cuidado com a exposição. estamos em risco e é preciso saber por onde se organizar. ser visto como lenha para a fogueira te coloca em perigo. não seja mártir. não coloque a sua dor como espetáculo para suprir a ambição laboratorial de realizadores audiovisuais. se proteja dos aproveitadores.
protagonista birrento e sedento por corpos distintos do seu. não há afeto neste filme. não acredito que exista afeto em fetiches despersonalizantes. a técnica é quadrada e em nada se arrisca. agrada porque é feita para agradar. produção megalomaníaca carregada de cenas que pendengam até conseguir transpor resquícios de emoções. a única coisa que este filme expõe é o elenco.
conflito geracional e territorial amplificado por uma tentativa de fuga fadada ao fracasso. curto bastante a relação corpo-espaço nos enquadramentos. me incomoda a superficialidade nas ações que são força motriz para que a jovem DJ siga acreditando no seu sonho americano. a relação maternal é frustrante. se torna a principal ameaça à liberdade falsificada que a atriz principal tanto quer. o que dizer da família que simboliza a moralidade cristã falida? são tantas emoções. tenho receio com o caricato mas o filme tem seus bons momentos. as atuações estão no ponto. trabalho lindo desse figurino. personagens valiosas mas que são ofuscadas pelas ações ingênuas e inconsequentes no arco da protagonista.
Arlete, meu bem, quanta luz! Esse bar na beira do rio é onde o mistério se desvenda. Aqui, a pressa nas palavras escancara que em reencontros, não há tempo a se perder. Tudo que tem pra acontecer, acontece. Retrato fiel das amarguras familiares que não desenflamam enquanto não são escancaradas. Conquista na sutileza. E tome ousadia! Ousadia estética e dialética. É coisa do recôncavo. Ainda bem.
se perguntar o quê os outros vão pensar é a pergunta que tanto neutraliza a relação entre os protagonistas nos episódios iniciais e que se faz presente em momentos importantes por toda a temporada.
respirei aliviado quando o deslocamento até outra cidade finalmente possibilitou a essas duas pessoas conversarem sob a luz do dia sem se preocupar em desviar o olhar. baita agonia em presenciar aquelas situações de desprezo público. me vi aqui diante de outro mundo; uma relação heteronormativa sendo vigiada e cerceada.
esse espaço-tempo que simplesmente pula de um momento para outro, é um tanto quanto assustador. a vida passando como um flash. muitas perguntas vieram até a mim tentando entender o por quê de ter me apegado a essa estória. nesses questionamentos me percebi gente. me enxerguei naquelas situações. comunicações desconfiadas, resoluções egoístas e a sede por um amor romântico pré-idealizado. imperfeições que aceito para poder superar.
roteiro que vai fundo. continuidade e montagem acertam em cheio. incrível entrega de quem interpreta connell e marianne. essa conexão entre ambos é a chave para tamanha aproximação com personagens que antes pensei estarem extremamente distantes de mim.
perde força por extender os episódios. quatro seria o suficiente. fora isso, a série é profundamente perspicaz nos questionamentos guiados pela inquietude do Abdur-Rahman, pesquisador da vida e morte de Malcolm e peça fundamental para o desenrolar do enredo. baita coragem ao questionar o silêncio dentro da comunidade islâmica da qual ele faz parte. conforme nomes e rostos surgem na superfície, se percebe como as provas sempre estiveram evidentes.
o registro em vídeo do único dos cincos atiradores sendo detido, é o fim da picada e o início do picadeiro. está tudo ali. é a certeza da impunidade no pacto com as instituições governamentais norteamericanas. outro momento em que a situação está desenhada, é quando o policial infiltrado como segurança do Malcolm tenta reviver ele no boca a boca. a marionete mortífera do Estado inconscientemente agindo como humano. poderia ser patético mas é projeto político.
incapaz de esmiuçar a fundo a complexidade da artista e pessoa homenageada. perpassa momentos mas não se aprofunda nas emoções que há no recôncavo, no candomblé ou na sapucaí. o tom das entrevistas não permite a reflexão, acaba sendo descritivo demais. sem espaço para algo inseparável da bethânia, a interpretação.
