Últimas opiniões enviadas
“Homem com H” é um retrato afetuoso e visualmente interessante de Ney Matogrosso, mas nem por isso deixa de parecer, em muitos momentos, superficial. O filme acerta ao não tentar rotular um artista que sempre fugiu de rótulos - há uma liberdade cênica que combina com a figura que retrata. Mas, talvez por reverência demais, a obra evita o mergulho mais fundo.
É bom? Sim, claro, há trechos potentes, imagens belas e o próprio Jesuíta em cena carrega magnetismo suficiente para manter o interesse. Mas também há uma certa sensação de “passar por cima”, de tocar em temas importantes sem realmente desenvolvê-los. O espectador sai do cinema encantado com a figura, mas sentindo que viu mais um mosaico que um retrato.
No fim, Homem com H vale pelo encontro com a performance Ney de ser. O Ney em perfomance é o Ney sendo. E isso é lindo também.
A24 não desapontando neste.
Porém, prestenção, galerinha: esse filme não está voltado para grandes acontecimentos românticos explodindo em sua tela! e que bom! Ele acontece nas entrelinhas, no sutil e nos olhares. Algo que vai na contramão dos acontecimentos instantâneos atuais. Desde quando o amor acontece da maneira que retratam por aí? os dramas e romances passados são muito fechados em acontecimentos específicos de a para o b. Este filme, não. Você consegue preencher as lacunas com sua própria subjetividade, levar para si e pensar em suas próprias experiências. Refletir sobre o tal do passado -> presente -> futuro e as marcas que pessoas deixam em nós com aquele tempero dos "e se?" constantes.
Vale sim assistir atentamente.
Últimos recados
¯\_(ツ)_/¯
Claro que sim, enviei! Bom filme pra você (= <3
Esse aqui, se passa em Glasgow
https://filmow.com/o-lixo-e-o-sonho-t15905/
Pecadores não é um filme: é um feitiço.
Ryan Coogler tira o horror do armário branco da história e o veste com linho suado e chapéu de aba larga. Porque aqui, os vampiros não têm sotaque britânico nem castelo na Transilvânia. O filme pega esse racismo estrutural que nos rodeia e o transforma em pesadelo literal: um bando de sugadores de sangue sem alma.
A trilha sonora não acompanha o filme, ela o atravessa. A música é faca e oração.
Tem algo de festa em combustão aqui: corpos negros tentando amar, crer, resistir - mesmo quando o mundo (ou os mortos) dizem não.
E tem sensualidade, sim. E fé, e dor, e suor. E todos os atravessamentos que compreender a história do mundo nos faz sacar.
Coogler faz do terror um espelho político. Pq a gente sabe que o horror real nunca foi fantasia.
Filme recomendadíssimo. É pra ver e pensar.