Um grupo de amigos se reúne em uma data marcada para jogar umas brincadeiras super legais que finalmente não envolvem uso de drogas com procedência desconhecida, locais inóspitos e outras coisas inadequadas. Mas, como no terror NADA é seguro, nem sequer uma brincadeira quase inocente conseguiu escapar da presença de um espírito maligno, que invade a casa da galera pra transformar um jogo de "estátua" em, segundo as palavras do cavaleiro de ouro de câncer Máscara da Morte, um "verdadeiro banho de sangue". Longa de terror produzido para o festival Bloody Cuts de 2013 e vitorioso na categoria de melhor curta com demônios, Não se Mova é uma produção de baixo orçamento visceral e muito tensa, mostrando como é possível deturbar uma brincadeira clássica em um game completamente assimetrico, injusto e pavoroso. Transportando a criatura lá do Labirinto do Fauno diretamente para o mundo moderno (criatividade nesse caso faltou), porém em uma versão com um upgrade sinistro e com uns 25 levels a mais, o monstro vai dizimando impiedosamente cada personagem após o mínimo movimento, resultando em um curta muito satisfatório para quem gosta de ver muita gente se fudendo legal (não no sentido literal). Muito funcional e incrivelmente minimalista, já que os aproximadamente 14 minutos de obra ocorrem em um mesmo espaço, a sala da casa de um dos personagens, o trabalho da equipe de produção é muito facilitado, mas isso não quer dizer que os closes, enquadramentos, planos e profundidade são deixados de lado. Lembro que assisti pela primeira vez com uns amigos e fizemos apostas sobre quem sobreviveria no final, e todos ficamos bastante surpresos, já que o tempo de tela é muito bem utilizado para revelar uma reviravolta bastante imprevisível. Vale a pena mesmo. Não se Mova é uma obra experimental divertida e pesada, que se propõe a se desligar de narrativas e enrolações para mostrar o que quer desde o início: matar gente e não poupar nem o forevas.
Em uma Coreia do Sul tomada por desastres naturais, onde violentos fenômenos destroem cidades e famílias, um corpo sem identificação, vítima de um acidente fatal, é levado para um obituário, onde ocorrerá o velório. No local, então, um solitário homem, que viu sua filha desaparecer há mais de 7 anos, e um estranho casal, que também relata a fuga da filha ainda aos 16, brigam para confirmar o parentesco com a falecida, ao mesmo tempo que muitas verdades vêm à tona e o caso ganha proporções desastrosas. Primeira produção de Park Chan-wook, diretor do lendário thriller Oldboy, Judgement é um curta metragem inaugural interessante, que já revela as marcas oldschool e filmográficas que irão, logo em seguida, marcar a carreira do diretor. Com uma narrativa simples de disputa familiar e pessoal entre duas situações completamente diferentes, a história se desenrola naturalmente, criando um ar bastante tenso em uma sala com um cadáver, algo que, por si só, já agrega um valor sinistro à trama. Apresentado completamente em preto e branco e centrado em diálogos, recurso tradicional e que se consolidou no cinema sul-coreano, sempre com muitos desentendimentos e conversas rápidas e atravessadas, a surpreendente produção semiepisódica possui um impacto muito único, contando com uma narrativa original, tensa e muito firme. Apesar da consequente falta de carisma, que não instiga o espectador a participar do debate, e, em suas devidas proporções, o até então amadorismo da direção, que resulta em um curta com falhas técnicas pontuais, Judgement é um ótimo filme experimental e que dá um gostinho do que já sabemos que veio logo depois. Com muitas referências ao cinema de época norte-americano, principalmente a clara inspiração no clássico Onze Homens e uma Sentença, premiado longa de 1957, a obra coreana aponta direções interessantes e pautas muito válidas, reforçando as questões de disputas de ego e autoritarismo, além do poder decisório e impositivo que as aparências podem desenvolver.