Uma proposta ousada demais e que me atraiu instantaneamente. Nos mostrar um breve período do cotidiano da protagonista não nos permite conhecer ela amplamente. Acompanhar Cléo por uma hora e meia é testemunhar toda a angústia que ela sente por esperar o resultado do exame.
Um alívio do caramba eu senti depois dela se libertar de todas as pessoas que a acompanhavam do início até mais ou menos depois da metade do filme, pois claramente eram uns sanguessugas.
Cléo me lembra a Marilyn Monroe de diversas formas e esse filme ter sido lançado exatamente no ano que ela morreu, aumenta as teorias de conspirações que criei. Uma aula de direção e montagem, tudo é muito bem construído e as diversas quebras da padronização na mise-en-scène é lindo lindo lindo e típico da Nouvelle Vague. Meu frustramento está com o que acontece no final da película.
A jornada de descoberta e quebra de imposições construída por Cléo, não se encaixa ao lado de um homem. É reforçar ainda mais o papel da mulher submissa, não-autossuficiente e de que a felicidade só acontece quando há um relacionamento envolvido. Entendo que pela época, não há como querer que esse tipo de debate estivesse envolvido na indústria cinematográfica. Durante o tempo que acompanhamos ela, a mudança é constante pois ela é constante igualmente. Seria gratificante acompanhar ela pela meia hora que supostamente faltou.
Externalizar o que carrega só depois dos 60 é se descobrir e se reinventar novamente. Perceber a insegurança nas falas de Laerte e os sentimentos que carregamos em comum, por sermos humanos e compartilharmos pensamentos parecidos, evidencia o não-estranhamento e nos coloca como normal mesmo que estejamos constantemente enfrentando tempos conturbados que cortam as nossas pernas e impede a gente de se movimentar. Falar é se expressar, comunicar e passar uma mensagem é um ato político e devemos, como parte do movimento LGBT, manter isso dentro de nós, para que aceitemos cada vez menos padronizações que supostamente deveríamos seguir. O documentário inclui as tirinhas de uma forma fenomenal, a animação e o movimento que o desenho faz, acrescenta vida ao que estamos assistindo, e o silêncio por trás da escrita é lindamente poético. Amei pá caramba.
Intenso e delicado simultaneamente. Um roteiro que seguiu-se contrário às minhas suposições, ainda bem. Jesus é singular. Toda a passividade inicial me causou um incômodo enorme, mas com o tempo o filme consegue não literalmente mostrar, mas evidenciar pelas entrelinhas o desespero que o protagonista sente. Cresceu sem a presença do pai, mas se agarra com força à possibilidade de uma figura não só paterna mas familiar em meio a todo o caos em que ele vive. Se assumir requer coragem. Se assumir e usar a performatividade artística, é resistência. Cinema Cubano dando um baita show. Fico feliz por ter sido audiência.
A estética é o ponto forte da película. É bem interessante o uso que ele faz em excesso das cores. O filme consegue incomodar e essa é a premissa principal de todo o enredo. Trabalhar e investir em personagens nessa pegada excêntrica é interessante pra caramba mas é aí que ele peca e se perde na própria criação. O roteiro não consegue se aprofundar no contexto proposto e acaba tomando um rumo medíocre. Eu gosto da ousadia do Casanova e sinto que se mantém coeso nos curta-metragens, mas não em "Peles".
A montagem é típica do cinema Hollywoodiano, mesmo que seja divulgado como um documentário supostamente sem ensaios. Muito bem filmado e editado, inclusive. Imagino o impacto em 1946 e como o governo norte-americano usou para propagar uma falsa mensagem de que eles são capazes de lidar com os problemas psicológicos recorrentes à guerra. Há um aspecto bem sensacionalista e livra o Estado da culpa que envolve todo esse contexto que desestabiliza, em níveis bem mais amplos do que é mostrado, em uma sociedade que abriga novamente os soldados vítimas de todo esse combate.
