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Data de lançamento
16 Jan. 1998Duração
Dora, uma amargurada ex-professora, ganha a vida escrevendo cartas para pessoas analfabetas, que ditam o que querem contar às suas famílias. Ela embolsa o dinheiro sem sequer postar as cartas. Um dia, Josué, o filho de nove anos de idade de uma de suas clientes, acaba sozinho quando a mãe é morta em um acidente de ônibus. Ela reluta em cuidar do menino, mas se junta a ele em uma viagem pelo interior do Nordeste em busca do pai de Josué, que ele nunca conheceu.
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Assisti quando criança, não lembrava de nada. Resolvi rever e amei!
Existe um momento mágico no cinema em que a atuação transcende a técnica e se torna puro sopro de vida. É exatamente isso que Walter Salles alcançou ao colocar Fernanda Montenegro e o garoto Vinícius de Oliveira diante das lentes. A jornada de Dora, uma mulher cínica e amarga que escreve cartas para analfabetos no Rio de Janeiro, e do pequeno Josué, que perde a mãe e parte em busca de um pai que mal conhece, evoca a melhor tradição do neorrealismo italiano, mas com uma alma e uma luz essencialmente brasileiras.
O que torna a narrativa inesquecível é a recusa obstinada em cair no melodrama fácil. Quando o ônibus parte em direção ao sertão nordestino, o filme se transforma em uma odisseia silenciosa sobre a redescoberta da humanidade. A aridez da paisagem reflete perfeitamente a secura interior dos personagens, enquanto a câmera capta rostos marcados pelo tempo e pela esperança com uma delicadeza impressionante. Cada parada na estrada parece revelar uma camada a mais de um país imenso, contraditório e profundamente solitário.
Fernanda Montenegro entrega uma das maiores atuações da história da sétima arte. A transformação gradual de sua personagem não ocorre por meio de grandes discursos, mas em pequenos gestos, no olhar que se amolece e no peso que ela passa a carregar pelo outro. Ao lado dela, Vinícius de Oliveira traz uma vulnerabilidade genuína que desarma qualquer resistência do espectador. A química entre os dois é o coração pulsante da obra, sustentando momentos de cortar o coração sem nunca perder a dignidade.
No fim das contas, a obra nos lembra do poder fundamental da comunicação e da empatia em um mundo indiferente. As cartas que Dora inicialmente ignorava ou jogava fora tornam-se o fio condutor de uma cura mútua. É um filme que dói e acolhe na mesma medida, deixando uma marca indelével na memória de quem o assiste e reafirmando a capacidade do cinema de nos fazer enxergar o outro com compaixão.
05.08.2009
Um dos grandes filmes do Cinema Nacional, conta uma história emocionante e representa um verdadeiro retrato do povo brasileiro. O talento de Fernanda Montenegro é algo absurdo, a atriz já é uma figura eterna pela sua carreira, e aqui é merecedora de todos os elogios, indicações e prêmios que conquistou. Para completar, a sua dinâmica com Vinícius de Oliveira é tocante e é interessante acompanhá-los em sua jornada. No mais, fotografia, ambientação, roteiro e direção são aspectos muitos bem trabalhados no filme, acompanham a melancolia da história e envolvem todos que o assistem. O filme realmente merece todo o seu reconhecimento e a sua indicação ao Oscar foi extremamente digna.
Assistido novamente em 22 de agosto de 2026.
Nota: 8/10
IMPRIMATUR - visto no cinema em 1998:
Tão natural e poderoso... entre todas as indicações que o Brasil já teve ao Oscar, para mim, esse é o que mais merecia.
Avaliação em nota: 8.6