Uma professora nova chega a uma pobre vila de pescadores na parte sul da ilha de Shōdoshima, para ficar encarregada de uma turma de primário. Vestindo roupas arrojadas, andando de bicicleta e com uma didática moderna, ela gera desconfiança na população local, mas rapidamente conquista as crianças. São 7 meninas e 5 meninos (os 24 olhos do título), e com eles a professora vai passando várias etapas da vida, ao longo de um período de 20 anos, entre casamentos, mortes, pobreza e guerra.
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Muito mais que apenas um filme para mostrar a relação de uma jovem professora com seus 12 alunos, mostra o Japão pré, durante e pós guerra, como a sociedade reage a isso tudo, antes da guerra era uma ilha tranquila de pescadores e comerciantes, achavam a estranho a professora andar de terninho e bicicleta, o que para as fofoqueiras da vila era agir como homem, durante a guerra vemos a influencia do exército na ilha, com treinamentos e recrutamento, era proibido falar mal se não seria considerado traição e o pós guerra aquela depressão e melancolia, vidas perdidas, sonhos perdidos, o sentimento de não ter como voltar atrás e fazer diferente, Hisako interpretada maravilhosamente pela talentosa Hideko Takamine, não era uma professora doutrinadora, rígida e cruel como de costume, ela queria ensinar, abrir portas, dar oportunidade para os alunos seguirem seus sonhos, ela realmente se importava com as crianças, por isso foi tão amada pelos alunos, mas ao mesmo tempo criticada e repreendida pelos superiores, os pais a chamavam para dar bronca nos filhos, mas ela não conseguia, sempre apoiava os púpilos, não podia ensinar nem o que era comunismo e capitalismo, não podia ler livros considerados ''vermelhos'', mostra o problemas de uma doutrinação, o ser humano foi feito pra questionar sobre tudo, se não pudermos fazer isso, simplesmente acabou, confesso que não conhecia o diretor Keisuke Kinoshita, vou procurar mais filmes dele, esse aqui me fez ficar triste no final lembrando o desfecho de algumas das 12 crianças, filmaço.
Que filmaço, hein!!
Obra-prima inquestionável do cinema japonês!!!
Lirismo intenso num dos mais belos e tristes contos sobre o relacionamento de um professor com seus alunos. O tempo que se esgota e deixa suas marcas, suas dores mas também momentos de nostalgia indescritíveis. Talvez seja um tiquinho assim ó, alongado demais e tem um excesso de choradeira melodramática, mas pouco importa quando a história é bem contada e quando trilha e imagens se fundem em algo esplendoroso.
Mesmo apelando para o melodrama inúmeras vezes, acompanhamos com interesse a saga da professora Oishi durante quase vinte anos. E é ainda atual especialmente no Brasil, onde professores são perseguidos por ensinar conteúdos "impróprios".