Filmes que possuem a premissa de mostrar um contexto fora da zona de conforto são perigosos pra caramba, mas eu venero a ousadia de Lars Von Trier. Fico só imaginando essa minuciosidade na direção de atores e todos detalhes tendo que ser minimamente calculados em um cenário totalmente fora dos padrões cinematográficos. Dogville é sobre relações humanas e a ingenuidade sendo dilacerada em uma sociedade construída em cima de egocentrismo e controle do outro. A cena final não me despertou satisfação nenhuma, pelo contrário. Imaginar que nascer e crescer numa cidade como aquela, me faria ver com normalidade tudo pelo que Grace passou. As reuniões são cultos em que a opressão é vista como algo corriqueiro, pois se não possuem noção das ações, logo não entendem a gravidade.
péssimo. fazer um filme na pretensão de deixar ele mais interessante só no próximo é típico de blockbuster que quer conseguir público de maneira forçada. eu realmente me interesso bastante por enredos que envolvem realidades fora do espaço térreo, porém eu não poderia ter me decepcionado mais. não há um único personagem que seja bem desenvolvido, com um roteiro típico que se desenvolve fácil demais. os efeitos, por outro lado, são ótimos, não há como por defeito, mas essa tentativa constante de impulsionar o susto em quem assiste por meio das transições rápidas e som estrondante, é mó paia.
Com pouco mais de uma hora, em alguns momentos atrasam, e ironicamente, adiantam demais em outros acontecimentos. Fiquei um pouco perdido pra acompanhar, mas consegui sugar o conteúdo e foi uma surpresa boa ter assistido esse documentário. É preciso evitar sentimentalismos e se manter inerte às batalhas internas para sustentar-se como um líder ativista. Joshua faz isso de uma maneira que o tortura e que, por outro lado, trás resultados. É um sentimento agridoce fazer parte de movimentos sociais em que é preciso abandonar muitas coisas para se manter firme no que acredita.
Quão angustiante foi ver Caroline perder o brilho ao decorrer do filme, o fato dela se manter submissa para que o casamento durasse é triste pois é uma realidade recorrente, então imagine só o papel da mulher nos EUA no final da década de 50. Atuações impecáveis que levaram o filme adiante e que não me fez querer perder um minuto sequer, De Niro e DiCaprio transmitiram uma conexão bem forte e me segurei pra não gritar de ódio em diversas cenas. O enredo se mantém linear e sem furos, não creio que o final foi forçado, não é preciso algo grandioso para se tornar o estopim, aquilo foi o acumulo de tudo que havia acontecido desde que eles foram morar em Constance. Histórias que me identifico impulsionam um olhar ainda mais empático. 'This Boy's Life' é a rotina de vários e várias que botam fé em uma vida melhor, deixando para trás todo atrasa lado que mantém um discurso baixo astral sempre. Avante para o nosso bem-estar e uma vida longe de negatividade.
Tecnicamente, não tem nada a oferecer, porém essas histórias baseadas em fatos reais me seguram. Medonho define todo o assassinato e em como Caroline captou feições da Rachel e passou a se ver com os outros olhos depois do crime. É um filme super básico, atuações na média, direção pouco trabalhada, mas o roteiro aborda de uma maneira inteligente e explica bem todo o transtorno e a sociopatia no enredo.
A definição de que uma estória bem contada, por mais simples que pareça ser, pode resultar em algo extraordinário como essa minissérie. Sororidade é a principal palavra para descrever esses sete episódios. Quão boquiaberto eu fiquei com essa montagem, edição, trilha sonora, mixagem de som e atuação! Um elenco forte pra caramba, que souberam entregar de forma grandiosa personagens que são muito bem trabalhadas. Big Little Lies é empatia que faz você se sentir parte do enredo, é saber que por ser uma estória tão realista, faz com que conciliemos com a nossa própria vida ou com a história de pessoas que conhecemos. Meu coração bateu mais rápido me jogando na cara o prazer que a sétima arte nos proporciona nesse turbilhão de sentimentos agridoces.
Consigo entender a importância política desse filme na época que foi lançado, o impacto que teve e que vem tendo até hoje. Por outro lado, a estética que John Waters usa, não me despertou nenhum interesse e os diálogos dá certo em alguns momentos, mas por outro lado é bizarrice sem fundamento.