ALERTA DE FILMÃO Durante a Guerra do Vietnã, estranhos relatos sobre a suposta existência de uma força sobrenatural passam a percorrer os acampamentos das tropas norte-americanas. Entre os boatos, muito se fala sobre a existência de um "deus do rio" que estaria exterminando os inimigos sem dó e recrutando vietcongues para lutarem ao seu lado. Poucos soldados corajosos se veem sem saída do território invasor e se unem para tentar descobrir uma forma de destruir de vez a implacável ameaça, que vem se mostrando cada vez mais difícil de ser combatida. Puta merda, onde essa porra desse curta-metragem estava enterrado que eu só fui descobrir agora??? Produzido pela Oats Studios, Firebase é um curta de terror e ficção científica, uma combinação que tem de tudo para dar certo, e com um leve e inspirado apelo dramático, apresentado atraves de uma trilha sonora SENSACIONAL e uma montagem e fotografias que dão um banho em MUITA produção de Hollywood. Supostamente episódico, sendo Firebase o volume 1 do que poderá vir a ser uma sequência de curtas que narram os eventos sinistros ocorridos em um Vietnã fictício, a produção diz para o que veio e bate no peito com muita firmeza ao trazer algo autoral, impressionantemente bem realizado para os padrões de um curta e muito impactante. Destaque fica por conta dos efeitos especiais, bastante presentes do início ao fim e cara, puta que pariu, literalmente é coisa de outro mundo. Tenho nem o que comentar sobre a realização gráfica da obra, pois realmente choca demais. Firebase prova, mais uma vez, a importância dos curtas no mercado atual, resultando em uma obra competente que não queremos que acabe. Muito intrigante, com um roteiro bem desenvolvido e fiel e uma autoria de fazer inveja a muita gente grande, difícil mesmo é encontrar um fio de cabelo que não esteja arrepiado. E olha que ja olhei pra baixo.
Durante uma viagem, dois assistentes sociais encontram, largada no meio da mata, uma jovem completamente desnutrida e em estado de choque, incapaz de falar qualquer coisa ou explicar o que possa ter acontecido para o abandono. Perdidos e sem qualquer direcionamento sobre o que fazer com a garota, acabam a levando para um hospital local, que se responsabiliza por seu tratamento e pela investigação de sua história. Sem aparentar nem um pouco ser uma pessoa normal, a garota guarda um segredo estranho, que balançará completamente os membros da instituição. Com uma história muito interessante e intrigante e, assim como ocorre em boa parte dos curta-metragens, com MUITO potencial, The Mare é uma produção esteticamente elegante, toda apresentada em preto e branco e remontando os clássicos de Ingmar Bergman, com planos longos fotográficos e uma ambientação que fala por si. Bem montado e objetivo, o filme conduz o público a um trajeto misterioso e realmente incômodo, especialmente quando foca na bizarrissima menina, sempre silenciosa, estática e imprevisível. Contando com uma evolução brusca e uma revelação até que surpreendente para uma produção de curta duração, a obra não consegue entregar algo mais bem feito devido a pressa e a falta de preciosismo e, de certa forma, modernidade, encerrando literalmente do nada e deixando um gosto de 'quero mais' que sabemos que não irá acontecer. Infelizmente há uma certa preguiça técnica, especialmente nos aspectos sonoros, que falam pouco e colaboram quase nada com a tensão, principalmente em um momento chave que soa extremamente robótico. Bem filmado e articulado, The Mare promete mais do que entrega, mas enaltece a importância de resgatar conceitos clássicos e da tendência e traze-los como elementos centrais, sutis ou não.
Uma mulher grávida vive em meio a constantes abusos físicos e psicológicos, muito violentos quando seu marido se embriaga e desconta a fúria na família. Pensando em uma alternativa para eliminar de vez o sofrimento e a amargura da mãe, a filha única do casal tenta convencê-la a fugir de casa e deixar o agressor sozinho, até que, após encontrar um misterioso artefato em uma feira nas ruas, descobre que uma entidade maligna pode estar disposta a resolver o problema de seu pai por ela. Curta-metragem nacional exibido em diversos festivais pelo país desde 2018, mas lançado ao público neste ano, Âmago é uma produção potente e visualmente dolorosa e incômoda, retratando uma imagem selvagem de uma família suburbana e as consequências extremas que abusos podem causar. Contando com uma fotografia e uma direção de arte simples, mas extremamente profissionais e que conseguem transmitir as mensagens junto aos diversos outros recursos técnicos, principalmente os famosos ruídos sobrenaturais e sombrios de arrastados, música disforme e sons tortos, o curta alcança o alto nível das mais recentes obras brasileiras, especialmente o terror nacional, que vem ganhando um charme e uma popularização enorme nos últimos anos. A pouca presença de diálogos reforça o ar pesado e afastado da família, uma melancolia grave que contribui com a atmosfera perturbadora e distante de laços, onde o sofrimento dos personagens sobrepõe as virtudes, transformando-os em sobreviventes desesperados, mas contidos, sendo tudo transmitido de forma clara, como é esperado de produções com pouco tempo de tela. Gradativo, a obra soube mergulhar e adaptar recursos modernos e de sucesso do cinema internacional, podendo ser facilmente confundido com um projeto da indústria A desde seus primeiros minutos, mas tendo uma identidade forte e interessante repleta de um gore contido, não-apelativo e convincente. Âmago aponta um futuro promissor à produção nacional do gênero e consolida a produtora Das Ruas Produções como uma em que vale a pena estar atento de hoje em diante.
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Não se Mova
3.7 59Um grupo de amigos se reúne em uma data marcada para jogar umas brincadeiras super legais que finalmente não envolvem uso de drogas com procedência desconhecida, locais inóspitos e outras coisas inadequadas.
