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Últimas opiniões enviadas

  • Rafael Dino

    Esse texto vai ter SPOILERS indiretos (?), não vou marcar um por um, mas fica aqui o aviso.

    Só vi dois filmes do Yorgos Lanthimos até agora - "Dente Canino" e e esse o qual vou comentar - e ficou claro pra mim que ele segue uma perspectiva muito voltada a "selvageria" humana, um lado mais cru e instintivo que possuímos dentro da gente e que em algum momento desabrocha. Isso se reflete nos diálogos mecânicos e na fotografia com cores frias, por exemplo.

    E aliado a isso apresenta referências a História, Psicologia e Filosofia que são fundamentais para entender essa cabeça engenhosa e as obras em si.

    Não sei se ele mantém a mesma pegada nos seus outros filmes mas acredito que sim. Já comentaram comigo sobre "O Lagosta" e parece que segue esse mesmo viés crítico e embasado no campo das ciências sociais.

    Em "Dente Canino" por exemplo ele utiliza a "Alegoria ou Mito da Caverna" de Platão que acaba sendo o aspecto central do roteiro. A partir disso Yorgos faz seus questionamentos e críticas a sociedade e as relações sociais etc. Não vou prosseguir pois aqui o assunto é outro filme haha Só citei "Dente Canino" pra exemplificar o que pontuei no início do texto.

    Em "O Sacrifício do Cervo Sagrado" já se retira do título a referência que vai ser o ponto central do roteiro: a tragédia "Ifigênia em Áulis" de Eurípides.
    Contextualizando: Quem assistiu "Tróia" ou leu algo sobre, vai ficar - mais ou menos - por dentro dessa história.
    De forma bem resumida: Paris levou Helena para Tróia e Agamêmnon declarou guerra. Posteriormente, na cidade de Áulis estava tudo organizado para a grande viagem até Tróia, só esperavam os ventos fortes que pudessem dar impulso as naus. Ventos esses que não vinham por causa de Ártemis, que propositalmente estabeleceu isso devido a Agamêmnon ter a provocado matando uma corça (cervo) e dizendo ser melhor cacador que ela (Ártemis era a deusa ligada a caça). Assim, os ventos só voltariam ao normal para impulsionar as naus caso Agamêmnon oferecesse como sacrifício sua filha mais velha, Ifigênia. Ele acata o pedido e cria um contexto falso para que a filha esteja no local que acontecerá o sacrifício. Em meio a isso ele se arrepende, mas o caos já está estabelecido. Então Ifigênia se oferece ao sacrifício pelo povo grego e Ártemis a transforma numa corça (cervo) morta.

    A analogia cabe perfeitamente ao que o filme propõe, só que com a pegada pessimista, "selvagem" do Yorgos. Ele trabalha com o ego do pai (que poderia assumir a culpa, que depois tem que escolher entre os filhos) com o ódio do filho que perdeu o pai e quer vingança (que poderia entender que talvez a responsabilidade não tenha sido do cirurgião, ou que o anestesista poderia ser o responsável) com a disputa entre os irmãos (que tentam agradar os pais para se "livrarem") só que tudo isso de uma forma bem perturbadora. Quem viu o filme vai se lembrar desses exemplos. E eles são impactantes, chocantes. Lembra muito o estilo do Haneke.

    Como falei anteriormente, Yorgos nos mostra como agimos no nosso lado mais selvagem, natural. Esse, "Dente Canino" e acredito que seus outros filmes nos colocam em situações e contextos improváveis, mas que se reais, apresentam atos e ações que não gostamos de ver, mas que seria muito plausível visto tudo que vemos e presenciamos nesse mundão de meu Deus.

    Ainda sobre o filme, vi gente questionando como o menino lá conseguiu "tocar o terror" daquela forma. Parecendo até ter super poderes. Talvez a maldição de Ártemis tenha referência direta a ele, dando essa licença poética de mandar e desmandar. Cabe interpretações.

    Enfim, essas são algumas interpretações que tive acerca do filme. E filmes como esse são sempre muito bem vindos.

    Yorgos Lanthimos entra na minha lista de diretores favoritos. Filmaço!

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