É uma série que me trouxe um gosto agridoce; aborda a misoginia, machismo e o desrespeito de uma forma bem forte e importantíssima para a realidade do Ensino Médio e também para a vida em geral. Usar aqui a palavra bullying é passar borracha e empurrar para de baixo do tapete o que realmente acontece; ela sofreu tudo o que foi mostrado por ser mulher, se passam a mão nela, não é bullying, é abuso; se há uma lista falando do corpo dela, não é bullying, é objetificação do corpo feminino. Hannah se suicídio por ter nascido mulher acima de qualquer outra coisa e fora da ficção vemos diariamente diversos casos que seguem essa mesma linha de machismo e misoginia. A proposta de tratar um tema tão pouco discutido e ao mesmo tempo tão importante atualmente é complicado; é preciso saber trabalhar bem os detalhes e entregar uma proposta que não seja sensacionalista ou que force no roteiro para que as coisas aconteçam de uma maneira superficial. Atuações maravilhosas, de verdade, mas me frustrei bastante em perceber diálogos perdidos; a procura desesperada de culpados para a situação ao invés de tratarem o suicídio da Hannah de maneira menos juvenil e mais realista.
Os primeiros episódios se desenvolvem bem mas eles não conseguem manter o ritmo até o último que mostra um final corrido, sem aprofundar tópicos importantes, dando ênfase em manter a série mercadológica e até criando uma sensação de felicidade através do Clay sendo que todo o contexto se encontrava um caos principalmente com o suicídio do Alex.
É uma série que eu não tenho intenções de indicar a conhecido algum. Era preciso uma abordagem mais humanista, que mostrassem formas de evitar o acontecido, mas diretamente pouco se discute sobre formas de prevenção dentro da trama.
O FATO DE SÓ QUATRO PERSONALIDADES TEREM SIDO TRABALHADAS DE FORMA PRESENTE NO FILME, SE DÁ PELO FATO DE QUE PRECISARIA DE UM TEMPO MUITO MAIS LONGO PARA DESCREVER O RESTANTE; SEI QUE A DESCRIÇÃO PRÉVIA ATRAVÉS DOS VÍDEOS É UMA BOA SACADA, MAS AO MESMO TEMPO EU ESPERAVA MAIS PROFUNDIDADE NESSE ASPECTO, FICOU BOA PARTE AINDA MUITO VAGA, NÃO FAZENDO JUS AO CONTEXTO QUE O FILME PODERIA PROPORCIONAR. ME PREOCUPEI COM O JAMES MCAVOY, MAS NÃO CONSIGO COLOCAR DEFEITO NA ATUAÇÃO. O CARA FOI MONSTRUOSO E TRABALHOU TODOS OS TREJEITOS DE FORMA MINUCIOSA E SOUBE DIFERENCIAR BEM AS CARACTERÍSTICAS DOS PERSONAGENS QUE MUDAVAM CONSTANTEMENTE, PRINCIPALMENTE NAS CENAS EM QUE ELES COMEÇAM A ENTRAR EM CONFLITO. É UM BOM FILME, MAS ME DECEPCIONA POR TER TIDO UM FINAL BEM MERCADOLÓGICO COM A APARIÇÃO DO BRUCE WILLIS QUE EU ATÉ PENSEI QUE FOSSE ELE EM UM FUTURO MAS SÓ FEZ EU CONTINUAR SEM ENTENDER NADINHA DE NADA. 7/10 PELO APROVEITAMENTO DOS CENÁRIOS E PELA DIREÇÃO QUE MESMO SEGUINDO O VELHO ARROZ E FEIJÃO, SOUBE ADICIONAR UM MOLHO QUE DEIXA O ESPERADO COM UM GOSTO BEM BOM.
Veneno
4.8 178 Assista AgoraDigo!
Para Onde Voam as Feiticeiras
3.9 10 Assista Agoracuidado com a exposição. estamos em risco e é preciso saber por onde se organizar. ser visto como lenha para a fogueira te coloca em perigo. não seja mártir. não coloque a sua dor como espetáculo para suprir a ambição laboratorial de realizadores audiovisuais. se proteja dos aproveitadores.
Vento Seco
3.2 97protagonista birrento e sedento por corpos distintos do seu. não há afeto neste filme. não acredito que exista afeto em fetiches despersonalizantes.
a técnica é quadrada e em nada se arrisca. agrada porque é feita para agradar.
produção megalomaníaca carregada de cenas que pendengam até conseguir transpor resquícios de emoções. a única coisa que este filme expõe é o elenco.
