Acredito que esse é o tipo de obra que só funciona se você não teve nenhum contato com a obra de Murakami, se teve, a chance de ter desgostado da película do início ao fim é bem alta. O livro é de uma sensibilidade e magia sem igual, te envolve e te prende, o filme é um eterno "vir a ser", uma mistura de outros trechos do livro "O Homem sem mulheres", que na boca dos personagens de "Drive my car" dão a impressão de profanação ao livro. Me senti constrangida com a cena final e não consternada, uma agonia tremenda me tomou do início ao fim. Esse filme resume bem o perigo de adaptações, apesar da Academia ter adorado, não me convenceu nem um pouco.
Esse filme é fantástico em vários níveis, primeiramente pode parecer uma crítica à maternidade "opressiva", porém essa seria a visão mais rasa do que acontece no filme. Na verdade, ao mostrar e igualar homens e mulheres que abandonam seus lares ou não se sentem confortáveis na posição de pais, o roteiro desvenda as mazelas humanas, é o humano falho que está sendo retratado, não é a "mãe contra a parede". Ele choca simplesmente porque estamos acostumados com a posição do homem em fazer o mesmo, quando uma mulher resolve se mostrar "egoísta" é algo que nos consterna. Para mim, esse filme fala de uma versão sem máscaras do "eu", a "mulher/mãe" é somente um constructo, o que está no centro é o "eu" que despreza as convenções sociais, a polidez, o afeto piegas, vivendo basicamente em torno de si mesmo e de suas vontades.
O filme foi construído propositalmente em caráter excessivo, não pensem que essa proximidade com o famoso "besteirol" americano é gratuita, o filme foi muito bem amarrado para nos passar uma sensação de incômodo e nos colocar contra a parede. O papel da boa comédia de costumes é esse, nos deixar agoniados, e fazer com que nos questionemos, "será que somos assim mesmo?", "será que não é exagero do filme?".
Acredito que não era uma intenção original do diretor Todd Phillips dar tamanha profundidade ao filme, só observar por exemplo, a quantidade de filmes nenhum pouco densos da carreira do diretor. Porém, a escolha de Joaquin Phoenix para o papel de Coringa mudou completamente os rumos do filme, que se tornou um retrato impactante de como um ator pode transcender os limites da atuação, todos os outros atores do filme se tornaram minúsculos perante a maestria evidenciada por ele. O próprio roteiro tornou-se menor, como se o personagem tivesse adquirido vida própria, e se imortalizado. Essa película é dolorosa e necessária nos dias atuais, para que lembremos da importância da empatia e de não lavarmos a mão perante aqueles que precisam de nós, já que ao ignorarmos a "escória" da sociedade, um dia ela pode se vingar de nós, com todo o ódio e ressentimento que nós mesmos implantamos por nosso desprezo.
Esse filme deveria ser passado e discutido em todos os espaços educacionais, já que ele é tão potente como documento histórico. A angústia que ele nos passa é sufocante e necessária, só assim compreendemos como o nazismo foi gestado no interior da Alemanha, ou seja, como aquela população conseguiu agir e permitir tamanha atrocidade com aqueles que em um passado não tão distante eram seus vizinhos e amigos. A fome, o desemprego, a raiva, e a pobreza alimentou o ódio, e esse mesmo ódio elegeu Hitler. Sejamos vigilantes, e que não deixemos o ódio gestar mais uma serpente.
Apesar de ser um filme que envolve o telespectador, esse filme peca profundamente com a falta de profundidade e o certo descaso dado à personagem Casey, sinceramente após o enredo nos revelar qual é sua história, eu não consegui mais prestar atenção no filme como antes, a Anya Taylor-Joy e sua versão mirim me tragaram, ou seja, mesmo com a atuação fantástica do James McAvoy, a história pareceu tão pequena e desinteressante em comparação à narrativa da Casey. Aparentemente o diretor apenas quis exemplificar o motivo dela ter sido poupada pela besta, mas acredito que acabou tendo um efeito tão pesado que desviou profundamente o rumo do filme.
