Um filme que achei bem interessante, principalmente pelas questões que levanta sobre o papel da mulher na sociedade e sobre o que esperamos que aconteça com uma mulher depois que ela se torna mãe.
A protagonista abandona a carreira para se dedicar integralmente ao filho, enquanto o marido continua trabalhando e, consequentemente, mantém boa parte da vida que tinha antes da chegada da criança. E é justamente aí que o filme acerta: mesmo sem ter um emprego remunerado, a jornada dela dentro de casa não diminui. Pelo contrário. Ela continua trabalhando o tempo inteiro, só que esse trabalho passa a ser invisível, não remunerado e, muitas vezes, tratado como se fosse uma consequência natural de ser mãe.
A dinâmica entre ela e o marido deixa isso muito evidente. Ele até participa dos cuidados, mas ela continua sendo a pessoa que sabe onde estão as coisas, o que o filho precisa, quando precisa dormir, comer, tomar banho etc. Ou seja, ela não apenas cuida: ela administra toda a estrutura do cuidado.
E acho interessante pensar nisso junto com Manifesto Antimaternalista, da Vera Iaconelli. O livro questiona justamente essa ideia de que o cuidado das próximas gerações deve ser colocado quase automaticamente sobre as mulheres. Iaconelli também discute como a maternidade foi historicamente associada ao espaço doméstico, enquanto aos homens ficou reservado o trabalho remunerado e a vida pública.
Por isso, a fala da protagonista sobre como as mulheres mudam depois do parto me chamou bastante atenção. Existe uma transformação real — física, emocional, psicológica e também social — mas o problema está em tratarmos essa transformação como se ela significasse necessariamente o desaparecimento da mulher que existia antes da maternidade. Como se, depois de ser mãe, ela precisasse abrir mão da carreira, dos desejos, da sexualidade, da individualidade e até de uma parte da própria identidade.
E é aí que entra a escolha do cachorro como metáfora. Para mim, a transformação em "cachorro" conversa muito com essa ideia de instinto materno: aquilo que esperamos que a mulher sinta e faça "naturalmente" quando se torna mãe. Ela passa a ser vista quase como um animal guiado pelo instinto, pelo cuidado e pela proteção da cria. Ao mesmo tempo, o lado selvagem da personagem também representa aquilo que ela precisou reprimir para caber no modelo de mãe, esposa e dona de casa que esperavam dela.
O mais interessante é que Canina não termina como uma história trágica ou perturbadora. E acho que isso é importante. No fim, a questão não parece ser "maternidade é ruim", mas sim: por que a maternidade precisa significar o abandono de tantas outras partes da identidade de uma mulher?
É um filme legal, talvez até mais simples do que a proposta inicial faz parecer, mas que deixa uma reflexão muito boa: será que o problema está na maternidade em si ou na maneira como a sociedade construiu o papel da mãe?
No fim, talvez a grande questão seja justamente essa: a mulher precisa deixar de ser mulher para conseguir ser mãe?
The Wizard of Oz é uma obra clássica tanto da literatura quanto do cinema, e justamente por isso acaba recebendo inúmeras releituras e interpretações ao longo do tempo. O filme de 1939, inspirado no livro de L. Frank Baum, carrega toda a grandiosidade visual e musical típica da época, principalmente por seguir a tradição dos grandes musicais hollywoodianos que marcariam o cinema nas décadas seguintes.
Mesmo reconhecendo a importância histórica do filme, não consegui sentir nele a mesma nostalgia e o mesmo aconchego que senti ao ler o livro. É curioso porque, visualmente, o filme tenta encantar através das cores, dos cenários e da fantasia, mas assistindo hoje algumas escolhas parecem estranhas e até um pouco desconfortáveis. As maquiagens dos personagens, por exemplo, me causaram certa sensação de estranhamento, quase medo em alguns momentos. Talvez isso aconteça porque o imaginário criado pela leitura do livro é muito mais delicado e acolhedor do que aquilo que o filme consegue transmitir.