Crystal Swan
3.8 6conflito geracional e territorial amplificado por uma tentativa de fuga fadada ao fracasso. curto bastante a relação corpo-espaço nos enquadramentos. me incomoda a superficialidade nas ações que são força motriz para que a jovem DJ siga acreditando no seu sonho americano. a relação maternal é frustrante. se torna a principal ameaça à liberdade falsificada que a atriz principal tanto quer.
o que dizer da família que simboliza a moralidade cristã falida? são tantas emoções.
tenho receio com o caricato mas o filme tem seus bons momentos.
as atuações estão no ponto. trabalho lindo desse figurino. personagens valiosas mas que são ofuscadas pelas ações ingênuas e inconsequentes no arco da protagonista.
Até O Fim
3.9 18Arlete, meu bem, quanta luz!
Esse bar na beira do rio é onde o mistério se desvenda.
Aqui, a pressa nas palavras escancara que em reencontros, não há tempo a se perder. Tudo que tem pra acontecer, acontece. Retrato fiel das amarguras familiares que não desenflamam enquanto não são escancaradas.
Conquista na sutileza. E tome ousadia! Ousadia estética e dialética. É coisa do recôncavo. Ainda bem.
Normal People
4.4 468se perguntar o quê os outros vão pensar é a pergunta que tanto neutraliza a relação entre os protagonistas nos episódios iniciais e que se faz presente em momentos importantes por toda a temporada.
o desenrolar do enredo é doloroso.
respirei aliviado quando o deslocamento até outra cidade finalmente possibilitou a essas duas pessoas conversarem sob a luz do dia sem se preocupar em desviar o olhar. baita agonia em presenciar aquelas situações de desprezo público. me vi aqui diante de outro mundo; uma relação heteronormativa sendo vigiada e cerceada.
esse espaço-tempo que simplesmente pula de um momento para outro, é um tanto quanto assustador. a vida passando como um flash.
muitas perguntas vieram até a mim tentando entender o por quê de ter me apegado a essa estória. nesses questionamentos me percebi gente. me enxerguei naquelas situações. comunicações desconfiadas, resoluções egoístas e a sede por um amor romântico pré-idealizado. imperfeições que aceito para poder superar.
roteiro que vai fundo. continuidade e montagem acertam em cheio. incrível entrega de quem interpreta connell e marianne. essa conexão entre ambos é a chave para tamanha aproximação com personagens que antes pensei estarem extremamente distantes de mim.
Quem Matou Malcolm X?
4.2 14 Assista Agoraperde força por extender os episódios. quatro seria o suficiente. fora isso, a série é profundamente perspicaz nos questionamentos guiados pela inquietude do Abdur-Rahman, pesquisador da vida e morte de Malcolm e peça fundamental para o desenrolar do enredo. baita coragem ao questionar o silêncio dentro da comunidade islâmica da qual ele faz parte. conforme nomes e rostos surgem na superfície, se percebe como as provas sempre estiveram evidentes.
o registro em vídeo do único dos cincos atiradores sendo detido, é o fim da picada e o início do picadeiro. está tudo ali. é a certeza da impunidade no pacto com as instituições governamentais norteamericanas.
outro momento em que a situação está desenhada, é quando o policial infiltrado como segurança do Malcolm tenta reviver ele no boca a boca. a marionete mortífera do Estado inconscientemente agindo como humano. poderia ser patético mas é projeto político.
Fevereiros
4.2 35incapaz de esmiuçar a fundo a complexidade da artista e pessoa homenageada. perpassa momentos mas não se aprofunda nas emoções que há no recôncavo, no candomblé ou na sapucaí.
o tom das entrevistas não permite a reflexão, acaba sendo descritivo demais. sem espaço para algo inseparável da bethânia, a interpretação.
Cléo das 5 às 7
4.2 220 Assista AgoraUma proposta ousada demais e que me atraiu instantaneamente. Nos mostrar um breve período do cotidiano da protagonista não nos permite conhecer ela amplamente. Acompanhar Cléo por uma hora e meia é testemunhar toda a angústia que ela sente por esperar o resultado do exame.
