Este curta espanhol de 2007 conta a estória do menino Mario, que no dia de carnaval decide pôr um vestido de menina, para surpresa dos colegas e professores. Recebeu dez prêmios em vários festivais. Imensa sensibilidade.
uma das primeiras frases do Mario já diz muito sobre o que nós vamos ver ao longo desse curta de 14 minutos. “gosto do carnaval porque nele a gente pode vestir o que quiser.” tecnicamente, é verdade. mas quando ele decide aparecer vestindo uma roupa que ele pegou no guarda roupa da irmã — um vestido rosa, as unhas pintadas — a gente vê que não é bem assim. Aparecem as reações típicas “viadinho!” como era de se esperar. menino de azul, menina de rosa. menino de jeans, menina de vestido. (mas menina pode usar jeans; menino não pode usar vestido) essa sentença se torna dolorosamente clara quando uma menininha —uma menininha doce, a gente sabe que ela não tá fazendo por mal —diz: “mas o que você está fazendo? meninos não se vestem de meninas” o pai que vai até a escola, justifica-se: “ele se veste assim em casa” coisa que o próprio mario diz para a menininha. e ela diz — “em casa pode, na rua não”! É uma máxima, não é? a transexualidade no armário e a transexualidade em casa — em casa pode, mas nunca na rua, nunca na vista dos cidadãos de bem, nunca na vista das nossas crianças porque meu deus, como podemos explicar, como podemos explicar que o mundo não é mais o mesmo da década de 30? não se trata somente da transexualiade Se até um menininho, numa escola primária, no carnaval — um menininho, protegido pela professora, pela secretária (como ele é fofo!), se até mesmo ele tem que aguentar isso, o deboche sussurrado pelas costas do pai, até mesmo ele, o que será dos nossos adultos? dos nossos adolescentes trans? quem olhará por eles — quem os defenderá? O verbo exato é esse mesmo, defender, dado que há um sem números de pessoas dispostas a não somente tolher a liberdade mas, pior ainda, com violência achar que pode agir para consertar o errado; são perigosos; mas, ainda assim, os mais perigosos são que nada falam, mas agem nos interstícios da sociedade de modo a inviabilizar o desejo do outro; e quando é que as pessoas finalmente — finalmente! — vão abrir os olhos e pensar que, afinal, meu Deus, é o século XXI, temos que respeitar os seres humanos, nós devemos isso aos outros, simplesmente devemos? quando é que um menininho vai poder usar um vestido cor de rosa e ir para o colégio sem que todo mundo na sala se cale quando ele entrar? sem que todo mundo o agrida e humilhe? (quando os adolescentes e adultos trans poderão viver plenamente?). A importância do curto é trazer, de forma razoavelmente sutil uma temática que precisa ser discutida, redimensionada, reorganizada; dado que o mal que isso produz em adultos tolhidos e que vão tolher outros não pode levar a lugar bom nenhum!
uma das primeiras frases do Mario já diz muito sobre o que nós vamos ver ao longo desse curta de 14 minutos. “gosto do carnaval porque nele a gente pode vestir o que quiser.” tecnicamente, é verdade. mas quando ele decide aparecer vestindo uma roupa que ele pegou no guarda roupa da irmã — um vestido rosa, as unhas pintadas — a gente vê que não é bem assim. Aparecem as reações típicas “viadinho!” como era de se esperar.
menino de azul, menina de rosa.
menino de jeans, menina de vestido.
(mas menina pode usar jeans; menino não pode usar vestido)
essa sentença se torna dolorosamente clara quando uma menininha —uma menininha doce, a gente sabe que ela não tá fazendo por mal —diz: “mas o que você está fazendo? meninos não se vestem de meninas”
o pai que vai até a escola, justifica-se: “ele se veste assim em casa”
coisa que o próprio mario diz para a menininha. e ela diz — “em casa pode, na rua não”!
É uma máxima, não é? a transexualidade no armário e a transexualidade em casa — em casa pode, mas nunca na rua, nunca na vista dos cidadãos de bem, nunca na vista das nossas crianças porque meu deus, como podemos explicar, como podemos explicar que o mundo não é mais o mesmo da década de 30? não se trata somente da transexualiade
Se até um menininho, numa escola primária, no carnaval — um menininho, protegido pela professora, pela secretária (como ele é fofo!), se até mesmo ele tem que aguentar isso, o deboche sussurrado pelas costas do pai, até mesmo ele, o que será dos nossos adultos? dos nossos adolescentes trans? quem olhará por eles — quem os defenderá? O verbo exato é esse mesmo, defender, dado que há um sem números de pessoas dispostas a não somente tolher a liberdade mas, pior ainda, com violência achar que pode agir para consertar o errado; são perigosos; mas, ainda assim, os mais perigosos são que nada falam, mas agem nos interstícios da sociedade de modo a inviabilizar o desejo do outro;
e quando é que as pessoas finalmente — finalmente! — vão abrir os olhos e pensar que, afinal, meu Deus, é o século XXI, temos que respeitar os seres humanos, nós devemos isso aos outros, simplesmente devemos? quando é que um menininho vai poder usar um vestido cor de rosa e ir para o colégio sem que todo mundo na sala se cale quando ele entrar? sem que todo mundo o agrida e humilhe? (quando os adolescentes e adultos trans poderão viver plenamente?). A importância do curto é trazer, de forma razoavelmente sutil uma temática que precisa ser discutida, redimensionada, reorganizada; dado que o mal que isso produz em adultos tolhidos e que vão tolher outros não pode levar a lugar bom nenhum!
Mais do mesmo
Tô chocada com a atuação desse elenco infantil, em especial do protagonista. Sensível e tocante!
"Pois eu gosto mais das coisas que brilham. São mais bonitas"
- Punir o menino que xinga o outro de viadinho não rola, né. Mas crucificar a criança por gostar de vestido é de boa.
Sensível...
Esse curta é o xodó da minha vida <3