Ryan Coogler tira o horror do armário branco da história e o veste com linho suado e chapéu de aba larga. Porque aqui, os vampiros não têm sotaque britânico nem castelo na Transilvânia. O filme pega esse racismo estrutural que nos rodeia e o transforma em pesadelo literal: um bando de sugadores de sangue sem alma.
A trilha sonora não acompanha o filme, ela o atravessa. A música é faca e oração. Tem algo de festa em combustão aqui: corpos negros tentando amar, crer, resistir - mesmo quando o mundo (ou os mortos) dizem não.
E tem sensualidade, sim. E fé, e dor, e suor. E todos os atravessamentos que compreender a história do mundo nos faz sacar.
Coogler faz do terror um espelho político. Pq a gente sabe que o horror real nunca foi fantasia.
“Homem com H” é um retrato afetuoso e visualmente interessante de Ney Matogrosso, mas nem por isso deixa de parecer, em muitos momentos, superficial. O filme acerta ao não tentar rotular um artista que sempre fugiu de rótulos - há uma liberdade cênica que combina com a figura que retrata. Mas, talvez por reverência demais, a obra evita o mergulho mais fundo.
É bom? Sim, claro, há trechos potentes, imagens belas e o próprio Jesuíta em cena carrega magnetismo suficiente para manter o interesse. Mas também há uma certa sensação de “passar por cima”, de tocar em temas importantes sem realmente desenvolvê-los. O espectador sai do cinema encantado com a figura, mas sentindo que viu mais um mosaico que um retrato.
No fim, Homem com H vale pelo encontro com a performance Ney de ser. O Ney em perfomance é o Ney sendo. E isso é lindo também.
Porém, prestenção, galerinha: esse filme não está voltado para grandes acontecimentos românticos explodindo em sua tela! e que bom! Ele acontece nas entrelinhas, no sutil e nos olhares. Algo que vai na contramão dos acontecimentos instantâneos atuais. Desde quando o amor acontece da maneira que retratam por aí? os dramas e romances passados são muito fechados em acontecimentos específicos de a para o b. Este filme, não. Você consegue preencher as lacunas com sua própria subjetividade, levar para si e pensar em suas próprias experiências. Refletir sobre o tal do passado -> presente -> futuro e as marcas que pessoas deixam em nós com aquele tempero dos "e se?" constantes.
Filme muito delicado no uso de certas mensagens que ecoam em diversas camadas culturais e até espirituais. Não inova no roteiro, cai nas mesmas estratégias de resolução de problemas. Porém, vale muito a experiência estética e sensível que esse filme traz. Chorei por todas as abuelitas juntas.
Durante esse filme tive momentos profundos de tédio, empatia, antipatia pelo protagonista e a sensação de que comi algo com algum tempero muito exagerado. Porém, não descarto a beleza da produção e a tentativa de fazer algo poético. Terminei o filme com a impressão de que nada aconteceu aos personagens apenas às imagens.
Esse filme faz exatamente o que se propôs a fazer: contar uma história através da imagem. Ao tratar sobre o conceito de beleza e sobre um olhar apenas para o exterior, não parece ir muito além disso. E eu achei isso fantástico.
A comunicação como uma arma contra o desamor e o desentendimento. E, repetindo-se a história, como o ser humano é incapaz de compreender tão magnifíco poder.
Fui com tanta sede ao pote que me decepcionei fortemente com esse filme. Notei que todos os artifícios usados no primeiro filme de maneira sutil e criativa (cores, enquadramentos, etc) apareceram em demasia nesse! O que deixou a experiência - para mim - cansativa e previsível. Basicamente um filme que tenta te impressionar via fotografia de maneira exaustiva. Não é um filme digno de apreciar o roteiro.
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraPecadores não é um filme: é um feitiço.
Ryan Coogler tira o horror do armário branco da história e o veste com linho suado e chapéu de aba larga. Porque aqui, os vampiros não têm sotaque britânico nem castelo na Transilvânia. O filme pega esse racismo estrutural que nos rodeia e o transforma em pesadelo literal: um bando de sugadores de sangue sem alma.
A trilha sonora não acompanha o filme, ela o atravessa. A música é faca e oração.