Um alívio do caramba eu senti depois dela se libertar de todas as pessoas que a acompanhavam do início até mais ou menos depois da metade do filme, pois claramente eram uns sanguessugas.
Cléo me lembra a Marilyn Monroe de diversas formas e esse filme ter sido lançado exatamente no ano que ela morreu, aumenta as teorias de conspirações que criei.
Uma aula de direção e montagem, tudo é muito bem construído e as diversas quebras da padronização na mise-en-scène é lindo lindo lindo e típico da Nouvelle Vague.
Meu frustramento está com o que acontece no final da película.
A jornada de descoberta e quebra de imposições construída por Cléo, não se encaixa ao lado de um homem. É reforçar ainda mais o papel da mulher submissa, não-autossuficiente e de que a felicidade só acontece quando há um relacionamento envolvido. Entendo que pela época, não há como querer que esse tipo de debate estivesse envolvido na indústria cinematográfica. Durante o tempo que acompanhamos ela, a mudança é constante pois ela é constante igualmente. Seria gratificante acompanhar ela pela meia hora que supostamente faltou.
Laerte-se
4.0 184Externalizar o que carrega só depois dos 60 é se descobrir e se reinventar novamente. Perceber a insegurança nas falas de Laerte e os sentimentos que carregamos em comum, por sermos humanos e compartilharmos pensamentos parecidos, evidencia o não-estranhamento e nos coloca como normal mesmo que estejamos constantemente enfrentando tempos conturbados que cortam as nossas pernas e impede a gente de se movimentar. Falar é se expressar, comunicar e passar uma mensagem é um ato político e devemos, como parte do movimento LGBT, manter isso dentro de nós, para que aceitemos cada vez menos padronizações que supostamente deveríamos seguir. O documentário inclui as tirinhas de uma forma fenomenal, a animação e o movimento que o desenho faz, acrescenta vida ao que estamos assistindo, e o silêncio por trás da escrita é lindamente poético. Amei pá caramba.
Viva
3.9 64 Assista AgoraIntenso e delicado simultaneamente. Um roteiro que seguiu-se contrário às minhas suposições, ainda bem. Jesus é singular. Toda a passividade inicial me causou um incômodo enorme, mas com o tempo o filme consegue não literalmente mostrar, mas evidenciar pelas entrelinhas o desespero que o protagonista sente. Cresceu sem a presença do pai, mas se agarra com força à possibilidade de uma figura não só paterna mas familiar em meio a todo o caos em que ele vive.
Se assumir requer coragem. Se assumir e usar a performatividade artística, é resistência. Cinema Cubano dando um baita show. Fico feliz por ter sido audiência.
Peles
3.4 593 Assista AgoraA estética é o ponto forte da película. É bem interessante o uso que ele faz em excesso das cores. O filme consegue incomodar e essa é a premissa principal de todo o enredo.
Trabalhar e investir em personagens nessa pegada excêntrica é interessante pra caramba mas é aí que ele peca e se perde na própria criação. O roteiro não consegue se aprofundar no contexto proposto e acaba tomando um rumo medíocre.
Eu gosto da ousadia do Casanova e sinto que se mantém coeso nos curta-metragens, mas não em "Peles".
Let There Be Light
3.8 8A montagem é típica do cinema Hollywoodiano, mesmo que seja divulgado como um documentário supostamente sem ensaios. Muito bem filmado e editado, inclusive.
Imagino o impacto em 1946 e como o governo norte-americano usou para propagar uma falsa mensagem de que eles são capazes de lidar com os problemas psicológicos recorrentes à guerra. Há um aspecto bem sensacionalista e livra o Estado da culpa que envolve todo esse contexto que desestabiliza, em níveis bem mais amplos do que é mostrado, em uma sociedade que abriga novamente os soldados vítimas de todo esse combate.
Dogville
4.3 2,0K Assista AgoraFilmes que possuem a premissa de mostrar um contexto fora da zona de conforto são perigosos pra caramba, mas eu venero a ousadia de Lars Von Trier. Fico só imaginando essa minuciosidade na direção de atores e todos detalhes tendo que ser minimamente calculados em um cenário totalmente fora dos padrões cinematográficos.
Dogville é sobre relações humanas e a ingenuidade sendo dilacerada em uma sociedade construída em cima de egocentrismo e controle do outro.