Ainda assim, a mensagem central da história permanece muito forte: a coragem, o amor e a inteligência já existem dentro de cada pessoa. O Leão, o Homem de Lata e o Espantalho acreditavam precisar receber essas qualidades de Oz, quando na verdade já demonstravam possuir tudo aquilo durante a jornada. No filme, senti que isso ficou claro desde cedo, enquanto no livro existe um pouco mais de mistério em torno da figura do Mágico de Oz. Mesmo assim, gosto muito da maneira como os “presentes” dados por Oz funcionam como símbolos e metáforas para aquilo que cada personagem precisava reconhecer em si mesmo.
Também achei interessante uma possível coincidência entre Dorothy e Clark Kent. Ambos vêm do Kansas e carregam uma narrativa muito ligada às origens, à família e ao retorno para casa. Existe também uma relação simbólica com pedras e a cor verde: a Cidade das Esmeraldas, em Oz, e a kryptonita no universo do Superman. No livro, inclusive, os personagens precisam usar óculos para suportar o brilho verde da cidade. Tanto Dorothy quanto Clark vivem jornadas de amadurecimento, enfrentam o bem e o mal, aprendem com as experiências da vida e criam laços importantes antes de se despedirem de amigos e retornarem às suas raízes.
Talvez seja exatamente por isso que essa história continue tão viva até hoje. The Wonderful Wizard of Oz não é apenas uma fantasia infantil, mas uma narrativa sobre crescimento, pertencimento e autodescoberta. E justamente por carregar temas tão universais, continuará sendo revisitada por diferentes artistas e gerações do cinema.
O filme A Paris Errada, estrelado por Miranda Cosgrove, é uma comédia leve e encantadora, perfeita para quem gosta de histórias divertidas e cheias de situações inusitadas. Achei o filme super divertido e gostei muito da temática, que mistura humor, autodescoberta e um toque de romance.
Os personagens são cativantes e bem construídos, cada um contribuindo para os momentos de humor e também para as pequenas reflexões sobre amadurecimento e escolhas. Miranda Cosgrove está carismática e espontânea, trazendo um frescor que combina com o tom descontraído da narrativa.
A fotografia também é um destaque: as cores vibrantes e os cenários agradáveis criam uma atmosfera leve, que dá vontade de estar naquele universo. Tudo no filme tem aquele clima gostoso de “sessão da tarde” — uma história divertida, envolvente e com um final que deixa o coração leve.
O filme Caramelo, estrelado por Rafael Vitti, é uma obra tocante que aborda o tema do câncer de forma sensível e profunda. O que mais me comoveu foi o fato de o protagonista ser jovem, algo que reflete uma realidade cada vez mais presente no Brasil, onde a doença tem atingido também pessoas nessa faixa etária.
Além de retratar a luta contra o câncer, o filme destaca a relação entre o protagonista e seu cachorro, Caramelo. Essa amizade sincera e afetuosa se torna um dos pilares emocionais da narrativa. O animal funciona quase como um símbolo de amor incondicional e companheirismo, oferecendo conforto e leveza nos momentos mais difíceis. Essa conexão entre homem e cão traz um equilíbrio bonito entre dor e ternura, mostrando que o afeto pode ser uma forma poderosa de cura.
A trilha sonora e a fotografia são igualmente marcantes: as músicas criam uma atmosfera emocional que acompanha bem o ritmo da história, enquanto a fotografia realça a beleza dos detalhes e reforça o tom poético do enredo.
Outro ponto positivo é que Caramelo foge dos clichês típicos de filmes sobre doenças graves. A narrativa é diferente, autêntica e envolvente, conduzindo o espectador por um caminho de reflexão sobre a vida, a juventude e o valor dos vínculos que construímos.
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Canina
3.0 181 Assista AgoraCanina (2024)
Um filme que achei bem interessante, principalmente pelas questões que levanta sobre o papel da mulher na sociedade e sobre o que esperamos que aconteça com uma mulher depois que ela se torna mãe.
