O trabalho de câmera com as panorâmicas misturadas com sutis travellings, que se perdem no ambiente quase que como um devaneio é poética e altamente imersiva, já que não apenas transforma o ambiente num personagem como simboliza a nossa figura dentro do filme, virando o pescoço e contemplando o que há ao redor, sempre de forma calma, sem que a gente perceba, guiando nossos sentidos dentro do filme. A direção também faz um trabalho impressionante ao nos contar o que está acontecendo de maneira quase sempre visual, não nos subestima e torna a experiência algo puramente cinematográfico. Mas também não podemos nos esquecer do plano sequência no clímax do filme, plano esse que é disparado um dos melhores da história da sétima arte, com a câmera se movimentando lentamente, junto do ritmo com que a situação se desenrola, alternando como no filme todo entre panorâmica e travelling, com o segundo dessa vez mais acentuado que o primeiro, além disso Antanioni mantém sempre os personagens enquadrados entre as barras da janela e movimenta a câmera na mesma direção que eles, o que não só é um feito impressionante como torna o plano muito fluido e por consequência muito imersivo, porém não para por aí, ao fazer a câmera atravessar a grade da janela o diretor realiza um feito quase impensável dada a época em que o filme foi feito. Os personagens do filme são extremamente enigmáticos, porém o roteiro não deixa brechas abertas como falta de tato na construção dos mesmos, o protagonista é claramente um homem impulsivo, frustrado e desiludido com a vida, enquanto seu par é jovem, cheia de esperança e em busca de aventura, ela ver essa aventura nele e ele ver nela não só uma fuga, mas de certa forma uma versão mais jovem dele que se perdeu com o tempo. O monólogo sobre o homem que era cego e que aos quarenta anos de idade fez uma cirurgia e passou a enxergar não é só profundo por conta própria, como também é uma metáfora para os protagonistas do filme, ela é jovem e eufórica assim como o velho ao acabar de conseguir a visão, ele já passou por isso e agora não só se acostumou como passou a ver o lado podre do mundo e da vida, se sentido completamente desiludido e procurando fugir de sua realidade e por consequência desses sentimentos, porém assim como sua esposa insiste em persegui-lo, a tristeza e a desilusão também não o deixam em paz. A atuação de Jack Nicholson é excelente em sua sutileza, diferente dos seus marcante papeis afetados aqui ele faz uma figura muito pouco expressiva, tanto no rosto quanto no tom de voz contido, passando a indiferença de seu personagem, que já desistiu ha muito tempo. A montagem é fantástica ao intercalar com extrema fluidez os momentos do presente com os do passado, além da alternância entre os núcleos. Destaque para a cena em que o protagonista está no quarto trocando a foto dos passaporte e com uma panorâmica para a janela ele corta de maneira imperceptível num plano longo para o passado, tal recurso também é utilizado novamente em um momento posterior, o que já dava um gosto da excelência técnica que nos aguardaria no famoso plano sequência do final.
QUE FILME, agora eu entendo a porcentagem absurda no Rotten, é impossível não gostar. É engraçado, sensível e criativo. Aula de roteiro, tematicamente rico, com as várias temáticas abordadas influenciando na protagonista e tornando-a uma personagem complexa, difícil e apaixonante. Despretensioso, não tem a intenção de ser genial, mas é tão bom que é genial mesmo assim.
Dunkirk é um milagre áudio visual. Quem for esperando ver uma narrativa com desenvolvimento de personagens e trama elaborada vai se decepcionar. Dunkirk é cinema puro, é a união de imagem e som para criar sentimentos de tensão, terror, angustia e desespero. Aqui uma imagem vale mais que mil palavras.
Profissão: Repórter
4.0 93 Assista AgoraO trabalho de câmera com as panorâmicas misturadas com sutis travellings, que se perdem no ambiente quase que como um devaneio é poética e altamente imersiva, já que não apenas transforma o ambiente num personagem como simboliza a nossa figura dentro do filme, virando o pescoço e contemplando o que há ao redor, sempre de forma calma, sem que a gente perceba, guiando nossos sentidos dentro do filme. A direção também faz um trabalho impressionante ao nos contar o que está acontecendo de maneira quase sempre visual, não nos subestima e torna a experiência algo puramente cinematográfico. Mas também não podemos nos esquecer do plano sequência no clímax do filme, plano esse que é disparado um dos melhores da história da sétima arte, com a câmera se movimentando lentamente, junto do ritmo com que a situação se desenrola, alternando como no filme todo entre panorâmica e travelling, com o segundo dessa vez mais acentuado que o primeiro, além disso Antanioni mantém sempre os personagens enquadrados entre as barras da janela e movimenta a câmera na mesma direção que eles, o que não só é um feito impressionante como torna o plano muito fluido e por consequência muito imersivo, porém não para por aí, ao fazer a câmera atravessar a grade da janela o diretor realiza um feito quase impensável dada a época em que o filme foi feito.
Os personagens do filme são extremamente enigmáticos, porém o roteiro não deixa brechas abertas como falta de tato na construção dos mesmos, o protagonista é claramente um homem impulsivo, frustrado e desiludido com a vida, enquanto seu par é jovem, cheia de esperança e em busca de aventura, ela ver essa aventura nele e ele ver nela não só uma fuga, mas de certa forma uma versão mais jovem dele que se perdeu com o tempo. O monólogo sobre o homem que era cego e que aos quarenta anos de idade fez uma cirurgia e passou a enxergar não é só profundo por conta própria, como também é uma metáfora para os protagonistas do filme, ela é jovem e eufórica assim como o velho ao acabar de conseguir a visão, ele já passou por isso e agora não só se acostumou como passou a ver o lado podre do mundo e da vida, se sentido completamente desiludido e procurando fugir de sua realidade e por consequência desses sentimentos, porém assim como sua esposa insiste em persegui-lo, a tristeza e a desilusão também não o deixam em paz.
A atuação de Jack Nicholson é excelente em sua sutileza, diferente dos seus marcante papeis afetados aqui ele faz uma figura muito pouco expressiva, tanto no rosto quanto no tom de voz contido, passando a indiferença de seu personagem, que já desistiu ha muito tempo.
A montagem é fantástica ao intercalar com extrema fluidez os momentos do presente com os do passado, além da alternância entre os núcleos. Destaque para a cena em que o protagonista está no quarto trocando a foto dos passaporte e com uma panorâmica para a janela ele corta de maneira imperceptível num plano longo para o passado, tal recurso também é utilizado novamente em um momento posterior, o que já dava um gosto da excelência técnica que nos aguardaria no famoso plano sequência do final.
Lady Bird: A Hora de Voar
3.8 2,1K Assista AgoraQUE FILME, agora eu entendo a porcentagem absurda no Rotten, é impossível não gostar. É engraçado, sensível e criativo. Aula de roteiro, tematicamente rico, com as várias temáticas abordadas influenciando na protagonista e tornando-a uma personagem complexa, difícil e apaixonante. Despretensioso, não tem a intenção de ser genial, mas é tão bom que é genial mesmo assim.
Dunkirk
3.8 2,0K Assista AgoraDunkirk é um milagre áudio visual. Quem for esperando ver uma narrativa com desenvolvimento de personagens e trama elaborada vai se decepcionar. Dunkirk é cinema puro, é a união de imagem e som para criar sentimentos de tensão, terror, angustia e desespero. Aqui uma imagem vale mais que mil palavras.
De Canção Em Canção
2.9 376 Assista Agorauma bagunça sensível, profunda, tocante, complexa e tecnicamente brilhante, mas ainda é uma bagunça.