"Esta experiência de ordem dramática e cinematográfica não tem, portanto, nada a ver com a crítica de arte e menos ainda com a biografia científica. Nós sacrificamos voluntariamente a exatidão histórica em favor do mito de Van Gogh. Substituímos frequentemente a evolução de sua vida pela de sua obra. Se preferimos optar pelo preto e branco em detrimento da cor, não foi apenas por dificuldades técnicas. Nós esperávamos que, desta forma, seria mais evidenciada a arquitetura trágica da pintura de Van Gogh. A multiplicidade dos planos (quase tão numerosos quanto num longa-metragem) nos obrigava dar à música uma importância preponderante. Ela não estava lá apenas para ‘acompanhar’ as imagens, mas para criar o próprio esqueleto do filme. É a ela que cabia o papel de soldar as obras entre si e de tornar coerente o universo de Van Gogh. E isso, creio eu, Jacques Besse compreendeu bem. Entretanto, esforçamo-nos para que, de maneira alguma, a obra do pintor fosse substituída por uma dramatização arbitrária, cujo modo de ação sobre o espectador seria completamente estrangeiro ao quadro."
- Alain Resnais, Ciné-Club, dezembro de 1948. (retirado do catálogo Alain Resnais – a revolução discreta da memória)
(...) Quanto às objeções puramente estéticas, diferentes do aspecto pedagógico do problema, elas partem, evidentemente, de um mal-entendido que faz exigir explicitamente do cineasta algo diferente do que ele propõe. Na verdade, Van Gogh ou Goya não são, ou não são apenas, uma nova apresentação das obras desses pintores. O cinema não desempenha de modo algum o papel subordinado e didático das fotografias num álbum ou das projeções fixas numa conferência. Os próprios filmes são obras. A justificação deles é autônoma. Não se deve julgá-los somente com referência à pintura que eles utilizam, mas em relação à anatomia, ou antes, à histologia desse novo ser estético, que surgiu da conjunção da pintura e do cinema. As objeções que formulei há pouco são apenas, na realidade, a definição das novas leis oriundas desse encontro. O cinema não vem “servir” ou trair a pintura, mas acrescentar-lhe uma maneira de ser. O filme de pintura é uma simbiose estética entre a tela e o quadro como o líquen entre a alga e o cogumelo. Indignar-se com isso é tão absurdo quanto condenar a ópera em nome do teatro e da música. (...) - André Bazin, Pintura e Cinema
Bem, eu sinto uma enorme ternura por tudo... pela grama, pela água, pelas árvores. Uma espécie de desejo vago... - Henriette
"Henriette, em seu balanço, expressa um sentido de liberdade inseparável de um sentido de natureza. A liberdade, segundo um modo de pensar que herdamos dos românticos, surge da natureza: na natureza nascemos livres, e na natureza nos libertamos das convenções e constrangimentos da sociedade." - Gilberto Perez (Um dia no campo: o passeio dominical de Jean Renoir)
Van Gogh
4.0 7 Assista Agora"Esta experiência de ordem dramática e cinematográfica não tem, portanto, nada a ver com a crítica de arte e menos ainda com a biografia científica. Nós sacrificamos voluntariamente a exatidão histórica em favor do mito de Van Gogh. Substituímos frequentemente a evolução de sua vida pela de sua obra. Se preferimos optar pelo preto e branco em detrimento da cor, não foi apenas por dificuldades técnicas. Nós esperávamos que, desta forma, seria mais evidenciada a arquitetura trágica da pintura de Van Gogh. A multiplicidade dos planos (quase tão numerosos quanto num longa-metragem) nos obrigava dar à música uma importância preponderante. Ela não estava lá apenas para ‘acompanhar’ as imagens, mas para criar o próprio esqueleto do filme. É a ela que cabia o papel de soldar as obras entre si e de tornar coerente o universo de Van Gogh. E isso, creio eu, Jacques Besse compreendeu bem. Entretanto, esforçamo-nos para que, de maneira alguma, a obra do pintor fosse substituída por uma dramatização arbitrária, cujo modo de ação sobre o espectador seria completamente estrangeiro ao quadro."
- Alain Resnais, Ciné-Club, dezembro de 1948. (retirado do catálogo Alain Resnais – a revolução discreta da memória)
(...) Quanto às objeções puramente estéticas, diferentes do aspecto pedagógico do problema, elas partem, evidentemente, de um mal-entendido que faz exigir explicitamente do cineasta algo diferente do que ele propõe. Na verdade, Van Gogh ou Goya não são, ou não são apenas, uma nova apresentação das obras desses pintores. O cinema não desempenha de modo algum o papel subordinado e didático das fotografias num álbum ou das projeções fixas numa conferência. Os próprios filmes são obras. A justificação deles é autônoma. Não se deve julgá-los somente com referência à pintura que eles utilizam, mas em relação à anatomia, ou antes, à histologia desse novo ser estético, que surgiu da conjunção da pintura e do cinema. As objeções que formulei há pouco são apenas, na realidade, a definição das novas leis oriundas desse encontro. O cinema não vem “servir” ou trair a pintura, mas acrescentar-lhe uma maneira de ser. O filme de pintura é uma simbiose estética entre a tela e o quadro como o líquen entre a alga e o cogumelo. Indignar-se com isso é tão absurdo quanto condenar a ópera em nome do teatro e da música. (...)
- André Bazin, Pintura e Cinema
Um Dia no Campo
3.8 25Bem, eu sinto uma enorme ternura por tudo... pela grama, pela água, pelas árvores. Uma espécie de desejo vago...
- Henriette
"Henriette, em seu balanço, expressa um sentido de liberdade inseparável de um sentido de natureza. A liberdade, segundo um modo de pensar que herdamos dos românticos, surge da natureza: na natureza nascemos livres, e na natureza nos libertamos das convenções e constrangimentos da sociedade."
- Gilberto Perez (Um dia no campo: o passeio dominical de Jean Renoir)
A Rose Reborn
3.1 2Are you ready to give this to the world, and ask nothing in return?