: Gotham, extremamente escura e suja, como melhor poderia ser retratada, pois o diretor consegue de forma magistral fazer você quase literalmente sentir que a cidade fede à corrupção, a crime e à vingança, trazendo a cada quadro a cidade sempre com tons de amarelo e vermelho se dissolvendo nas sombras. O Batmóvel é outro ponto alto que dispensa comentários, pois além da estética de muscle car que conversa total com a estética do filme, o motor não ronca, o motor rasga como a garganta de alguém cheio de vingança pra atacar o inimigo. As cenas de ação são todas excelentes, em especial a que a o morcego bate à luz das faíscas intermitentes das armas (única iluminação possível).
Pontos baixos: o diretor não tem a mesma ousadia em alguns diálogos, soluções e reviravoltas pra trama, sendo mais conservador pra entregar algo sem se arriscar. Pattison como Bruce ainda não convence, ao contrário da ótima atuação como Batman, mas segue com potencial. O filme tende a ter mais ponto baixo se o expectador cair no vício de comparar com outras adaptações do morcego, incomparáveis, pois nunca houve interpretação de Batman em ano 2, inexperiente e descobrindo suas origens, razões e preparos.
Mas, já que somos aficionados em comparações, só vejo uma perspectiva possível: Como um novo begins, esse é o melhor filme de início de um Batman já feito. E, por tudo isso, The Batman tem enorme potencial pra ser a melhor série de adaptação do morcego já produzida em cinema.
Dexter: Sangue Novo
3.7 419Se você viu todas as 8 temporadas de Dexter e espera ver nesse revival o que os produtores sac4nas foram incapazes de realizarem até aqui, fuja! (Já que não é possível desver nada). Mas, se você quer curtir apenas a nostalgia da série, se divertir com boas referências, easter eggs e um pouco do que poderia ser o desenvolvimento da história, assista até os 30 minutos do último episódio (não avance mais do que isso), porque os mesmos produtores estão de volta pra jogar no lixo um dos maiores potenciais de séries da história da TV. E fica tudo só no potencial mais uma vez.
E olha quanto potencial perdido:
Dexter é um serial killer que assinou centenas de pessoas e isso já o torna na trama o maior serial killer de todos os tempos. Só que ele é um gênio forense e não deixa rastros, até que alguém tão inteligente e serial killer quanto ele (um puta vilão conectado à origem de Dexter e criado pela dra. Vogel) o pusesse em apuros novamente com a polícia em um jogo de assassinatos, charadas e gato e rato, inocentando Doakes com álibis, reabrindo o caso Bay Harbor Butcher e causando uma mega operação do FBi que culminasse na prisão preventiva de Dexter como maior suspeito de ser o açougueiro. A partir daí, cabia uma última temporada focada no julgamento e na genialidade de Dexter e seu advogado pra livra-lo, além de explorar a opinião pública inflamada sobre o caso, colocando em cheque conceitos morais e religiosos sobre justiça e justiçamento, até que fosse provado que Dexter causou a morte de pessoas inocentes para se livrar e que isso o descredibiliza perante todos os apoiadores e Deb (que eu não teria matado) e Harisson. Ao filho de Dexter eu daria a trama similar à que foi dada em New Blood, exceto na sua decisão final. Dexter fugiria e, só após tudo isso, seria morto pela dra Vogel (que também não teria matado), que se suicidaria por remorso do que ajudou a criar e a história teria um fim. Qualquer mente minimamente criativa, em poucos instantes pensaria um desenvolvimento melhor com o personagem de Jeff Lindsay em mãos. Mas Dexter New Blood tambem não foi nada disso.
Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa
4.2 1,8K Assista AgoraNão dá pra dar 5 estrelas só porque
o filme reúne (com muuuito fan service) 3 gerações do Aranha e emociona e diverte pra caralho meio mundo de gente, inclusive eu.
Até que o filme comece a funcionar emotivamente e leve o público à essa catarse, ele já tem se sabotado em incoerências do tipo que faz um Mago supremo aceitar o risco de criar o caos generalizado só de olhar pra cara de cachorro-aranha pidão, a personagens revividos em tubos de ensaio, imobilizados, estranhos e apagados, bem como uma fotografia que nas melhores oportunidades se escurece bisonhamente. Adicione isso a uma trilha sonora nada marcante, montada na preguiça, e sensação de muita perda de chance de colocar mais ação e menos conversa em tela, principalmente com
os aranhas, juntos, bem enquadrados na tela, sem medo de mostrar a trindade trajada e de explorar cenas vivas e visíveis.
Upgrade: Atualização
3.7 710 Assista AgoraFilmaço. Mas que aparentemente deixa um grande furo no roteiro:
Se o principal objetivo da IA era assumir o corpo do cara, não faz muito sentido ele demorar tanto pra assumir o controle total.
Mas nada que tire a qualidade do filme.
História de um Casamento
4.0 1,9K Assista AgoraÉ preciso muita disposição e saco pra assistir um casal brigando pra krlho* por mais de 2 horas. Mas respeito quem tem essa disposição e conseguiu ver beleza no filme, que até no que se propõe deixa a desejar pesando a mão estabanadamente no drama sem um plano afetivo de sustentação entre espectador, personagens e história de amor por trás de toda a briga pra que tenha pelo menos efeito emocional. Duas estrelas pela tentativa e esforço dos atores, que cumpriram muito bem a missão de não me deixar dormir gritando pra krlho*, mesmo diante de um sono pesado que esse filme dá.
Dunkirk
3.8 2,0K Assista AgoraExistem filmes que foram feitos pra serem vividos em uma sala de cinema, em alta resolução de som e imagem em profundidade. Exemplo nato desse tipo de filme é Dunkirk. Infelizmente, quem deixou pra assisti-lo como se assiste qualquer drama emotivo de guerra em um quarto ou sofá, jamais será seduzido à mesma imersividade e potência dos efeitos, a não ser que possua uma sala de cinema à altura. Dunkirk é pura técnica, direção de câmera das mais absurdas, que te coloca a bordo de caças parafusando os céus franceses com trilhas e planos em primeira pessoa de tirar o fôlego e com uma fotografia exuberante. A mixagem de som e a trilha sonora em relógio tiquetaqueando ao fundo incessantemente ditam o ritmo da agonia, principalmente na parte em que você é um dos náufragos submersos sem ar tentando tornar à superfície. Filme sensacional no que se propõe e com certeza será visto como um clássico de seu tempo.
Star Wars, Episódio IX: A Ascensão Skywalker
3.1 1,3K Assista AgoraComo filme solo, talvez o melhor desde "O Império Contra-Ataca". Como filme que fecha uma saga, há controvérsias e pontos fracos maximizados pelos chatos fanboys. A trilogia enfim tem suas principais pontas amarradas e um desfecho romântico ao tom de Star Wars enquanto obra infantil, nada compromissada com genialidades e deuses ex machina. Mas pra quem leva a coisa muito mais a sério, o filme é um puta balde de água fria.