A piada aqui é o público. É triste ver esse recebimento tão catastrófico, porque o produto aqui é original, e, principalmente, consciente demais do seu tema, da sua alma. Ele tem argumento, e ele não só trabalha, ele te leva para uma experiência cinematográfica.
No primeiro filme a ascenção do coringa é avassaladora, mas ela não tem muitos méritos de Arthur Fleck, o mérito todo é de Gotham. Arthur estava ali no momento certo, e foi abraçado pela insatisfação das pessoas perante a sociedade, que amaram o Coringa. Engraçado que a reação do público foi exatamente essa, eles não se importaram realmente com Arthur Fleck, eles (também) se apaixonaram pelo coringa. E a bilheteria só é a prova disso. Quem falhou aqui foi Todd Phillips. Ele queria um filme sobre Arthur Fleck, sobre alguém com transtornos mentais causados pela sociedade doente onde ele está inserido. E ele se enfureceu em como o que ele criou se tornou independente do controle dele, um icone para um público sedento por personalidades que justifiquem comportamentos questionáveis. Então ele fez uma decisão criativamente instigante/provocativa: ele trouxe o público para o filme. É um grande delírio que compartilhamos a tela com quem nos apaixonamos, e somos ali representados pela Arlequina. Não há muito o que ser discutido aqui, Todd compreende tão profundamente a narrativa que os sentimentos da arlequina são os mesmos que sentimos durante o filme. Aquele doente mental amou a nossa aprovação, se apaixonou a primeira vista, pois demos a ela a aprovação da qual tanto sonhou. Aplaudimos o maluco. Ele é perfeito, como a arlequina diz, contrapondo a argumentação de uma personagem que briga com todos para dizer: Arthur precisa de ajuda. Foda-se Arthur. Aprecie o coringa. Mas bastou um choque de realidade para que ele percebesse que tudo era uma grande enganação. O comediante é fruto de uma mentira confortável: você não é engraçado, confessa a mãe dele. Esse conforto necessário é uma parede que busca afugentá-lo do sofrimento cruel dos inúmeros abusos sofridos por uma criança. O coringa não era forte o suficiente para aguentar aquele grande buraco. O homem por trás de tudo era tão humano a ponto de desmoronar. Assim que morre o coringa, morre o amor. Ninguém gosta de você Arthur. É só um maluco sem graça. Esse filme é sobre o coringa. Ninguém levantará montanhas para você.
Por fim, a Harley Queen rejeita Arthur. E o público faz o mesmo. Quem é esse doido? Onde está o Coringa? Então o filme é morto, dilacerado, criticado, esmagado, ou, esfaqueado em um corredor com uma piada que ele mesmo contou, mas que não tem mais graça. Afinal, que graça tem esse filme?
É curioso como que a experiência de assistir um filme é diretamente proporcional com seus conflitos atuais. Esse filme é bom, e eu acharia isso em qualquer momento. Mas eu só poderia colocar como um dos meus filmes favoritos agora.
Toda a contemplação do filme é suficiente para antagonizar essa sociedade de desejos imediatistas para conservação da instatisfação constante. Mas o vígor do filme vem em como o autoconhecimento não é uma conquista, não é uma linha de chegada que é alcançável e nunca mais negociável, ele exige uma manutenção insistente. E existem forças que naturalmente te colocam exatamente onde todo teu esforço consciente te retirou. E isso, quase que imprescindívelmente, está ligado com pessoas próximas, importantes, projetando suas inseguranças na gente. E é do nosso desejo, mesmo que interno, a aceitação deles. A consciência de que é preciso abrir mão para voltarmos ao estado de autoconhecimento que nos trouxe paz, é, no mínimo, desafiador.
O filme é MUITO BOM, a direção tá ótima, roteiro vai muito bem, e o resultado é um conjunto que entretem muito. Agora, não deixa de ser assustador a maneira como os filmes são feitos. É uma máquina de dopamina que pouco se leva a sério. E, pra isso, abraça uma violência gratuita extrema. No final parecemos um bando de ratinhos mal cuidados regozijando com um produto extremamente artificial. Não precisa fazer sentido, só algumas migalhas de dopamina e saímos do cinema felizes.
"O sentido do fluir do rio não é que todas as coisas mudam para que não as encontremos duas vezes, mas que algumas coisas permanecem as mesmas apenas por mudar."
Por que o Nolan não chama o irmão dele pra escrever os filmes? Eu só consigo pensar que eles devem ter brigado jogando fifa e agora o Nolan quer provar que consegue fazer filme bom sem ele. Só que não ta dando muito certo.
Nosferatu
3.6 937 Assista AgoraRobert Eggers tem minha total curiosidade pra tudo que ele lançar. O cara é bom demais.
Coringa: Delírio a Dois
2.5 924 Assista AgoraA piada aqui é o público.
É triste ver esse recebimento tão catastrófico, porque o produto aqui é original, e, principalmente, consciente demais do seu tema, da sua alma. Ele tem argumento, e ele não só trabalha, ele te leva para uma experiência cinematográfica.
