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Duração
Nelson, um adolescente que é coagido a trabalhar como informante da polícia após ser pego contrabandeando celulares na fronteira entre Argentina e Brasil. Ele deve se infiltrar na família de um suposto traficante, aproximando-se de suas filhas e enfrentando dilemas entre lealdade, amor e traição.
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Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
É muito delicado comentar, de maneira não muito elogiosa, trabalhos cujos envolvidos são extremamente simpáticos. Conversei com o diretor deste filme e fiquei fascinado pelos "causos" compartilhados por um dos produtores, no que tange ao processo de conformação definitiva do produto audiovisual. Segundo dito por este último, o corte original do filme possuía mais de duas horas de duração, e foi reduzido drasticamente, no afã por demonstrar-se "comunicável" em relação às platéias juvenis. Talvez tenha sido uma má escolha: o filme começa muitíssimo bem, mas, do meio para o final, parece que o roteiro é abandonado, existindo furos imperdoáveis de narrativa e uma desconsideração flagrante por aquilo que, até então, era tão bem construído. Um exemplo: a desinteressante trama paralela sobre os problemas conjugais de um policial. Outro exemplo, ainda pior: a facilidade com que Nelson se aproxima e passa a freqüentar a casa do traficante. Um terceiro: fala-se em interrupção das aulas, por conta da pandemia, em determinado momento, mas, de repente, está todo mundo nas ruas... É tudo muito confuso, acelerado e atropelado, desde que as garotas entram em cena, mas, na primeira meia-hora, o filme é caprichoso: a interpretação de Fernando Vergara é surpreendente e os instante em que ele dança, enquanto representação de sua angústia existencial e solidão inexorável, são maravilhosos. Mas inserir aquelas questões sobre ausência paterna no enredo desperdiçaram o afeto que destinamos sinceramente ao ótimo protagonista juvenil. A fotografia é inda e há elementos interessantes no filme, mas o desleixo quanto ao roteiro e os problemas derivados de montagem estragam o resultado de maneira lancinante. Uma pena: a metáfora titular, referente ao inseto barbeiro, rende, ao menos, um momento valioso de cinema, que é a masturbação na casa da professora. Mas tudo se esvai... (WPC>)