Huang examina a transformação da Vice, de revista independente a gigante da mídia, entrevistando ex-colaboradores que foram fundamentais para sua ascensão e declínio.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Hoje em dia garanto que todo mundo já deve ter visto algum videozinho ou pelo menos a logo tanto no YouTube ou internet. Eu mesmo já vi um vídeo ou outro aleatoriamente mas nada que me fizesse pesquisar mais. Assistindo esse documentário percebe-se que eles eram tipo os primórdios dos hipsters idiotas, o começo da proliferação da atitude "eu faço o que eu quero e ninguém manda em mim", ou seja, crianças mimadas que hoje em dia parecem tomar conta, os imbecis dos twitters da vida e coisas do tipo. Acho que por isso não tenha vingado, na gringa parece ter tido uma duração maior mas falando mundialmente deve ter circulado no meio desse povinho otário. O documentário em si é palha, acho que se deve pelos criadores e colaboradores da Vice serem uns toscos, então não tem nada de interessante pra acrescentar.
No Brasil creio que a Vice pegou só um nicho, mas penso no estrago muito mais que ele causou em seu país de origem. Uma pena porque o era parecia e era pra ser disruptivo e questionador, se tornou altamente questionável. RIP Vice e da pior forma possível.
É bizarro como a nostalgia — de algo que nem era tão bom assim, pelo menos do ponto de vista ético —, o ressentimento e a busca por uma espécie de "justiça" podem deixar alguém cego a ponto de que a ideia de passar pano para um neonazista soe "razoável", entre muitas aspas.
Na falta de uma conexão entre fatos históricos e evolução das mídias, o filme passa incólume, parecedo um amontoado de curiosidades sobre um canal de comunicação (quase) enterrado. Mas no fundo há algo ali para percebermos como dicursos de ódio fazem sucesso não de hoje, e de como o século XX ao XXI sedimentou o simbolismo, o simulacro como conteúdo de verdade. Estruturalmente, é bem básico. Por trás, há um conteúdo denso muito pouco explorado, preferindo levar pra linha das histórias de vida.
A Mubi e seus filmes diferentões... Chegou à plataforma esse documentário norte-americano, sem título em português, realizado de maneira independente e que teve première no Festival de Toronto de 2024. Também indicado ao Grande Prêmio do Júri no DOC NYC, um dos maiores festivais de documentários dos Estados Unidos, o filme faz uma ampla análise da Vice, que nasceu como uma revista em Montreal, no Canadá, no fim dos anos 90, fundada por três amigos haitianos, que eram imigrantes. Quando o trio se mudou para Nova York, a Vice, em pouco tempo, ampliou seus negócios virando um império da mídia, com faturamento de bilhões de dólares por ano. A Vice tornou-se um empreendimento do mundo publicitário e jornalístico, depois uma revista digital com três milhões de assinantes, em seguida criadora de conteúdo com um bilhão de visualizações, e por fim agência de publicidade e site de notícias. Só que ela faliu em menos de 20 anos de existência, em 2023, deixando um rombo de milhões de dólares, incluindo o não pagamento de funcionários e custos da empresa. Quem conta essa história de ‘ascensão e queda’ é Eddie Huang, ex-funcionário da Vice – ele escreveu, produziu, dirigiu e é o protagonista do filme. De descendência taiwanesa, Huang é escritor, chef de cozinha, dono de restaurantes, produtor de eventos e apresentador de programa televisivo. Ele entrou na Vice e ajudou a revista a se consolidar no mercado como um produto jornalístico/publicitário descolado, que fugia dos padrões de linguagem da época para noticiar fatos e criar conteúdos ousados nas redes. Huang entrevista os fundadores da Vice e ex-funcionários, para entender o que foi aquele empreendimento e porque quebrou – por isso o título do filme, em tradução literal, é ‘Vice está falida’. Huang deu pitacos na edição e optou por uma montagem delirante, nos moldes do que foi a revista, misturando cortes abruptos das entrevistas, reportagens da Vice com capas notórias, cheias de zoom, matérias noticiando os altos e baixos da Vice e depoimentos atuais com ironia e palavrões. Acho um filme interessante, diferente, mas para público inserido na linguagem de filmes cult de festivais. Teve exibição no Brasil em agosto desse ano no ‘Mubi Fest’, realizado no Rio de Janeiro - festival oferecido pela Mubi em países como Brasil, Itália, França, Argentina e EUA, em que exibe filmes da provedora de catálogo e lançamento de novos títulos. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspot com