Acabei vendo a versão dublada em espanhol, o que acredito que atrapalhou um pouco minha experiência, dificultando, por exemplo, minha percepção a respeito da atuação. Fora isso, uma boa crítica e sátira acerca dessas figuras colonizadoras que compõem a história de nosso país. Acho interessante o exagero de alguns momentos, seja nas roupas, nos cenários, nas atuações, o que contribui para o tratamento pitoresco do tema.
Exemplo claro de como o cenário é, aqui, personagem também, sendo, a princípio, um determinante fatalista do destino das personagens para depois, inescapável, tornar-se o lar daquelas mulheres. Em que momento o desespero de Áurea em escapar dali se tornar resignação, conformidade? Até que ponto tudo virou areia dentro dela também? Assim como a areia, as esperanças sempre escapam da mão.
A questão geracional e a relação avô - mãe - filha também são bem interessantes. É a avô quem busca a ajuda que permitirá àquela família sobreviver naquele lugar; é a mãe que luta e persiste em bolar planos para escapar daquela areia movediça que engole seus anos de vida;
Muito interessante realmente. Depois de assistir, fiquei curioso em ler o conto de Aníbal Machado. Muitas falas e diálogos são idênticos, o que, na minha visão, contribui bastante para a poesia do filme. Claro, não só os diálogos são responsáveis por essa poesia: jogos de luz e sombra e muitos primeiros planos ajudam a criar atmosferas e a transmitir a sensibilidade de um olhar. Algumas câmeras muito próximas de Zeca da Curva, por exemplo, ajudam a sublinhar esse caráter ingênuo, mas também mágico do garoto, às vezes contribuindo para que o espectador fortaleça sua crença na relação homoafetiva entre o menino e o engenheiro. Essa relação, aliás, é deliberadamente mais explícita no filme do que no conto, o que, acredito, faz com que o longa seja ainda mais marcante, com ainda mais camadas de interpretação.
Lembrei uma música infantil sobre o vento: "estou vivo, mas não tenho corpo, por isso é que não tenho forma, peso eu também não tenho, não tenho cor". Como essa definição de vento poderia também definir a conexão que os dois personagens masculinos estabelecem entre si? Porque é o vento o que os aproxima e os liga, essa coisa tão invisível como o vento, que pode ser manso, mas pode ser destrutível, que só se sente no corpo com movimento, que não pode ser aprisionado. Esse seria o tipo de "amor" entre os dois jovens, manso e imbatível, leve e pesado - para os outros, dado o preconceito - ao mesmo tempo?
Também achei interessante a construção de outros personagens, com a dona do hotel.
[/spoiler]diz-se no filme que Zeca da Curva era muito estimado pela cidade, por isso a cólera dos cidadãos com a chegada do engenheiro, mas ao mesmo tempo o engenheiro afirma que Zeca não tinha muitos amigos e talvez não fosse compreendido pelos demais. Por que o interesse de todos pelo caso então? Dado o elemento homoerótico e, portanto, "polêmico" da história?[spoiler]
A ingenuidade do menino é interessante, bem como os sabores de sua linguagem, como referido pelo engenheiro. O garoto, de fato, parece a encarnação de um elemento da natureza.
A memória e os fantasmas são temas recorrentemente abordados pelo diretor e não seria diferente nesse filme.
Memória e fantasmas: o personagem de Wagner Moura busca informações / memórias sobre a mãe. No fim, ele próprio vira (des)memória na conturbada relação que seu filho irá estabelecer com seu fantasma, buscando não tocar nesse assunto. Quais são os perigos de não tocar no fantasma da ditadura brasileira?
Delicado, sensível. Cada personagem é composto por tantas camadas que poderíamos descascá-los sem nunca perder o interesse por eles. Se somos filhos de mil homens, também somos filhos de muitas dores, e quando nos encontramos e nos relacionamentos com alguém, essas dores se entrecruzam e, às vezes, só um grito à beira-mar mesmo pra liberar toda a angústia que a gente tem dentro. Preconceitos e violências de todos os tipos assolam as almas desses personagens. Entretanto, há mudanças e transformações em todos eles no fim.