A protagonista abandona a carreira para se dedicar integralmente ao filho, enquanto o marido continua trabalhando e, consequentemente, mantém boa parte da vida que tinha antes da chegada da criança. E é justamente aí que o filme acerta: mesmo sem ter um emprego remunerado, a jornada dela dentro de casa não diminui. Pelo contrário. Ela continua trabalhando o tempo inteiro, só que esse trabalho passa a ser invisível, não remunerado e, muitas vezes, tratado como se fosse uma consequência natural de ser mãe.
A dinâmica entre ela e o marido deixa isso muito evidente. Ele até participa dos cuidados, mas ela continua sendo a pessoa que sabe onde estão as coisas, o que o filho precisa, quando precisa dormir, comer, tomar banho etc. Ou seja, ela não apenas cuida: ela administra toda a estrutura do cuidado.
E acho interessante pensar nisso junto com Manifesto Antimaternalista, da Vera Iaconelli. O livro questiona justamente essa ideia de que o cuidado das próximas gerações deve ser colocado quase automaticamente sobre as mulheres. Iaconelli também discute como a maternidade foi historicamente associada ao espaço doméstico, enquanto aos homens ficou reservado o trabalho remunerado e a vida pública.
Por isso, a fala da protagonista sobre como as mulheres mudam depois do parto me chamou bastante atenção. Existe uma transformação real — física, emocional, psicológica e também social — mas o problema está em tratarmos essa transformação como se ela significasse necessariamente o desaparecimento da mulher que existia antes da maternidade. Como se, depois de ser mãe, ela precisasse abrir mão da carreira, dos desejos, da sexualidade, da individualidade e até de uma parte da própria identidade.
E é aí que entra a escolha do cachorro como metáfora. Para mim, a transformação em "cachorro" conversa muito com essa ideia de instinto materno: aquilo que esperamos que a mulher sinta e faça "naturalmente" quando se torna mãe. Ela passa a ser vista quase como um animal guiado pelo instinto, pelo cuidado e pela proteção da cria. Ao mesmo tempo, o lado selvagem da personagem também representa aquilo que ela precisou reprimir para caber no modelo de mãe, esposa e dona de casa que esperavam dela.
O mais interessante é que Canina não termina como uma história trágica ou perturbadora. E acho que isso é importante. No fim, a questão não parece ser "maternidade é ruim", mas sim: por que a maternidade precisa significar o abandono de tantas outras partes da identidade de uma mulher?
É um filme legal, talvez até mais simples do que a proposta inicial faz parecer, mas que deixa uma reflexão muito boa: será que o problema está na maternidade em si ou na maneira como a sociedade construiu o papel da mãe?
No fim, talvez a grande questão seja justamente essa: a mulher precisa deixar de ser mulher para conseguir ser mãe?
O Morro dos Ventos Uivantes
2.9 308 Assista Agorasinceramente, não tem nada a ver com o livro. parece até sei lá, outra história
O Mágico de Oz
4.2 1,3K Assista AgoraThe Wizard of Oz é uma obra clássica tanto da literatura quanto do cinema, e justamente por isso acaba recebendo inúmeras releituras e interpretações ao longo do tempo. O filme de 1939, inspirado no livro de L. Frank Baum, carrega toda a grandiosidade visual e musical típica da época, principalmente por seguir a tradição dos grandes musicais hollywoodianos que marcariam o cinema nas décadas seguintes.
Mesmo reconhecendo a importância histórica do filme, não consegui sentir nele a mesma nostalgia e o mesmo aconchego que senti ao ler o livro. É curioso porque, visualmente, o filme tenta encantar através das cores, dos cenários e da fantasia, mas assistindo hoje algumas escolhas parecem estranhas e até um pouco desconfortáveis. As maquiagens dos personagens, por exemplo, me causaram certa sensação de estranhamento, quase medo em alguns momentos. Talvez isso aconteça porque o imaginário criado pela leitura do livro é muito mais delicado e acolhedor do que aquilo que o filme consegue transmitir.
