O Mandrax fez efeito rapidamente aqui. No centenário de nascimento de Callas, Larraín tinha tudo para produzir uma obra à altura do legado da artista e homenageá-la, mas apresentou algo arrastado, insosso e engessado.
O longa aborda mais os dramas e as minúcias pessoais do personagem Bernstein do que o seu legado — que não foi pequeno — como regente e compositor. Como diretor, Cooper poderia ter explorado melhor outros aspectos e momentos da história do seu personagem, o que tornaria o filme mais interessante e envolvente. Como ator, é notório a sua entrega ao papel, da caracterização ao ofício como maestro. No mais, fumar causa danos à saúde.
Até onde vai os limites de uma obsessão? Serebrennikov evidencia a decadência que a esposa "de fachada" de um dos maiores compositores russos e do mundo foi, pouco a pouco, se vendo diante da sua servidão doentia e apaixonada a um marido que nem sequer a considerava como alguém digna de ser amada. Para não confirmar os rumores de que era homossexual numa Rússia preconceituosa (é assustador que tantos anos depois pouca coisa mudou quanto a isso), Tchaikovsky não viu saída senão casar-se com uma mulher para manter a aparência de normalidade, do que esperavam de um homem de respeito naquela época, ao invés de declarar abertamente ser um "invertido". Sem dúvida, Alyona Mikhailova entregou o melhor e mais além no papel de Antonina Miliukova. A mistura de uma família repreensora, intolerante e fanática elucida em partes a neurose que Miliukova padeceu em vida até seus últimos dias num manicômio.
Um bocado arrastado e também sensacionalista, como a vida de uma grande celebridade deve ser. A cinebiografia expõe de forma intensa os abusos e submissões que Monroe teve que resignar-se ao longo de sua carreira, da infância difícil ao estrelato. Seus traços, o corpo esbelto e a beleza deslumbrante escondem uma vida privada conturbada e infeliz. Ana de Armas excelente no papel! Vale a pena.
É uma boa adaptação do primeiro romance de Kafka. Oferece em 120 minutos o essencial da obra literária. Assim como os outros dois romances que o escritor tcheco escreveria no futuro, "O Desparecido ou Amerika" não terminou de ser redigido, mas preconiza o que seria a característica fundamental e marcante das narrativas kafkianas: o sujeito submetido e cerceado por toda natureza de julgamentos, circunstâncias e normas que ele, mecanicamente, obedece.
Isso, ao meu ver, se reflete na atuação dos personagens que compõe o longa; os atores e atrizes parecem atuar para um público teatral, de modo maquinal e apático, não havendo naturalidade nos gestos e nos diálogos como conhecemos ou estamos acostumados a observar. Talvez a intenção do diretor fosse justamente essa, de transmitir a alienação e a sujeição que a obra literária, rica em detalhes e nuances, entrega tão notavelmente ao leitor pela escrita sóbria de Kafka. Por isso, qualifico como uma boa adaptação. Sugiro que leiam a obra primeiro e, só depois, assistam ao filme; o traço "jurídico" que permeia essa adaptação e as outras obras do escritor, será, naturalmente, notado.
No final de abril terminei a leitura de “Vozes de Tchernóbil” da escritora bielorrussa Svetlana Aleksiévitch. Um livro profundo que me impactou de verdade e que não esquecerei tão cedo. Seja por sua história ou por sua narrativa, os monólogos do início ao fim nos é contado de maneira tão crua e real que em algumas passagens, confesso, marejei os olhos e o coração se apertou. Acredito que mais do que isso, nos leva a refletir qual o limite – se é que há um – do ego e da ignorância do homem. Fiquei sabendo na primeira semana de maio sobre uma série produzida pela HBO justamente chamada “Chernobyl”, o que pra mim foi uma surpresa tremenda encontra-la. E sem dúvidas, uma das melhores coisas que eu assisti esse ano. Minuciosa nos detalhes, nas edições especiais, personagens e nos diálogos, a série remontou com fidelidade o acontecido na URSS. Não é a toa, voltando ao livro de Svetlana, que a obra da bielorrussa ganhou em 2015 o prêmio Nobel de Literatura por ser “um monumento ao sofrimento e à coragem de seu tempo”. Tchernóbil ou Chernobyl ainda é uma incógnita para o mundo...
Matrix Resurrections
2.8 1,3K Assista AgoraJamais pensei que veria o Agente Smith de sapatênis.
Maria Callas
3.1 129 Assista AgoraO Mandrax fez efeito rapidamente aqui. No centenário de nascimento de Callas, Larraín tinha tudo para produzir uma obra à altura do legado da artista e homenageá-la, mas apresentou algo arrastado, insosso e engessado.