Muito interessante como o roteiro consegue interconectar cada história. Azul e amarelo são cores predominantes.
Há um certo quê de Pinóquio no começo, com Crisóstomo tendo um boneco que representa seu desejo por um filho de carne e osso. Quando esse filho chega ele é, de fato, muito de carne e osso, carregando as belezas e durezas - preconceitos apreendidos, traumas - de ser humano.
Detalhe de mise-en-scène: as roupas no varal.
Só a vida não basta. Isaura escreve e Antonino desenha.
O menino pergunta: quem te ensinou o que é o bem e o que é o mal?
[/spoiler]Para além do trauma de perder a mãe de um jeito tão horrendo, acho que a natureza ensinou muito ao personagem do Rodrigo Santoro, por isso um certo tipo de pureza e de esclarecimento em relação a todo tipo de amor e de família possíveis. [spoiler]
[/spoiler] Cena interessante: enquanto Aquiles observa o primo morte, a fim de enterrá-lo, Heitor observa seu primogênito, a morte e a vida em paralelo e os personagens ali já sabem seus destinos; antes da batalha entre Aquiles e Heitor, a cena é construída em paralelo entre os dois guerreiros se preparando para a batalha; na luta de Páris e Menelau, há um movimento de câmera interessante em 1º plano no rosto do Orlando Bloom [spoiler]
No primeiro ato do filme, existem alguns primeiros planos em câmera lenta: era para dar um ar de heroismo e dramaticidade? Não sei, achei um pouco esquisito.
- Durante a 2ª Guerra Mundial, oito soldados são designados para uma missão: encontrar e resgatar Ryan, outro militar cujos irmãos morreram em batalha e deve ser levado de volta para casa, já que é o único filho que sobrou para sua mãe. Os soldados e seu comandante experiente enfrentam alguns conflitos até completarem a missão.
- Salvar Ryan é de fato um desvio da missão? O tenente expõe que não, pois a missão maior ainda é ganhar a guerra. De certo modo, a missão isolada os ajudam a completar a missão maior?
- O questionamento que incomoda alguns dos soldados e pode nos incomodar: vale se arriscar e arriscar a vida de colegas para salvar uma única pessoa em meio a uma guerra que já matou milhares? O tenente tem em mente que um soldado morto em combate pode siginificar a salvação de tantos outros, mas e quando se escolhe salvar um, quantos outros são salvos a partir dessa escolha?
- Como se dá e se constrói o vínculo entre os oito soldados? O militar mais jovem e inexperiente diz que estuda e escreve sobre as relações de companheirismo entre os soldados na guerra. E a relação entre os soldados e seu comandante? O personagem de Tom Hanks parece ser muito compenetrado; por ser professor, trata seus soldados como alunos, com o mesmo tipo de afetividade que uma relação docente-discente teoricamente proporia? Só há um momento que demonstra fragilidade e chora. Depois disso é que resolve expor sua própria vida aos recrutas, em uma tentativa de acalmar os ânimos da situação, é claro, mas também por que percebe que qualquer um ali pode morrer de um momento para outro?
- O que a figura do soldado jovem representa? Em meio aos terrores da guerra, um ponto de lucidez que se mostra inútil, afinal, o nazista que ele ajuda a salvar retorna e mata seus amigos? No final, ele usa a arma e a violência de qualquer forma.
[/spoiler]E o Ryan, que depois de encontrado e salvo decide não retornar? Uma forma de fazer valer a pena a morte dos irmãos? De se sentir útil? Ter honra? Sentimento de patriotismo? Ele fez por merecer, no final das contas? A fala final do comandante ao Ryan seria uma mensagem também ao espectador: faça por merecer toda a luta, toda a guerra e todo sangue derramado que, teoricamente, garantiu nossa "liberdade" de hoje? Ryan seria uma metáfora para todos nós? [spoiler]
- Cenas interessantes: batalha inicial; rápido momento de calmaria antes da última batalha, ao som de Édith Piaf (gostei da iluminação, que cria uma áurea em torno dos soldados para depois se tornar mais sombria e dura novamente, com a chegada dos alemães.