Profundamente assustada com a quantidade de críticas desse filme, não compreendi o motivo de tantos cinéfilos considerarem esse filme sem sentido, enfadonho, ou pior ainda: machista. Uma das principais críticas que li giram em torno do enredo não "empoderador" da diretora Ash Mayfair. Primeiramente, esse filme é situado no Vietnã do século XIX, em um espaço extremamente conservador e agrário, nele um rico proprietário de terras controla sua propriedade, servos e esposas. Nesse cenário aparentemente chapado que a diretora tenta mostrar o tipo de agência que as mulheres possuíam naquele espaço, ou seja, de que maneira elas lidavam com seus medos, angústias e desejos. Em momento algum a diretora se propõe a evidenciar uma luta contra um sistema opressor, não há uma luta como compreendemos hoje, as mulheres retratadas são sujeitos do seu tempo, e é assim que são mostradas, extrapolar tão mensagem é inserir uma visão anacrônica e distorcida da História. A beleza do filme está nas brechas que essas mulheres encontravam para liberar seus sentimentos, seja através do prazer, ou da partilha com outras mulheres, que fiavam juntas uma história que lhes ultrapassavam,
Como uma futura professora, esse filme é mais que uma obra questionadora, mostra a distância que existe entre as utopias que nós como educadores trazemos, para com a realidade da sala de aula. É um retrato dramático que evidencia que é impossível afastar a modernidade que cada dia é mais nítida na sala de aula, cabe aos pedagogos trazer novidades e buscar um ensino multidisciplinar pois se isso não ocorrer ainda nesse século a escola está fadada a desaparecer..
Entre algumas críticas negativas, eu diria que o filme cumpre seu papel de arrebatamento amoroso, quem não desejaria passar um bela noite em Roma entregue ao mais pleno jogo de sedução de sua vida?
Quando terminei de assistir, tive uma leve sensação de saudosismo e de como a vida antes do "boom" das redes sociais em smartphones e aparelhos portáteis permitia uma interação tão intensa com os outros, talvez seja só saudosismo bobo, mas esse filme no século XXI teria um enredo curto: os jovens sentariam em suas cadeiras e ligariam seus Smartphones, nada aconteceria.
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Drive My Car
3.8 419 Assista AgoraAcredito que esse é o tipo de obra que só funciona se você não teve nenhum contato com a obra de Murakami, se teve, a chance de ter desgostado da película do início ao fim é bem alta. O livro é de uma sensibilidade e magia sem igual, te envolve e te prende, o filme é um eterno "vir a ser", uma mistura de outros trechos do livro "O Homem sem mulheres", que na boca dos personagens de "Drive my car" dão a impressão de profanação ao livro. Me senti constrangida com a cena final e não consternada, uma agonia tremenda me tomou do início ao fim. Esse filme resume bem o perigo de adaptações, apesar da Academia ter adorado, não me convenceu nem um pouco.
A Filha Perdida
3.6 581Esse filme é fantástico em vários níveis, primeiramente pode parecer uma crítica à maternidade "opressiva", porém essa seria a visão mais rasa do que acontece no filme. Na verdade, ao mostrar e igualar homens e mulheres que abandonam seus lares ou não se sentem confortáveis na posição de pais, o roteiro desvenda as mazelas humanas, é o humano falho que está sendo retratado, não é a "mãe contra a parede". Ele choca simplesmente porque estamos acostumados com a posição do homem em fazer o mesmo, quando uma mulher resolve se mostrar "egoísta" é algo que nos consterna. Para mim, esse filme fala de uma versão sem máscaras do "eu", a "mulher/mãe" é somente um constructo, o que está no centro é o "eu" que despreza as convenções sociais, a polidez, o afeto piegas, vivendo basicamente em torno de si mesmo e de suas vontades.
Não Olhe para Cima
3.7 1,9K Assista AgoraO filme foi construído propositalmente em caráter excessivo, não pensem que essa proximidade com o famoso "besteirol" americano é gratuita, o filme foi muito bem amarrado para nos passar uma sensação de incômodo e nos colocar contra a parede. O papel da boa comédia de costumes é esse, nos deixar agoniados, e fazer com que nos questionemos, "será que somos assim mesmo?", "será que não é exagero do filme?".
Coringa
4.4 4,1KAcredito que não era uma intenção original do diretor Todd Phillips dar tamanha profundidade ao filme, só observar por exemplo, a quantidade de filmes nenhum pouco densos da carreira do diretor. Porém, a escolha de Joaquin Phoenix para o papel de Coringa mudou completamente os rumos do filme, que se tornou um retrato impactante de como um ator pode transcender os limites da atuação, todos os outros atores do filme se tornaram minúsculos perante a maestria evidenciada por ele. O próprio roteiro tornou-se menor, como se o personagem tivesse adquirido vida própria, e se imortalizado. Essa película é dolorosa e necessária nos dias atuais, para que lembremos da importância da empatia e de não lavarmos a mão perante aqueles que precisam de nós, já que ao ignorarmos a "escória" da sociedade, um dia ela pode se vingar de nós, com todo o ódio e ressentimento que nós mesmos implantamos por nosso desprezo.
O Ovo da Serpente
4.0 134Esse filme deveria ser passado e discutido em todos os espaços educacionais, já que ele é tão potente como documento histórico. A angústia que ele nos passa é sufocante e necessária, só assim compreendemos como o nazismo foi gestado no interior da Alemanha, ou seja, como aquela população conseguiu agir e permitir tamanha atrocidade com aqueles que em um passado não tão distante eram seus vizinhos e amigos. A fome, o desemprego, a raiva, e a pobreza alimentou o ódio, e esse mesmo ódio elegeu Hitler. Sejamos vigilantes, e que não deixemos o ódio gestar mais uma serpente.
Fragmentado
3.9 3,0K Assista AgoraApesar de ser um filme que envolve o telespectador, esse filme peca profundamente com a falta de profundidade e o certo descaso dado à personagem Casey, sinceramente após o enredo nos revelar qual é sua história, eu não consegui mais prestar atenção no filme como antes, a Anya Taylor-Joy e sua versão mirim me tragaram, ou seja, mesmo com a atuação fantástica do James McAvoy, a história pareceu tão pequena e desinteressante em comparação à narrativa da Casey. Aparentemente o diretor apenas quis exemplificar o motivo dela ter sido poupada pela besta, mas acredito que acabou tendo um efeito tão pesado que desviou profundamente o rumo do filme.
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A Terceira Esposa
3.8 6Profundamente assustada com a quantidade de críticas desse filme, não compreendi o motivo de tantos cinéfilos considerarem esse filme sem sentido, enfadonho, ou pior ainda: machista. Uma das principais críticas que li giram em torno do enredo não "empoderador" da diretora Ash Mayfair. Primeiramente, esse filme é situado no Vietnã do século XIX, em um espaço extremamente conservador e agrário, nele um rico proprietário de terras controla sua propriedade, servos e esposas. Nesse cenário aparentemente chapado que a diretora tenta mostrar o tipo de agência que as mulheres possuíam naquele espaço, ou seja, de que maneira elas lidavam com seus medos, angústias e desejos. Em momento algum a diretora se propõe a evidenciar uma luta contra um sistema opressor, não há uma luta como compreendemos hoje, as mulheres retratadas são sujeitos do seu tempo, e é assim que são mostradas, extrapolar tão mensagem é inserir uma visão anacrônica e distorcida da História. A beleza do filme está nas brechas que essas mulheres encontravam para liberar seus sentimentos, seja através do prazer, ou da partilha com outras mulheres, que fiavam juntas uma história que lhes ultrapassavam,
Entre os Muros da Escola
3.9 361 Assista AgoraComo uma futura professora, esse filme é mais que uma obra questionadora, mostra a distância que existe entre as utopias que nós como educadores trazemos, para com a realidade da sala de aula. É um retrato dramático que evidencia que é impossível afastar a modernidade que cada dia é mais nítida na sala de aula, cabe aos pedagogos trazer novidades e buscar um ensino multidisciplinar pois se isso não ocorrer ainda nesse século a escola está fadada a desaparecer..
Moonrise Kingdom
4.2 2,1K Assista AgoraO doce desabrochar da juventude com um bela e inspiradora trilha sonora.
Um Quarto em Roma
3.4 503Entre algumas críticas negativas, eu diria que o filme cumpre seu papel de arrebatamento amoroso, quem não desejaria passar um bela noite em Roma entregue ao mais pleno jogo de sedução de sua vida?
Clube dos Cinco
4.2 2,7K Assista AgoraQuando terminei de assistir, tive uma leve sensação de saudosismo e de como a vida antes do "boom" das redes sociais em smartphones e aparelhos portáteis permitia uma interação tão intensa com os outros, talvez seja só saudosismo bobo, mas esse filme no século XXI teria um enredo curto: os jovens sentariam em suas cadeiras e ligariam seus Smartphones, nada aconteceria.