Mas, como no terror NADA é seguro, nem sequer uma brincadeira quase inocente conseguiu escapar da presença de um espírito maligno, que invade a casa da galera pra transformar um jogo de "estátua" em, segundo as palavras do cavaleiro de ouro de câncer Máscara da Morte, um "verdadeiro banho de sangue".
Longa de terror produzido para o festival Bloody Cuts de 2013 e vitorioso na categoria de melhor curta com demônios, Não se Mova é uma produção de baixo orçamento visceral e muito tensa, mostrando como é possível deturbar uma brincadeira clássica em um game completamente assimetrico, injusto e pavoroso.
Transportando a criatura lá do Labirinto do Fauno diretamente para o mundo moderno (criatividade nesse caso faltou), porém em uma versão com um upgrade sinistro e com uns 25 levels a mais, o monstro vai dizimando impiedosamente cada personagem após o mínimo movimento, resultando em um curta muito satisfatório para quem gosta de ver muita gente se fudendo legal (não no sentido literal).
Muito funcional e incrivelmente minimalista, já que os aproximadamente 14 minutos de obra ocorrem em um mesmo espaço, a sala da casa de um dos personagens, o trabalho da equipe de produção é muito facilitado, mas isso não quer dizer que os closes, enquadramentos, planos e profundidade são deixados de lado.
Lembro que assisti pela primeira vez com uns amigos e fizemos apostas sobre quem sobreviveria no final, e todos ficamos bastante surpresos, já que o tempo de tela é muito bem utilizado para revelar uma reviravolta bastante imprevisível. Vale a pena mesmo.
Não se Mova é uma obra experimental divertida e pesada, que se propõe a se desligar de narrativas e enrolações para mostrar o que quer desde o início: matar gente e não poupar nem o forevas.
via Instagram @vendonoescuro
Judgement
3.7 20Em uma Coreia do Sul tomada por desastres naturais, onde violentos fenômenos destroem cidades e famílias, um corpo sem identificação, vítima de um acidente fatal, é levado para um obituário, onde ocorrerá o velório.
No local, então, um solitário homem, que viu sua filha desaparecer há mais de 7 anos, e um estranho casal, que também relata a fuga da filha ainda aos 16, brigam para confirmar o parentesco com a falecida, ao mesmo tempo que muitas verdades vêm à tona e o caso ganha proporções desastrosas.
Primeira produção de Park Chan-wook, diretor do lendário thriller Oldboy, Judgement é um curta metragem inaugural interessante, que já revela as marcas oldschool e filmográficas que irão, logo em seguida, marcar a carreira do diretor.
Com uma narrativa simples de disputa familiar e pessoal entre duas situações completamente diferentes, a história se desenrola naturalmente, criando um ar bastante tenso em uma sala com um cadáver, algo que, por si só, já agrega um valor sinistro à trama.
Apresentado completamente em preto e branco e centrado em diálogos, recurso tradicional e que se consolidou no cinema sul-coreano, sempre com muitos desentendimentos e conversas rápidas e atravessadas, a surpreendente produção semiepisódica possui um impacto muito único, contando com uma narrativa original, tensa e muito firme.
Apesar da consequente falta de carisma, que não instiga o espectador a participar do debate, e, em suas devidas proporções, o até então amadorismo da direção, que resulta em um curta com falhas técnicas pontuais, Judgement é um ótimo filme experimental e que dá um gostinho do que já sabemos que veio logo depois.
Com muitas referências ao cinema de época norte-americano, principalmente a clara inspiração no clássico Onze Homens e uma Sentença, premiado longa de 1957, a obra coreana aponta direções interessantes e pautas muito válidas, reforçando as questões de disputas de ego e autoritarismo, além do poder decisório e impositivo que as aparências podem desenvolver.
Via Instagram @vendonoescuro
Firebase
3.5 21ALERTA DE FILMÃO
Durante a Guerra do Vietnã, estranhos relatos sobre a suposta existência de uma força sobrenatural passam a percorrer os acampamentos das tropas norte-americanas. Entre os boatos, muito se fala sobre a existência de um "deus do rio" que estaria exterminando os inimigos sem dó e recrutando vietcongues para lutarem ao seu lado.
Poucos soldados corajosos se veem sem saída do território invasor e se unem para tentar descobrir uma forma de destruir de vez a implacável ameaça, que vem se mostrando cada vez mais difícil de ser combatida.
Puta merda, onde essa porra desse curta-metragem estava enterrado que eu só fui descobrir agora??? Produzido pela Oats Studios, Firebase é um curta de terror e ficção científica, uma combinação que tem de tudo para dar certo, e com um leve e inspirado apelo dramático, apresentado atraves de uma trilha sonora SENSACIONAL e uma montagem e fotografias que dão um banho em MUITA produção de Hollywood.