No primeiro filme a ascenção do coringa é avassaladora, mas ela não tem muitos méritos de Arthur Fleck, o mérito todo é de Gotham. Arthur estava ali no momento certo, e foi abraçado pela insatisfação das pessoas perante a sociedade, que amaram o Coringa.
Engraçado que a reação do público foi exatamente essa, eles não se importaram realmente com Arthur Fleck, eles (também) se apaixonaram pelo coringa. E a bilheteria só é a prova disso.
Quem falhou aqui foi Todd Phillips. Ele queria um filme sobre Arthur Fleck, sobre alguém com transtornos mentais causados pela sociedade doente onde ele está inserido. E ele se enfureceu em como o que ele criou se tornou independente do controle dele, um icone para um público sedento por personalidades que justifiquem comportamentos questionáveis.
Então ele fez uma decisão criativamente instigante/provocativa: ele trouxe o público para o filme. É um grande delírio que compartilhamos a tela com quem nos apaixonamos, e somos ali representados pela Arlequina.
Não há muito o que ser discutido aqui, Todd compreende tão profundamente a narrativa que os sentimentos da arlequina são os mesmos que sentimos durante o filme.
Aquele doente mental amou a nossa aprovação, se apaixonou a primeira vista, pois demos a ela a aprovação da qual tanto sonhou. Aplaudimos o maluco. Ele é perfeito, como a arlequina diz, contrapondo a argumentação de uma personagem que briga com todos para dizer: Arthur precisa de ajuda. Foda-se Arthur. Aprecie o coringa.
Mas bastou um choque de realidade para que ele percebesse que tudo era uma grande enganação. O comediante é fruto de uma mentira confortável: você não é engraçado, confessa a mãe dele. Esse conforto necessário é uma parede que busca afugentá-lo do sofrimento cruel dos inúmeros abusos sofridos por uma criança.
O coringa não era forte o suficiente para aguentar aquele grande buraco. O homem por trás de tudo era tão humano a ponto de desmoronar.
Assim que morre o coringa, morre o amor. Ninguém gosta de você Arthur. É só um maluco sem graça. Esse filme é sobre o coringa. Ninguém levantará montanhas para você.
Por fim, a Harley Queen rejeita Arthur. E o público faz o mesmo. Quem é esse doido? Onde está o Coringa?
Então o filme é morto, dilacerado, criticado, esmagado, ou, esfaqueado em um corredor com uma piada que ele mesmo contou, mas que não tem mais graça. Afinal, que graça tem esse filme?
Dias Perfeitos
4.2 599 Assista AgoraÉ curioso como que a experiência de assistir um filme é diretamente proporcional com seus conflitos atuais. Esse filme é bom, e eu acharia isso em qualquer momento. Mas eu só poderia colocar como um dos meus filmes favoritos agora.
Toda a contemplação do filme é suficiente para antagonizar essa sociedade de desejos imediatistas para conservação da instatisfação constante. Mas o vígor do filme vem em como o autoconhecimento não é uma conquista, não é uma linha de chegada que é alcançável e nunca mais negociável, ele exige uma manutenção insistente. E existem forças que naturalmente te colocam exatamente onde todo teu esforço consciente te retirou. E isso, quase que imprescindívelmente, está ligado com pessoas próximas, importantes, projetando suas inseguranças na gente. E é do nosso desejo, mesmo que interno, a aceitação deles. A consciência de que é preciso abrir mão para voltarmos ao estado de autoconhecimento que nos trouxe paz, é, no mínimo, desafiador.
Deadpool & Wolverine
3.7 922 Assista AgoraO filme é MUITO BOM, a direção tá ótima, roteiro vai muito bem, e o resultado é um conjunto que entretem muito.
Agora, não deixa de ser assustador a maneira como os filmes são feitos. É uma máquina de dopamina que pouco se leva a sério. E, pra isso, abraça uma violência gratuita extrema.
No final parecemos um bando de ratinhos mal cuidados regozijando com um produto extremamente artificial. Não precisa fazer sentido, só algumas migalhas de dopamina e saímos do cinema felizes.
Aftersun
4.0 790eu precisava muito desse filme e não sabia
Pearl
3.9 1,2K Assista Agorasaio totalmente traumatizado depois de assistir quase 2 horas dessa capeta
Tudo em Todo O Lugar ao Mesmo Tempo
4.0 2,1K Assista Agorao filme é maluco e uma metáfora muy boa
para ansiedade.
Me Chame Pelo Seu Nome
4.1 2,6K"O sentido do fluir do rio não é que todas as coisas mudam para que não as encontremos duas vezes, mas que algumas coisas permanecem as mesmas apenas por mudar."
303
3.9 46 Assista Agoratodo mundo nesse filme é palestrinha menos o caminhoneiro
Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa
4.2 1,8K Assista Agoragente tobey me respondeu no zap ele confirmou a aparição
Tenet
3.4 1,3K Assista AgoraPor que o Nolan não chama o irmão dele pra escrever os filmes? Eu só consigo pensar que eles devem ter brigado jogando fifa e agora o Nolan quer provar que consegue fazer filme bom sem ele. Só que não ta dando muito certo.