Jovem rebelde disputa com o irmão as atenções do pai, que não esconde a preferência pelo outro filho. Para piorar, os irmão passam a rivalizar pelo amor da mesma garota. História baseada no romance de John Steinbeck.
É o paralelo da história bíblica do jardim do Éden, dos irmãos Caim e Abel, apesar da boa atuação do James Dean sempre interpretando um revoltado e a direção do Elia Kazan senti falta de algo mais pesado no final, o que eu vi foi um dramalhão com choro de um garoto mimado.
EAST OF EDEN Direção: Elia Kazan Ano: 1955 Assistido em: 17/05/2025
Fico impressionado com o poder do cinema, olha esse filme que, décadas depois de lançado, ainda arranca altas reflexões do espectador. East of Eden foi lançado há 70 anos e ainda consegue provocar reações intensas, cheguei ao final com emoções que só o cinema clássico de Hollywood consegue despertar. E, claro, fiquei ainda mais fascinado pelo talento de James Dean — e mais entristecido ao lembrar do que aconteceu com ele poucos meses após o lançamento.
Na Califórnia, durante a Primeira Guerra Mundial, Cal Trask tenta conquistar a aprovação de um pai frio, enquanto compete com o irmão favorito. Mas a cada nova tentativa, Cal só afunda mais o vínculo familiar.
Nunca li o livro do John Steinbeck, mas fiquei interessado — principalmente pelas diferenças entre as duas obras, que muitos apontaram. Ainda mais que, durante o filme, em nenhum momento senti que Cal fosse desprezado pelo pai. Na verdade, vi um garoto problemático, mimado, fazendo birra para um pai que respondia com rigidez, sim, mas também com certa paciência. O pai pode nunca ter demonstrado afeto de forma clara, mas o filho também não era flor que se cheire.
Cal é invejoso, agressivo, competitivo. Tenta seduzir a namorada do irmão, e fica o tempo todo dizendo que “não é uma boa pessoa”, como se esperasse a todo momento que alguém dissesse “não, você é bonzinho”, mas o infeliz não move um dedo para ser melhor. É um personagem irritante, chato, e sim, culpado por tudo que acontece no final.
Vai ter gente defendendo, dizendo que ele nunca conheceu o amor fraterno. Desculpa esfarrapada. Caráter não se define só pelo que fizeram com você. Cal é movido por inveja e carência, toma decisões péssimas, e ainda quer ser acolhido como se fosse vítima. Ah, tenha dó. Tem muita gente por aí com histórias tão ruins quanto a dele que não virou essa bomba emocional. E para os que defendem que “foi ele que ficou ao lado do pai no fim”… bom, tem que ficar mesmo! Foi ele quem armou o circo inteiro que levou o velho a um derrame e o irmão à guerra, sem saber se volta vivo. Toda ação tem uma reação, e no fim, Cal está apenas colhendo o que plantou — coisa que evitou fazer o filme inteiro.
Um dos pontos mais interessantes do filme é o pano de fundo político. A trama se passa nos anos 1910, com os EUA prestes a entrar na Primeira Guerra Mundial. Mostra a perseguição aos alemães, a alta na produção de grãos, jovens sendo convocados. Tudo isso alimenta a tensão entre os irmãos e dá profundidade à história, que vai muito além de um simples paralelo moderno entre Caim e Abel.
Na parte técnica, é um espetáculo. Elia Kazan dirige com precisão e entrega sequências dramáticas potentes. Figurinos, cenários, ambientação — tudo funciona. Mas, claro, a alma do filme é James Dean. Em sua estreia no cinema — e, infelizmente, o único filme que ele viu lançado em vida —, Dean já mostra por que virou lenda. Seu estilo rebelde, sua postura de quem não se importa , mas claramente sofre, sua presença magnética... É isso que falta em muitos atores de hoje: personalidade.
East of Eden é um filme que mexe com você. É impossível sair indiferente. Ele mostra como a rejeição de um pai pode destruir uma vida, mas também reforça que somos responsáveis pelas nossas escolhas. Não dá pra jogar tudo nas costas do outro. Algumas atitudes não têm volta. A narrativa demora um pouco para engrenar — só começa a mostrar a que veio por volta dos 40 minutos. Mas quando engrena, é como um trem sem freio: intenso, destrutivo, impossível de parar. Um clássico obrigatório para qualquer cinéfilo que se leve a sério.