A cena final não me despertou satisfação nenhuma, pelo contrário. Imaginar que nascer e crescer numa cidade como aquela, me faria ver com normalidade tudo pelo que Grace passou. As reuniões são cultos em que a opressão é vista como algo corriqueiro, pois se não possuem noção das ações, logo não entendem a gravidade.
Vida
3.4 1,3K Assista Agorapéssimo. fazer um filme na pretensão de deixar ele mais interessante só no próximo é típico de blockbuster que quer conseguir público de maneira forçada.
eu realmente me interesso bastante por enredos que envolvem realidades fora do espaço térreo, porém eu não poderia ter me decepcionado mais. não há um único personagem que seja bem desenvolvido, com um roteiro típico que se desenvolve fácil demais. os efeitos, por outro lado, são ótimos, não há como por defeito, mas essa tentativa constante de impulsionar o susto em quem assiste por meio das transições rápidas e som estrondante, é mó paia.
Joshua: Teenager vs. Superpower
4.0 9 Assista AgoraCom pouco mais de uma hora, em alguns momentos atrasam, e ironicamente, adiantam demais em outros acontecimentos. Fiquei um pouco perdido pra acompanhar, mas consegui sugar o conteúdo e foi uma surpresa boa ter assistido esse documentário.
É preciso evitar sentimentalismos e se manter inerte às batalhas internas para sustentar-se como um líder ativista. Joshua faz isso de uma maneira que o tortura e que, por outro lado, trás resultados. É um sentimento agridoce fazer parte de movimentos sociais em que é preciso abandonar muitas coisas para se manter firme no que acredita.
O Despertar de um Homem
3.7 271 Assista AgoraQuão angustiante foi ver Caroline perder o brilho ao decorrer do filme, o fato dela se manter submissa para que o casamento durasse é triste pois é uma realidade recorrente, então imagine só o papel da mulher nos EUA no final da década de 50. Atuações impecáveis que levaram o filme adiante e que não me fez querer perder um minuto sequer, De Niro e DiCaprio transmitiram uma conexão bem forte e me segurei pra não gritar de ódio em diversas cenas. O enredo se mantém linear e sem furos, não creio que o final foi forçado, não é preciso algo grandioso para se tornar o estopim, aquilo foi o acumulo de tudo que havia acontecido desde que eles foram morar em Constance.
Histórias que me identifico impulsionam um olhar ainda mais empático. 'This Boy's Life' é a rotina de vários e várias que botam fé em uma vida melhor, deixando para trás todo atrasa lado que mantém um discurso baixo astral sempre. Avante para o nosso bem-estar e uma vida longe de negatividade.
A Vítima Perfeita
3.1 246Tecnicamente, não tem nada a oferecer, porém essas histórias baseadas em fatos reais me seguram. Medonho define todo o assassinato e em como Caroline captou feições da Rachel e passou a se ver com os outros olhos depois do crime. É um filme super básico, atuações na média, direção pouco trabalhada, mas o roteiro aborda de uma maneira inteligente e explica bem todo o transtorno e a sociopatia no enredo.
Sete Minutos Depois da Meia-Noite
4.1 997 Assista AgoraSensível primordialmente. Trabalhar com um contexto delicado como esse é oito ou oitenta. Felizmente, me surpreendi com o filme.
Skam (4ª Temporada)
4.5 140Já tô quase decorando todos os dias da semana em norueguês.
Big Little Lies (1ª Temporada)
4.6 1,1K Assista AgoraA definição de que uma estória bem contada, por mais simples que pareça ser, pode resultar em algo extraordinário como essa minissérie.
Sororidade é a principal palavra para descrever esses sete episódios. Quão boquiaberto eu fiquei com essa montagem, edição, trilha sonora, mixagem de som e atuação! Um elenco forte pra caramba, que souberam entregar de forma grandiosa personagens que são muito bem trabalhadas.
Big Little Lies é empatia que faz você se sentir parte do enredo, é saber que por ser uma estória tão realista, faz com que conciliemos com a nossa própria vida ou com a história de pessoas que conhecemos. Meu coração bateu mais rápido me jogando na cara o prazer que a sétima arte nos proporciona nesse turbilhão de sentimentos agridoces.
