Por mais que o diretor George Miller tenha sustentado a caracterização e cenografia de Estrada da Fúria para manter a atmosfera bem produzida nesse filme da saga Mad Max, a história de origem da personagem Furiosa funciona totalmente e muito bem sozinha, e independe do primeiro filme. Claro que, se tratando de um prequel, isso seria importante e esperado, para não dizer necessário.
Mas a qualidade do filme não está apenas na atmosfera, ou em takes de duelo que remetem a filmes de faroeste que eu gosto tanto, ela se encontra também no ótimo storytelling, ao nos trazer um equilíbrio entre diálogos e cenas de ação, de grande apelo visual, que vão construindo a narrativa.
Depois de situações aterrorizantes vividas por Furiosa, interpretadas pela atriz Alyla Browne, enquanto criança, um detalhe excelente de passagem de tempo demonstrada por uma peruca presa a um galho, Anya Taylor-Joy aparece como a protagonista, um pouco mais velha, infiltrada no clã de Immortan Joe, com seus grandes olhos brilhantes e entrega, a partir dali, uma atuação visceral. (Top #1 de 2024)
Este é um ótimo exemplo de que para um filme ser bom, não precisa ser uma grande produção.
Basicamente, acompanhamos a fita gravada do episódio de um talk show que nunca foi ao ar. Mas, antes de chegar a esse ponto, o filme contextualiza o protagonista (e apresentador do tal programa) através de um “documentário” sobre o sujeito. Para isso, o roteiro, alinhado à montagem do filme, é competente para nos dar informações suficientes que serão abordadas no decorrer da trama.
Como um detalhe interessante, o filme alterna a razão de aspecto para fazer uma distinção entre o que foi gravado para a TV, ou seja, a fita que estamos assistindo (4:3), e o que aconteceu no estúdio do talk show durante os intervalos comerciais (1.85:1). Entretanto, ao mostrar os bastidores, foi aplicado também um efeito visual em preto e branco, talvez para deixar ainda mais claro que se tratava de algo diferente da fita em questão, mas achei desnecessário. (Top #2 de 2024)
Antes de ser considerado um filme de herói, Deadpool deve ser considerado uma comédia, para então o componente Marvel e afins entrarem na sequência. Assim, qualquer pessoa vai aproveitar a qualidade do que está assistindo.
Talvez, a parte ruim disso é que o filme está cheio de referências de demais filmes desse universo heroico e, portanto, alguns podem se perder e não achar graça no roteiro que eu, particularmente, achei genial, justamente por conseguir apresentar uma história simples, com atos bem estabelecidos e, acima de tudo, enfiar piada atrás de piada, sendo muitas delas, referências ao universo cinematográfico ou real. (Top #3 de 2024)
Com um roteiro que encontra originalidade em abordar o tema de possessão, ao aplicar tal situação num contexto atual, onde jovens desafiam o sobrenatural e se filmam para postar on-line, Fale Comigo ganha destaque pelas obras do gênero.
O ritual de possessão é simples: há um objeto amaldiçoado, uma mão feita de cerâmica ou qualquer material do tipo, e que, ao ser tocado por alguém antes da pessoa pronunciar “fale comigo”, ela propositalmente permite que alguma entidade tome conta de seu corpo, além de trazer a ela, a visão do submundo.
Com maquiagem e efeito visual mínimos e competentes para demonstrar a possessão, a direção usa de boas movimentações de câmera e uso da profundidade de campo para compor a mise-en-scène central. (Top #4 de 2024)
Este veio do nada e me acertou em cheio! Com a intenção (e execução competente) de tratar de multiverso como algo clichê, para o enredo do cara que está preso num looping temporal, e que vive o mesmo dia todos os dias, Palm Springs é uma comédia ácida que consegue encontrar originalidade na resolução de seus problemas.