Tem algo de festa em combustão aqui: corpos negros tentando amar, crer, resistir - mesmo quando o mundo (ou os mortos) dizem não.
E tem sensualidade, sim. E fé, e dor, e suor. E todos os atravessamentos que compreender a história do mundo nos faz sacar.
Coogler faz do terror um espelho político. Pq a gente sabe que o horror real nunca foi fantasia.
Filme recomendadíssimo. É pra ver e pensar.
Homem com H
4.2 519 Assista Agora“Homem com H” é um retrato afetuoso e visualmente interessante de Ney Matogrosso, mas nem por isso deixa de parecer, em muitos momentos, superficial. O filme acerta ao não tentar rotular um artista que sempre fugiu de rótulos - há uma liberdade cênica que combina com a figura que retrata. Mas, talvez por reverência demais, a obra evita o mergulho mais fundo.
É bom? Sim, claro, há trechos potentes, imagens belas e o próprio Jesuíta em cena carrega magnetismo suficiente para manter o interesse. Mas também há uma certa sensação de “passar por cima”, de tocar em temas importantes sem realmente desenvolvê-los. O espectador sai do cinema encantado com a figura, mas sentindo que viu mais um mosaico que um retrato.
No fim, Homem com H vale pelo encontro com a performance Ney de ser. O Ney em perfomance é o Ney sendo. E isso é lindo também.
Vidas Passadas
4.1 939 Assista AgoraA24 não desapontando neste.
Porém, prestenção, galerinha: esse filme não está voltado para grandes acontecimentos românticos explodindo em sua tela! e que bom! Ele acontece nas entrelinhas, no sutil e nos olhares. Algo que vai na contramão dos acontecimentos instantâneos atuais. Desde quando o amor acontece da maneira que retratam por aí? os dramas e romances passados são muito fechados em acontecimentos específicos de a para o b. Este filme, não. Você consegue preencher as lacunas com sua própria subjetividade, levar para si e pensar em suas próprias experiências. Refletir sobre o tal do passado -> presente -> futuro e as marcas que pessoas deixam em nós com aquele tempero dos "e se?" constantes.
Vale sim assistir atentamente.
Viva: A Vida é Uma Festa
4.5 2,6K Assista AgoraFilme muito delicado no uso de certas mensagens que ecoam em diversas camadas culturais e até espirituais.
Não inova no roteiro, cai nas mesmas estratégias de resolução de problemas. Porém, vale muito a experiência estética e sensível que esse filme traz. Chorei por todas as abuelitas juntas.
Me Chame Pelo Seu Nome
4.1 2,6KDiria que dos filmes da lista do Oscar que vi até então é o único que chamo de 'Filmão da porra no pêssego'.
Trama Fantasma
3.7 816 Assista AgoraDurante esse filme tive momentos profundos de tédio, empatia, antipatia pelo protagonista e a sensação de que comi algo com algum tempero muito exagerado. Porém, não descarto a beleza da produção e a tentativa de fazer algo poético.
Terminei o filme com a impressão de que nada aconteceu aos personagens apenas às imagens.
Demônio de Neon
3.2 1,2KEsse filme faz exatamente o que se propôs a fazer: contar uma história através da imagem.
Ao tratar sobre o conceito de beleza e sobre um olhar apenas para o exterior, não parece ir muito além disso. E eu achei isso fantástico.
A Chegada
4.2 3,5K Assista AgoraA comunicação como uma arma contra o desamor e o desentendimento.
E, repetindo-se a história, como o ser humano é incapaz de compreender tão magnifíco poder.
Moonlight: Sob a Luz do Luar
4.1 2,4KUm filme feito de silêncios.
Sin City: A Dama Fatal
3.4 975 Assista AgoraFui com tanta sede ao pote que me decepcionei fortemente com esse filme.
Notei que todos os artifícios usados no primeiro filme de maneira sutil e criativa (cores, enquadramentos, etc) apareceram em demasia nesse! O que deixou a experiência - para mim - cansativa e previsível.
Basicamente um filme que tenta te impressionar via fotografia de maneira exaustiva. Não é um filme digno de apreciar o roteiro.
O Tempo e o Vento
3.6 456 Assista AgoraUma baita ousadia tentar resumir livros tão ricos em apenas 115 minutos.