Maestro
3.1 269O longa aborda mais os dramas e as minúcias pessoais do personagem Bernstein do que o seu legado — que não foi pequeno — como regente e compositor. Como diretor, Cooper poderia ter explorado melhor outros aspectos e momentos da história do seu personagem, o que tornaria o filme mais interessante e envolvente. Como ator, é notório a sua entrega ao papel, da caracterização ao ofício como maestro. No mais, fumar causa danos à saúde.
A Esposa de Tchaikovsky
3.5 20 Assista AgoraAté onde vai os limites de uma obsessão? Serebrennikov evidencia a decadência que a esposa "de fachada" de um dos maiores compositores russos e do mundo foi, pouco a pouco, se vendo diante da sua servidão doentia e apaixonada a um marido que nem sequer a considerava como alguém digna de ser amada. Para não confirmar os rumores de que era homossexual numa Rússia preconceituosa (é assustador que tantos anos depois pouca coisa mudou quanto a isso), Tchaikovsky não viu saída senão casar-se com uma mulher para manter a aparência de normalidade, do que esperavam de um homem de respeito naquela época, ao invés de declarar abertamente ser um "invertido". Sem dúvida, Alyona Mikhailova entregou o melhor e mais além no papel de Antonina Miliukova. A mistura de uma família repreensora, intolerante e fanática elucida em partes a neurose que Miliukova padeceu em vida até seus últimos dias num manicômio.
O Monastério
2.4 107 Assista AgoraUm sonífero.
Blonde
2.6 450 Assista AgoraUm bocado arrastado e também sensacionalista, como a vida de uma grande celebridade deve ser. A cinebiografia expõe de forma intensa os abusos e submissões que Monroe teve que resignar-se ao longo de sua carreira, da infância difícil ao estrelato. Seus traços, o corpo esbelto e a beleza deslumbrante escondem uma vida privada conturbada e infeliz. Ana de Armas excelente no papel! Vale a pena.
O Nevoeiro (1ª Temporada)
3.0 463Perda de tempo.
Relações de Classe
3.8 10 Assista AgoraÉ uma boa adaptação do primeiro romance de Kafka. Oferece em 120 minutos o essencial da obra literária. Assim como os outros dois romances que o escritor tcheco escreveria no futuro, "O Desparecido ou Amerika" não terminou de ser redigido, mas preconiza o que seria a característica fundamental e marcante das narrativas kafkianas: o sujeito submetido e cerceado por toda natureza de julgamentos, circunstâncias e normas que ele, mecanicamente, obedece.
Isso, ao meu ver, se reflete na atuação dos personagens que compõe o longa; os atores e atrizes parecem atuar para um público teatral, de modo maquinal e apático, não havendo naturalidade nos gestos e nos diálogos como conhecemos ou estamos acostumados a observar. Talvez a intenção do diretor fosse justamente essa, de transmitir a alienação e a sujeição que a obra literária, rica em detalhes e nuances, entrega tão notavelmente ao leitor pela escrita sóbria de Kafka. Por isso, qualifico como uma boa adaptação. Sugiro que leiam a obra primeiro e, só depois, assistam ao filme; o traço "jurídico" que permeia essa adaptação e as outras obras do escritor, será, naturalmente, notado.
Chernobyl
4.7 1,4K Assista AgoraNo final de abril terminei a leitura de “Vozes de Tchernóbil” da escritora bielorrussa Svetlana Aleksiévitch. Um livro profundo que me impactou de verdade e que não esquecerei tão cedo. Seja por sua história ou por sua narrativa, os monólogos do início ao fim nos é contado de maneira tão crua e real que em algumas passagens, confesso, marejei os olhos e o coração se apertou. Acredito que mais do que isso, nos leva a refletir qual o limite – se é que há um – do ego e da ignorância do homem. Fiquei sabendo na primeira semana de maio sobre uma série produzida pela HBO justamente chamada “Chernobyl”, o que pra mim foi uma surpresa tremenda encontra-la. E sem dúvidas, uma das melhores coisas que eu assisti esse ano. Minuciosa nos detalhes, nas edições especiais, personagens e nos diálogos, a série remontou com fidelidade o acontecido na URSS. Não é a toa, voltando ao livro de Svetlana, que a obra da bielorrussa ganhou em 2015 o prêmio Nobel de Literatura por ser “um monumento ao sofrimento e à coragem de seu tempo”. Tchernóbil ou Chernobyl ainda é uma incógnita para o mundo...
No Portal da Eternidade
3.8 349 Assista AgoraContemplativo e sensível assim como suas pinturas! Willem Dafoe sensacional! Obrigado pelo presente, Schnabel.