Pink Flamingos
3.4 880 Assista AgoraConsigo entender a importância política desse filme na época que foi lançado, o impacto que teve e que vem tendo até hoje. Por outro lado, a estética que John Waters usa, não me despertou nenhum interesse e os diálogos dá certo em alguns momentos, mas por outro lado é bizarrice sem fundamento.
13 Reasons Why (1ª Temporada)
3.8 1,5K Assista AgoraÉ uma série que me trouxe um gosto agridoce; aborda a misoginia, machismo e o desrespeito de uma forma bem forte e importantíssima para a realidade do Ensino Médio e também para a vida em geral. Usar aqui a palavra bullying é passar borracha e empurrar para de baixo do tapete o que realmente acontece; ela sofreu tudo o que foi mostrado por ser mulher, se passam a mão nela, não é bullying, é abuso; se há uma lista falando do corpo dela, não é bullying, é objetificação do corpo feminino. Hannah se suicídio por ter nascido mulher acima de qualquer outra coisa e fora da ficção vemos diariamente diversos casos que seguem essa mesma linha de machismo e misoginia.
A proposta de tratar um tema tão pouco discutido e ao mesmo tempo tão importante atualmente é complicado; é preciso saber trabalhar bem os detalhes e entregar uma proposta que não seja sensacionalista ou que force no roteiro para que as coisas aconteçam de uma maneira superficial.
Atuações maravilhosas, de verdade, mas me frustrei bastante em perceber diálogos perdidos; a procura desesperada de culpados para a situação ao invés de tratarem o suicídio da Hannah de maneira menos juvenil e mais realista.
Os primeiros episódios se desenvolvem bem mas eles não conseguem manter o ritmo até o último que mostra um final corrido, sem aprofundar tópicos importantes, dando ênfase em manter a série mercadológica e até criando uma sensação de felicidade através do Clay sendo que todo o contexto se encontrava um caos principalmente com o suicídio do Alex.
É uma série que eu não tenho intenções de indicar a conhecido algum. Era preciso uma abordagem mais humanista, que mostrassem formas de evitar o acontecido, mas diretamente pouco se discute sobre formas de prevenção dentro da trama.
Fragmentado
3.9 3,0K Assista AgoraO FATO DE SÓ QUATRO PERSONALIDADES TEREM SIDO TRABALHADAS DE FORMA PRESENTE NO FILME, SE DÁ PELO FATO DE QUE PRECISARIA DE UM TEMPO MUITO MAIS LONGO PARA DESCREVER O RESTANTE; SEI QUE A DESCRIÇÃO PRÉVIA ATRAVÉS DOS VÍDEOS É UMA BOA SACADA, MAS AO MESMO TEMPO EU ESPERAVA MAIS PROFUNDIDADE NESSE ASPECTO, FICOU BOA PARTE AINDA MUITO VAGA, NÃO FAZENDO JUS AO CONTEXTO QUE O FILME PODERIA PROPORCIONAR.
ME PREOCUPEI COM O JAMES MCAVOY, MAS NÃO CONSIGO COLOCAR DEFEITO NA ATUAÇÃO. O CARA FOI MONSTRUOSO E TRABALHOU TODOS OS TREJEITOS DE FORMA MINUCIOSA E SOUBE DIFERENCIAR BEM AS CARACTERÍSTICAS DOS PERSONAGENS QUE MUDAVAM CONSTANTEMENTE, PRINCIPALMENTE NAS CENAS EM QUE ELES COMEÇAM A ENTRAR EM CONFLITO.
É UM BOM FILME, MAS ME DECEPCIONA POR TER TIDO UM FINAL BEM MERCADOLÓGICO COM A APARIÇÃO DO BRUCE WILLIS QUE EU ATÉ PENSEI QUE FOSSE ELE EM UM FUTURO MAS SÓ FEZ EU CONTINUAR SEM ENTENDER NADINHA DE NADA.
7/10 PELO APROVEITAMENTO DOS CENÁRIOS E PELA DIREÇÃO QUE MESMO SEGUINDO O VELHO ARROZ E FEIJÃO, SOUBE ADICIONAR UM MOLHO QUE DEIXA O ESPERADO COM UM GOSTO BEM BOM.