Supostamente episódico, sendo Firebase o volume 1 do que poderá vir a ser uma sequência de curtas que narram os eventos sinistros ocorridos em um Vietnã fictício, a produção diz para o que veio e bate no peito com muita firmeza ao trazer algo autoral, impressionantemente bem realizado para os padrões de um curta e muito impactante.
Destaque fica por conta dos efeitos especiais, bastante presentes do início ao fim e cara, puta que pariu, literalmente é coisa de outro mundo. Tenho nem o que comentar sobre a realização gráfica da obra, pois realmente choca demais.
Firebase prova, mais uma vez, a importância dos curtas no mercado atual, resultando em uma obra competente que não queremos que acabe.
Muito intrigante, com um roteiro bem desenvolvido e fiel e uma autoria de fazer inveja a muita gente grande, difícil mesmo é encontrar um fio de cabelo que não esteja arrepiado. E olha que ja olhei pra baixo.
Via Instagram @vendonoescuro
The Mare
2.8 1Durante uma viagem, dois assistentes sociais encontram, largada no meio da mata, uma jovem completamente desnutrida e em estado de choque, incapaz de falar qualquer coisa ou explicar o que possa ter acontecido para o abandono.
Perdidos e sem qualquer direcionamento sobre o que fazer com a garota, acabam a levando para um hospital local, que se responsabiliza por seu tratamento e pela investigação de sua história.
Sem aparentar nem um pouco ser uma pessoa normal, a garota guarda um segredo estranho, que balançará completamente os membros da instituição.
Com uma história muito interessante e intrigante e, assim como ocorre em boa parte dos curta-metragens, com MUITO potencial, The Mare é uma produção esteticamente elegante, toda apresentada em preto e branco e remontando os clássicos de Ingmar Bergman, com planos longos fotográficos e uma ambientação que fala por si.
Bem montado e objetivo, o filme conduz o público a um trajeto misterioso e realmente incômodo, especialmente quando foca na bizarrissima menina, sempre silenciosa, estática e imprevisível.
Contando com uma evolução brusca e uma revelação até que surpreendente para uma produção de curta duração, a obra não consegue entregar algo mais bem feito devido a pressa e a falta de preciosismo e, de certa forma, modernidade, encerrando literalmente do nada e deixando um gosto de 'quero mais' que sabemos que não irá acontecer.
Infelizmente há uma certa preguiça técnica, especialmente nos aspectos sonoros, que falam pouco e colaboram quase nada com a tensão, principalmente em um momento chave que soa extremamente robótico.
Bem filmado e articulado, The Mare promete mais do que entrega, mas enaltece a importância de resgatar conceitos clássicos e da tendência e traze-los como elementos centrais, sutis ou não.
via Instagram @vendonoescuro
Âmago
3.3 3Uma mulher grávida vive em meio a constantes abusos físicos e psicológicos, muito violentos quando seu marido se embriaga e desconta a fúria na família.
Pensando em uma alternativa para eliminar de vez o sofrimento e a amargura da mãe, a filha única do casal tenta convencê-la a fugir de casa e deixar o agressor sozinho, até que, após encontrar um misterioso artefato em uma feira nas ruas, descobre que uma entidade maligna pode estar disposta a resolver o problema de seu pai por ela.
Curta-metragem nacional exibido em diversos festivais pelo país desde 2018, mas lançado ao público neste ano, Âmago é uma produção potente e visualmente dolorosa e incômoda, retratando uma imagem selvagem de uma família suburbana e as consequências extremas que abusos podem causar.
Contando com uma fotografia e uma direção de arte simples, mas extremamente profissionais e que conseguem transmitir as mensagens junto aos diversos outros recursos técnicos, principalmente os famosos ruídos sobrenaturais e sombrios de arrastados, música disforme e sons tortos, o curta alcança o alto nível das mais recentes obras brasileiras, especialmente o terror nacional, que vem ganhando um charme e uma popularização enorme nos últimos anos.
A pouca presença de diálogos reforça o ar pesado e afastado da família, uma melancolia grave que contribui com a atmosfera perturbadora e distante de laços, onde o sofrimento dos personagens sobrepõe as virtudes, transformando-os em sobreviventes desesperados, mas contidos, sendo tudo transmitido de forma clara, como é esperado de produções com pouco tempo de tela.
Gradativo, a obra soube mergulhar e adaptar recursos modernos e de sucesso do cinema internacional, podendo ser facilmente confundido com um projeto da indústria A desde seus primeiros minutos, mas tendo uma identidade forte e interessante repleta de um gore contido, não-apelativo e convincente.
Âmago aponta um futuro promissor à produção nacional do gênero e consolida a produtora Das Ruas Produções como uma em que vale a pena estar atento de hoje em diante.