- Muitas cenas em que a câmera vacilante na mão cria a atmosfera de agitação, inquietação.
- Mise-en-scène interessante: quando a mãe vai ser avisada da morte dos três filhos. O enquadramento recortado/dividido pela porta; o "altar" aos filhos (e aos EUA) no lado direito do quadro.
- Filme que é claramente uma exaltação dos EUA em tempos de guerra. Propaganda nacionalista. Eu contra eles.
Não conheço tantas músicas assim, mas ao tentar escrever algo sobre o filme, um verso surgiu na mente: “Mas é você que ama o passado, e que não vê que o novo sempre vem”. Um ótimo trecho para ilustrar as reuniões dos “cidadãos preto-e-branco” que estão presos e amam as tradições dominantes e convenções alienantes, que não estão abertos ao novo e têm medo das mudanças, do diferente, das cores, do autodescobrimento, do florescimento de novas subjetividades e formas de viver que afrontam comportamentos engessados e normas vigentes, medo da arte, da ciência, da literatura.
Muita coisa poderia ser discutida (racismo, machismo, liberdade, perseguição ao conhecimento etc.). Temas ainda bem atuais, dado o cenário bizarro em que vivemos: vamos deixar eles transformarem tudo em preto-e-branco de novo, em um momento em que as cores deveriam viver ainda mais fortes? (frase clichê e melosa para encerrar o comentário kkkkk).
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Carlota Joaquina, Princesa do Brasil
3.1 247 Assista AgoraAcabei vendo a versão dublada em espanhol, o que acredito que atrapalhou um pouco minha experiência, dificultando, por exemplo, minha percepção a respeito da atuação. Fora isso, uma boa crítica e sátira acerca dessas figuras colonizadoras que compõem a história de nosso país. Acho interessante o exagero de alguns momentos, seja nas roupas, nos cenários, nas atuações, o que contribui para o tratamento pitoresco do tema.
Casa de Areia
3.7 256Exemplo claro de como o cenário é, aqui, personagem também, sendo, a princípio, um determinante fatalista do destino das personagens para depois, inescapável, tornar-se o lar daquelas mulheres. Em que momento o desespero de Áurea em escapar dali se tornar resignação, conformidade? Até que ponto tudo virou areia dentro dela também? Assim como a areia, as esperanças sempre escapam da mão.
A questão geracional e a relação avô - mãe - filha também são bem interessantes. É a avô quem busca a ajuda que permitirá àquela família sobreviver naquele lugar; é a mãe que luta e persiste em bolar planos para escapar daquela areia movediça que engole seus anos de vida;
[/spoiler]é a filha, já cria daquele espaço, que consegue finalmente oportunidade de novas perspectivas.[spoiler]
O Menino e o Vento
4.3 70Muito interessante realmente. Depois de assistir, fiquei curioso em ler o conto de Aníbal Machado. Muitas falas e diálogos são idênticos, o que, na minha visão, contribui bastante para a poesia do filme. Claro, não só os diálogos são responsáveis por essa poesia: jogos de luz e sombra e muitos primeiros planos ajudam a criar atmosferas e a transmitir a sensibilidade de um olhar. Algumas câmeras muito próximas de Zeca da Curva, por exemplo, ajudam a sublinhar esse caráter ingênuo, mas também mágico do garoto, às vezes contribuindo para que o espectador fortaleça sua crença na relação homoafetiva entre o menino e o engenheiro. Essa relação, aliás, é deliberadamente mais explícita no filme do que no conto, o que, acredito, faz com que o longa seja ainda mais marcante, com ainda mais camadas de interpretação.
Lembrei uma música infantil sobre o vento: "estou vivo, mas não tenho corpo, por isso é que não tenho forma, peso eu também não tenho, não tenho cor". Como essa definição de vento poderia também definir a conexão que os dois personagens masculinos estabelecem entre si? Porque é o vento o que os aproxima e os liga, essa coisa tão invisível como o vento, que pode ser manso, mas pode ser destrutível, que só se sente no corpo com movimento, que não pode ser aprisionado. Esse seria o tipo de "amor" entre os dois jovens, manso e imbatível, leve e pesado - para os outros, dado o preconceito - ao mesmo tempo?
