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Duração
Um percurso poético ao coração de Portugal. Eles eram dois. Um homem e uma mulher que se encontram e desceram de Trás-os-Montes até ao mar. Lendas e penhascos, sons e rostos, terras e provações. Eles eram dois, porque o homem não conhece percurso solitário.
Por este filme passa uma melopeia de um país que tem uma longa história de oito séculos.
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Por maior ignorância que seja da minha parte, não entendi foi bulhufas. Maldita língua incompreensível este português de Portugal . NO começo senti uma pegada meio Parajanov de se fazer cinema, entoando as canções folclóricas daquele povo, mas depois de um certo momento minha cabeça bugou com o texto.
Antologia de literatura erudita (Ésquilo e Maria Velho da Costa) com cantos populares de Trás-os-Montes emoldura poeticamente a paisagem fílmica de forma precisa, conciliando malícia e bucolismo e tornando palatáveis as palavras como nichos de um espírito arcaico que retorna em ciclos (como o autor deixa claro sobre os papeis masculino e feminino principais que dominam a narrativa, paralelamente aos camponeses)
Olha que alforjas
Olha que alforjas
Ai Jesus
Meu escarabanilho
Ru-ru-ru
Papinhas no cu,
Fizera-las eu, comera-las tu.
Quando a raposa vai aos pintos
Mal para os pais, pior para os filhos.
Mais que um elogio às paisagens e tradições orais de Portugal, Veredas é uma homenagem ao próprio povo português – não ao português burguês deslumbrado com a modernização e que quer se inserir numa nova ordem política e econômica – mas ao português rústico, que entoa cantigas chulas e que vive nos campos a tocar cabras. É desse português que Monteiro se orgulha. E é esse Portugal – mítico e imemorial – que ele faz questão de retrata tão bem.