Ainda assim, a mensagem central da história permanece muito forte: a coragem, o amor e a inteligência já existem dentro de cada pessoa. O Leão, o Homem de Lata e o Espantalho acreditavam precisar receber essas qualidades de Oz, quando na verdade já demonstravam possuir tudo aquilo durante a jornada. No filme, senti que isso ficou claro desde cedo, enquanto no livro existe um pouco mais de mistério em torno da figura do Mágico de Oz. Mesmo assim, gosto muito da maneira como os “presentes” dados por Oz funcionam como símbolos e metáforas para aquilo que cada personagem precisava reconhecer em si mesmo.
Também achei interessante uma possível coincidência entre Dorothy e Clark Kent. Ambos vêm do Kansas e carregam uma narrativa muito ligada às origens, à família e ao retorno para casa. Existe também uma relação simbólica com pedras e a cor verde: a Cidade das Esmeraldas, em Oz, e a kryptonita no universo do Superman. No livro, inclusive, os personagens precisam usar óculos para suportar o brilho verde da cidade. Tanto Dorothy quanto Clark vivem jornadas de amadurecimento, enfrentam o bem e o mal, aprendem com as experiências da vida e criam laços importantes antes de se despedirem de amigos e retornarem às suas raízes.
Talvez seja exatamente por isso que essa história continue tão viva até hoje. The Wonderful Wizard of Oz não é apenas uma fantasia infantil, mas uma narrativa sobre crescimento, pertencimento e autodescoberta. E justamente por carregar temas tão universais, continuará sendo revisitada por diferentes artistas e gerações do cinema.
Você de Novo
3.2 722 Assista Agorabem ruim
A Paris Errada
3.0 54 Assista AgoraO filme A Paris Errada, estrelado por Miranda Cosgrove, é uma comédia leve e encantadora, perfeita para quem gosta de histórias divertidas e cheias de situações inusitadas. Achei o filme super divertido e gostei muito da temática, que mistura humor, autodescoberta e um toque de romance.
Os personagens são cativantes e bem construídos, cada um contribuindo para os momentos de humor e também para as pequenas reflexões sobre amadurecimento e escolhas. Miranda Cosgrove está carismática e espontânea, trazendo um frescor que combina com o tom descontraído da narrativa.
A fotografia também é um destaque: as cores vibrantes e os cenários agradáveis criam uma atmosfera leve, que dá vontade de estar naquele universo. Tudo no filme tem aquele clima gostoso de “sessão da tarde” — uma história divertida, envolvente e com um final que deixa o coração leve.
Caramelo
3.6 238 Assista AgoraO filme Caramelo, estrelado por Rafael Vitti, é uma obra tocante que aborda o tema do câncer de forma sensível e profunda. O que mais me comoveu foi o fato de o protagonista ser jovem, algo que reflete uma realidade cada vez mais presente no Brasil, onde a doença tem atingido também pessoas nessa faixa etária.
Além de retratar a luta contra o câncer, o filme destaca a relação entre o protagonista e seu cachorro, Caramelo. Essa amizade sincera e afetuosa se torna um dos pilares emocionais da narrativa. O animal funciona quase como um símbolo de amor incondicional e companheirismo, oferecendo conforto e leveza nos momentos mais difíceis. Essa conexão entre homem e cão traz um equilíbrio bonito entre dor e ternura, mostrando que o afeto pode ser uma forma poderosa de cura.
A trilha sonora e a fotografia são igualmente marcantes: as músicas criam uma atmosfera emocional que acompanha bem o ritmo da história, enquanto a fotografia realça a beleza dos detalhes e reforça o tom poético do enredo.
Outro ponto positivo é que Caramelo foge dos clichês típicos de filmes sobre doenças graves. A narrativa é diferente, autêntica e envolvente, conduzindo o espectador por um caminho de reflexão sobre a vida, a juventude e o valor dos vínculos que construímos.