Também achei interessante a construção de outros personagens, com a dona do hotel.
Uma coisa que não compreendi:
[/spoiler]diz-se no filme que Zeca da Curva era muito estimado pela cidade, por isso a cólera dos cidadãos com a chegada do engenheiro, mas ao mesmo tempo o engenheiro afirma que Zeca não tinha muitos amigos e talvez não fosse compreendido pelos demais. Por que o interesse de todos pelo caso então? Dado o elemento homoerótico e, portanto, "polêmico" da história?[spoiler]
A ingenuidade do menino é interessante, bem como os sabores de sua linguagem, como referido pelo engenheiro. O garoto, de fato, parece a encarnação de um elemento da natureza.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraA memória e os fantasmas são temas recorrentemente abordados pelo diretor e não seria diferente nesse filme.
Memória e fantasmas: o personagem de Wagner Moura busca informações / memórias sobre a mãe. No fim, ele próprio vira (des)memória na conturbada relação que seu filho irá estabelecer com seu fantasma, buscando não tocar nesse assunto. Quais são os perigos de não tocar no fantasma da ditadura brasileira?
[/spoiler]No fim, o próprio cinema vira fantasma, pois vira hospital, e aí há relação entre O Agente Secreto e Retratos Fantasmas.[spoiler]
O menino negro, que é homem, mas não como eles querem, que ajuda Dona Sebastiana, me lembra outro fantasma: o colonial.
O Filho de Mil Homens
4.1 180 Assista AgoraREFLEXÕES EM FLUXO DE CONSCIÊNCIA
Delicado, sensível. Cada personagem é composto por tantas camadas que poderíamos descascá-los sem nunca perder o interesse por eles. Se somos filhos de mil homens, também somos filhos de muitas dores, e quando nos encontramos e nos relacionamentos com alguém, essas dores se entrecruzam e, às vezes, só um grito à beira-mar mesmo pra liberar toda a angústia que a gente tem dentro. Preconceitos e violências de todos os tipos assolam as almas desses personagens. Entretanto, há mudanças e transformações em todos eles no fim.
Muito interessante como o roteiro consegue interconectar cada história. Azul e amarelo são cores predominantes.
Há um certo quê de Pinóquio no começo, com Crisóstomo tendo um boneco que representa seu desejo por um filho de carne e osso. Quando esse filho chega ele é, de fato, muito de carne e osso, carregando as belezas e durezas - preconceitos apreendidos, traumas - de ser humano.
Detalhe de mise-en-scène: as roupas no varal.
Só a vida não basta. Isaura escreve e Antonino desenha.
O menino pergunta: quem te ensinou o que é o bem e o que é o mal?
[/spoiler]Para além do trauma de perder a mãe de um jeito tão horrendo, acho que a natureza ensinou muito ao personagem do Rodrigo Santoro, por isso um certo tipo de pureza e de esclarecimento em relação a todo tipo de amor e de família possíveis. [spoiler]
Tróia
3.6 1,2K Assista AgoraBrad Pitt bem ok.
Boa luta entre Aquiles e Heitor.
[/spoiler] Cena interessante: enquanto Aquiles observa o primo morte, a fim de enterrá-lo, Heitor observa seu primogênito, a morte e a vida em paralelo e os personagens ali já sabem seus destinos; antes da batalha entre Aquiles e Heitor, a cena é construída em paralelo entre os dois guerreiros se preparando para a batalha; na luta de Páris e Menelau, há um movimento de câmera interessante em 1º plano no rosto do Orlando Bloom [spoiler]
No primeiro ato do filme, existem alguns primeiros planos em câmera lenta: era para dar um ar de heroismo e dramaticidade? Não sei, achei um pouco esquisito.