J. K. Simons rouba a cena (como de costume) ao protagonizar algumas situações violentas e engraçadas daquele absurdo que seu personagem está vivendo, ao lado dos personagens de Andy Samberg, sua vítima, e de Cristin Milioti, a mais inteligente dos dois. (Top #5 de 2024)
Falando em filmes bons que eu deixei passar, depois de assistir a este daqui, eu posso afirmar (com o poder que Deus me deu) de que Jorge Furtado é um dos melhores cineastas do Brasil. Essa opinião já vinha se formando desde quando assisti ao O Homem Que Copiava, mas esse daqui me garantiu de vez.
É incrível pensar que o diretor tirou uma história tão legal, a partir da premissa de um grupo de pessoas “comuns” que precisava produzir um filme independente e, assim, arrecadar dinheiro para investir num tratamento de esgoto da cidade.
Furtado aproveita o enredo para mostrar, de maneira cômica, todos os desafios que passam aqueles que fazem (ou pretendem fazer) cinema, e que ele próprio possa ter vivido. (Top #6 de 2024)
Um filme que passou tantas vezes na TV, mas que eu só fui assistir este ano. Uma vantagem, de ter levado tantos anos para assistir, é perceber como o filme está fadado à longa consistência do cinema nacional e, não à toa, se consolida como um clássico.
A atuação de Fernanda Montenegro é, realmente, uma sacanagem de tão boa! E o mais absurdo (com permissão do exagero anedótico) é pensar que, naquela época, a mulher já estava beirando os 70 anos!
Vivendo por encontrar mais ótimos filmes, como esse, que eu também deixei passar. (Top #7 de 2024)
De certa maneira, a Pixar focar em continuações e não em novas histórias, me deixa um pouco frustrado por demonstrarem estarem amarrados ao lucro previsto em filmes produzidos (mas quais criadores do porte deles não estão, não é mesmo?). Ainda assim, depois de assistir a Divertida Mente 2, me pareceu óbvio que o filme merecia uma continuação, pois há muito a ser explorado no universo particular do filme.
Os novos caminhos e personagens que as emoções encontram na mente da Riley é uma somatória de criatividade, humor e animação impecáveis, características das quais a Pixar se estabeleceu como referência máxima. (Top #8 de 2024)
Sabe quando dizem que é difícil dizer que gostou de um filme triste, pelo fato dele te deixar triste? Pois é, isso acontece com este aqui. Mas, para ser justo, este filme não te deixa triste, ele te deixa devastado.
Túmulo dos Vagalumes conta uma história adjacente a outra história, a da Segunda Guerra Mundial. O mostrado aqui é, talvez (e incrivelmente triste), uma história pouco contada a respeito da violência de tal evento histórico: a vida simples dos cidadãos japoneses que, apesar de terem sobrevivido a grande parte dos conflitos, foram afetados pela guerra.
Sem dúvida, o cinema japonês abordou tais histórias assim, mas o meu ponto é que poucas delas chegaram até nós.
No drama, assistimos ao adolescente Seita cuidando de sua irmã mais nova Setsuko, após ficarem longe dos pais. Nessa nova vida, os irmãos enfrentam várias situações extremas relativas à fome, doenças, conflitos interpessoais e, acima de tudo, sobrevivência.
Mas, como em todos os filmes do Studio Ghibli, a animação explora o belo da natureza e da inocência das crianças, principalmente de Setsuko.
É um filme que vale cada lágrima derramada. (Top #9 de 2024)
Quando você acha que o cinema já está chegando no limite do conceito de multiverso, este filme (seguindo os passos do primeiro) mostra o quanto ainda pode ser explorado. Com um ritmo frenético, a animação é uma explosão visual, fazendo o dinamismo do filme ficar elevado do início ao fim.
(Top #10 de 2024)
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Furiosa: Uma Saga Mad Max
3.7 701 Assista AgoraPor mais que o diretor George Miller tenha sustentado a caracterização e cenografia de Estrada da Fúria para manter a atmosfera bem produzida nesse filme da saga Mad Max, a história de origem da personagem Furiosa funciona totalmente e muito bem sozinha, e independe do primeiro filme. Claro que, se tratando de um prequel, isso seria importante e esperado, para não dizer necessário.