James Dean inventou o parkour nesse filme haha
É o paralelo da história bíblica do jardim do Éden, dos irmãos Caim e Abel, apesar da boa atuação do James Dean sempre interpretando um revoltado e a direção do Elia Kazan senti falta de algo mais pesado no final, o que eu vi foi um dramalhão com choro de um garoto mimado.
EAST OF EDEN
Direção: Elia Kazan
Ano: 1955
Assistido em: 17/05/2025
Fico impressionado com o poder do cinema, olha esse filme que, décadas depois de lançado, ainda arranca altas reflexões do espectador. East of Eden foi lançado há 70 anos e ainda consegue provocar reações intensas, cheguei ao final com emoções que só o cinema clássico de Hollywood consegue despertar. E, claro, fiquei ainda mais fascinado pelo talento de James Dean — e mais entristecido ao lembrar do que aconteceu com ele poucos meses após o lançamento.
Na Califórnia, durante a Primeira Guerra Mundial, Cal Trask tenta conquistar a aprovação de um pai frio, enquanto compete com o irmão favorito. Mas a cada nova tentativa, Cal só afunda mais o vínculo familiar.
Nunca li o livro do John Steinbeck, mas fiquei interessado — principalmente pelas diferenças entre as duas obras, que muitos apontaram. Ainda mais que, durante o filme, em nenhum momento senti que Cal fosse desprezado pelo pai. Na verdade, vi um garoto problemático, mimado, fazendo birra para um pai que respondia com rigidez, sim, mas também com certa paciência. O pai pode nunca ter demonstrado afeto de forma clara, mas o filho também não era flor que se cheire.
Cal é invejoso, agressivo, competitivo. Tenta seduzir a namorada do irmão, e fica o tempo todo dizendo que “não é uma boa pessoa”, como se esperasse a todo momento que alguém dissesse “não, você é bonzinho”, mas o infeliz não move um dedo para ser melhor. É um personagem irritante, chato, e sim, culpado por tudo que acontece no final.
Vai ter gente defendendo, dizendo que ele nunca conheceu o amor fraterno. Desculpa esfarrapada. Caráter não se define só pelo que fizeram com você. Cal é movido por inveja e carência, toma decisões péssimas, e ainda quer ser acolhido como se fosse vítima. Ah, tenha dó. Tem muita gente por aí com histórias tão ruins quanto a dele que não virou essa bomba emocional. E para os que defendem que “foi ele que ficou ao lado do pai no fim”… bom, tem que ficar mesmo! Foi ele quem armou o circo inteiro que levou o velho a um derrame e o irmão à guerra, sem saber se volta vivo. Toda ação tem uma reação, e no fim, Cal está apenas colhendo o que plantou — coisa que evitou fazer o filme inteiro.
Um dos pontos mais interessantes do filme é o pano de fundo político. A trama se passa nos anos 1910, com os EUA prestes a entrar na Primeira Guerra Mundial. Mostra a perseguição aos alemães, a alta na produção de grãos, jovens sendo convocados. Tudo isso alimenta a tensão entre os irmãos e dá profundidade à história, que vai muito além de um simples paralelo moderno entre Caim e Abel.
Na parte técnica, é um espetáculo. Elia Kazan dirige com precisão e entrega sequências dramáticas potentes. Figurinos, cenários, ambientação — tudo funciona. Mas, claro, a alma do filme é James Dean. Em sua estreia no cinema — e, infelizmente, o único filme que ele viu lançado em vida —, Dean já mostra por que virou lenda. Seu estilo rebelde, sua postura de quem não se importa , mas claramente sofre, sua presença magnética... É isso que falta em muitos atores de hoje: personalidade.
East of Eden é um filme que mexe com você. É impossível sair indiferente. Ele mostra como a rejeição de um pai pode destruir uma vida, mas também reforça que somos responsáveis pelas nossas escolhas. Não dá pra jogar tudo nas costas do outro. Algumas atitudes não têm volta. A narrativa demora um pouco para engrenar — só começa a mostrar a que veio por volta dos 40 minutos. Mas quando engrena, é como um trem sem freio: intenso, destrutivo, impossível de parar. Um clássico obrigatório para qualquer cinéfilo que se leve a sério.
''I don't want any kind of love anymore. It doesn't pay off. No future in it. Don't want it anymore.''
08.09.2025