O Resgate do Soldado Ryan
4.2 1,7K Assista AgoraREFLEXÕES EM FLUXO DE CONSCIÊNCIA
- Durante a 2ª Guerra Mundial, oito soldados são designados para uma missão: encontrar e resgatar Ryan, outro militar cujos irmãos morreram em batalha e deve ser levado de volta para casa, já que é o único filho que sobrou para sua mãe. Os soldados e seu comandante experiente enfrentam alguns conflitos até completarem a missão.
- Salvar Ryan é de fato um desvio da missão? O tenente expõe que não, pois a missão maior ainda é ganhar a guerra. De certo modo, a missão isolada os ajudam a completar a missão maior?
- O questionamento que incomoda alguns dos soldados e pode nos incomodar: vale se arriscar e arriscar a vida de colegas para salvar uma única pessoa em meio a uma guerra que já matou milhares? O tenente tem em mente que um soldado morto em combate pode siginificar a salvação de tantos outros, mas e quando se escolhe salvar um, quantos outros são salvos a partir dessa escolha?
- Como se dá e se constrói o vínculo entre os oito soldados? O militar mais jovem e inexperiente diz que estuda e escreve sobre as relações de companheirismo entre os soldados na guerra. E a relação entre os soldados e seu comandante? O personagem de Tom Hanks parece ser muito compenetrado; por ser professor, trata seus soldados como alunos, com o mesmo tipo de afetividade que uma relação docente-discente teoricamente proporia? Só há um momento que demonstra fragilidade e chora. Depois disso é que resolve expor sua própria vida aos recrutas, em uma tentativa de acalmar os ânimos da situação, é claro, mas também por que percebe que qualquer um ali pode morrer de um momento para outro?
- O que a figura do soldado jovem representa? Em meio aos terrores da guerra, um ponto de lucidez que se mostra inútil, afinal, o nazista que ele ajuda a salvar retorna e mata seus amigos? No final, ele usa a arma e a violência de qualquer forma.
-
[/spoiler]E o Ryan, que depois de encontrado e salvo decide não retornar? Uma forma de fazer valer a pena a morte dos irmãos? De se sentir útil? Ter honra? Sentimento de patriotismo? Ele fez por merecer, no final das contas? A fala final do comandante ao Ryan seria uma mensagem também ao espectador: faça por merecer toda a luta, toda a guerra e todo sangue derramado que, teoricamente, garantiu nossa "liberdade" de hoje? Ryan seria uma metáfora para todos nós? [spoiler]
- Cenas interessantes: batalha inicial; rápido momento de calmaria antes da última batalha, ao som de Édith Piaf (gostei da iluminação, que cria uma áurea em torno dos soldados para depois se tornar mais sombria e dura novamente, com a chegada dos alemães.
- Muitas cenas em que a câmera vacilante na mão cria a atmosfera de agitação, inquietação.
- Mise-en-scène interessante: quando a mãe vai ser avisada da morte dos três filhos. O enquadramento recortado/dividido pela porta; o "altar" aos filhos (e aos EUA) no lado direito do quadro.
- Filme que é claramente uma exaltação dos EUA em tempos de guerra. Propaganda nacionalista. Eu contra eles.
Pleasantville: A Vida em Preto e Branco
4.1 383 Assista AgoraNão conheço tantas músicas assim, mas ao tentar escrever algo sobre o filme, um verso surgiu na mente: “Mas é você que ama o passado, e que não vê que o novo sempre vem”. Um ótimo trecho para ilustrar as reuniões dos “cidadãos preto-e-branco” que estão presos e amam as tradições dominantes e convenções alienantes, que não estão abertos ao novo e têm medo das mudanças, do diferente, das cores, do autodescobrimento, do florescimento de novas subjetividades e formas de viver que afrontam comportamentos engessados e normas vigentes, medo da arte, da ciência, da literatura.
Muita coisa poderia ser discutida (racismo, machismo, liberdade, perseguição ao conhecimento etc.). Temas ainda bem atuais, dado o cenário bizarro em que vivemos: vamos deixar eles transformarem tudo em preto-e-branco de novo, em um momento em que as cores deveriam viver ainda mais fortes? (frase clichê e melosa para encerrar o comentário kkkkk).