Mas a qualidade do filme não está apenas na atmosfera, ou em takes de duelo que remetem a filmes de faroeste que eu gosto tanto, ela se encontra também no ótimo storytelling, ao nos trazer um equilíbrio entre diálogos e cenas de ação, de grande apelo visual, que vão construindo a narrativa.
Depois de situações aterrorizantes vividas por Furiosa, interpretadas pela atriz Alyla Browne, enquanto criança, um detalhe excelente de passagem de tempo demonstrada por uma peruca presa a um galho, Anya Taylor-Joy aparece como a protagonista, um pouco mais velha, infiltrada no clã de Immortan Joe, com seus grandes olhos brilhantes e entrega, a partir dali, uma atuação visceral. (Top #1 de 2024)
Entrevista com o Demônio
3.4 777 Assista AgoraEste é um ótimo exemplo de que para um filme ser bom, não precisa ser uma grande produção.
Basicamente, acompanhamos a fita gravada do episódio de um talk show que nunca foi ao ar. Mas, antes de chegar a esse ponto, o filme contextualiza o protagonista (e apresentador do tal programa) através de um “documentário” sobre o sujeito. Para isso, o roteiro, alinhado à montagem do filme, é competente para nos dar informações suficientes que serão abordadas no decorrer da trama.
Como um detalhe interessante, o filme alterna a razão de aspecto para fazer uma distinção entre o que foi gravado para a TV, ou seja, a fita que estamos assistindo (4:3), e o que aconteceu no estúdio do talk show durante os intervalos comerciais (1.85:1). Entretanto, ao mostrar os bastidores, foi aplicado também um efeito visual em preto e branco, talvez para deixar ainda mais claro que se tratava de algo diferente da fita em questão, mas achei desnecessário. (Top #2 de 2024)
Deadpool & Wolverine
3.7 931 Assista AgoraAntes de ser considerado um filme de herói, Deadpool deve ser considerado uma comédia, para então o componente Marvel e afins entrarem na sequência. Assim, qualquer pessoa vai aproveitar a qualidade do que está assistindo.
Talvez, a parte ruim disso é que o filme está cheio de referências de demais filmes desse universo heroico e, portanto, alguns podem se perder e não achar graça no roteiro que eu, particularmente, achei genial, justamente por conseguir apresentar uma história simples, com atos bem estabelecidos e, acima de tudo, enfiar piada atrás de piada, sendo muitas delas, referências ao universo cinematográfico ou real. (Top #3 de 2024)
Fale Comigo
3.5 1,1K Assista AgoraCom um roteiro que encontra originalidade em abordar o tema de possessão, ao aplicar tal situação num contexto atual, onde jovens desafiam o sobrenatural e se filmam para postar on-line, Fale Comigo ganha destaque pelas obras do gênero.
O ritual de possessão é simples: há um objeto amaldiçoado, uma mão feita de cerâmica ou qualquer material do tipo, e que, ao ser tocado por alguém antes da pessoa pronunciar “fale comigo”, ela propositalmente permite que alguma entidade tome conta de seu corpo, além de trazer a ela, a visão do submundo.
Com maquiagem e efeito visual mínimos e competentes para demonstrar a possessão, a direção usa de boas movimentações de câmera e uso da profundidade de campo para compor a mise-en-scène central. (Top #4 de 2024)
Palm Springs
3.7 497 Assista AgoraEste veio do nada e me acertou em cheio! Com a intenção (e execução competente) de tratar de multiverso como algo clichê, para o enredo do cara que está preso num looping temporal, e que vive o mesmo dia todos os dias, Palm Springs é uma comédia ácida que consegue encontrar originalidade na resolução de seus problemas.
J. K. Simons rouba a cena (como de costume) ao protagonizar algumas situações violentas e engraçadas daquele absurdo que seu personagem está vivendo, ao lado dos personagens de Andy Samberg, sua vítima, e de Cristin Milioti, a mais inteligente dos dois. (Top #5 de 2024)
Saneamento Básico, O Filme
3.7 842 Assista AgoraFalando em filmes bons que eu deixei passar, depois de assistir a este daqui, eu posso afirmar (com o poder que Deus me deu) de que Jorge Furtado é um dos melhores cineastas do Brasil. Essa opinião já vinha se formando desde quando assisti ao O Homem Que Copiava, mas esse daqui me garantiu de vez.
É incrível pensar que o diretor tirou uma história tão legal, a partir da premissa de um grupo de pessoas “comuns” que precisava produzir um filme independente e, assim, arrecadar dinheiro para investir num tratamento de esgoto da cidade.
Furtado aproveita o enredo para mostrar, de maneira cômica, todos os desafios que passam aqueles que fazem (ou pretendem fazer) cinema, e que ele próprio possa ter vivido. (Top #6 de 2024)
Central do Brasil
4.1 1,9K Assista AgoraUm filme que passou tantas vezes na TV, mas que eu só fui assistir este ano. Uma vantagem, de ter levado tantos anos para assistir, é perceber como o filme está fadado à longa consistência do cinema nacional e, não à toa, se consolida como um clássico.
A atuação de Fernanda Montenegro é, realmente, uma sacanagem de tão boa! E o mais absurdo (com permissão do exagero anedótico) é pensar que, naquela época, a mulher já estava beirando os 70 anos!
Vivendo por encontrar mais ótimos filmes, como esse, que eu também deixei passar. (Top #7 de 2024)
Divertida Mente 2
4.0 650 Assista AgoraDe certa maneira, a Pixar focar em continuações e não em novas histórias, me deixa um pouco frustrado por demonstrarem estarem amarrados ao lucro previsto em filmes produzidos (mas quais criadores do porte deles não estão, não é mesmo?). Ainda assim, depois de assistir a Divertida Mente 2, me pareceu óbvio que o filme merecia uma continuação, pois há muito a ser explorado no universo particular do filme.
Os novos caminhos e personagens que as emoções encontram na mente da Riley é uma somatória de criatividade, humor e animação impecáveis, características das quais a Pixar se estabeleceu como referência máxima. (Top #8 de 2024)
Túmulo dos Vagalumes
4.6 2,3K Assista AgoraSabe quando dizem que é difícil dizer que gostou de um filme triste, pelo fato dele te deixar triste? Pois é, isso acontece com este aqui. Mas, para ser justo, este filme não te deixa triste, ele te deixa devastado.
Túmulo dos Vagalumes conta uma história adjacente a outra história, a da Segunda Guerra Mundial. O mostrado aqui é, talvez (e incrivelmente triste), uma história pouco contada a respeito da violência de tal evento histórico: a vida simples dos cidadãos japoneses que, apesar de terem sobrevivido a grande parte dos conflitos, foram afetados pela guerra.
Sem dúvida, o cinema japonês abordou tais histórias assim, mas o meu ponto é que poucas delas chegaram até nós.
No drama, assistimos ao adolescente Seita cuidando de sua irmã mais nova Setsuko, após ficarem longe dos pais. Nessa nova vida, os irmãos enfrentam várias situações extremas relativas à fome, doenças, conflitos interpessoais e, acima de tudo, sobrevivência.
Mas, como em todos os filmes do Studio Ghibli, a animação explora o belo da natureza e da inocência das crianças, principalmente de Setsuko.
É um filme que vale cada lágrima derramada. (Top #9 de 2024)
Homem-Aranha: Através do Aranhaverso
4.3 564 Assista AgoraQuando você acha que o cinema já está chegando no limite do conceito de multiverso, este filme (seguindo os passos do primeiro) mostra o quanto ainda pode ser explorado. Com um ritmo frenético, a animação é uma explosão visual, fazendo o dinamismo do filme ficar elevado do início ao fim.
(Top #10 de 2024)