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Data de lançamento
23 Maio 2023Duração
Vítima X Suspeita segue a jornalista investigativa Rae de Leon, que viaja para os quatro cantos dos EUA para revelar e explorar os casos de jovens mulheres que relatam abuso sexual à polícia. Em busca de ajuda, as mulheres, em retorno, são abusadas e não conseguem justiça e são acusadas de falsa comunicação de crime, detidas ou condenadas.
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É chocante saber que isso acontece.
O tema é pertinente. Mas documentário fraquinho que fica entre o jornalismo e os poucos casos abordados.
Um aula de jornalismo investigativo, por mais que seja um tanto quanto parcial em sua ideologia, as contra abusadores não havia outra opção.
O documentário inicia com as perturbadoras cenas reais onde vítimas de abusos logo se transfiguram em suspeitas, mas o roteiro não nos deixa respirar a respeito para rapidamente desconstruir essa virada, mostrando-nos que há algo de errado nessa linha de condução das investigações. Ficará a cargo de uma mulher, então, realizar o trabalho minucioso da polícia.
Obviamente que o filme não tem como abordar todos os casos, e desconsiderando o percentual das mulheres que de fato mentiram às instituições, o filme se centra nos casos mais notórios (e talvez mais fáceis, mesmo que todos tenham sua dose de dificuldade), para confirmar que as meninas sofreram pressão psicológica nas delegacias, e a dúvida que paira sobre elas é muito mais de um olhar patriarcal do que propriamente técnico, vide a forma como os abusadores foram tratados.
Assim, há todo um método baseado na cultura machista (e o filme não é sutil a mostrar, pois de fato não há aqui sutileza alguma). Interrogadas em espaços claustrofóbicos, detalhes como "se deram um beijo ou não" as fazem questionar a legitimidade das suas reivindicações, o que prontamente vai sendo massacrada pela instituição branca e machista que é o departamento policial. Minando suas energias, elas então se veem deslegitimadas, o que é um passo para não apenas desacreditarem que sofreram agressão sexual, mas pasmem, serem logo em seguida enquadradas por crime de falsidade. É estarrecedor.
Para o bem da verdade, há uma delas que o agressor é um policial, quando na maioria dos casos o agressor era parte do círculo de amizades, o que recebeu maior atenção do projeto para averiguar o caso. Então, partindo de um minucioso trabalho para conseguir depoimentos, imagens, ou o que for para buscar provas, vai-se tendo um estudo de caso da narrativa patriarcal que deslegitima as vozes feministas e as põe sempre em situação de vulnerabilidade. Mais chocante é ver o tratamento diferenciado, a posição de privilégio que a palavra masculina (sobretudo branca) tem para impor seu discurso. O contorno subjacente ao padrão discursivo imposto para eles (horas de entrevistas, formas de abordagem, palavras escolhidas) é um soco no estômago.
Confesso que deu náuseas ver um agente confessar que usa métodos nada ortodoxos contra as vítimas, inclusive mentindo p(por exemplo, afirmam ter uma gravação da mulher trocando carícias com o cara, quando não tem), o que nos faz desacreditar no papel da polícias. Mas para as vítimas, que já se encontra num papel de vulnerabilidade, fica difícil levar a própria narrativa adiante. É como se o crime ocorresse novamente, uma a violação física, outra, a violação de sua palavra.
Sendo complacente até demais em seus muitos derradeiros, é um filme que poderia deslocar-se mais do plano individual, uma das meninas inclusive pretende ser policial. Acaba por ser um retrato altamente necessário, mas ainda preserva a estrutura que lhe condena.
Ainda assim, o documentário serve como poderoso registro de uma época em que, longe da idade média, as mulheres ainda são questionadas em suas condutas e postas na fogueira de forma completamente diferente de prováveis abusadores, muitos sequer foram investigados. É como ver o renascimento da idade das trevas, mesmo sabendo que nunca saímos de lá.
Muito triste...a vítima ser tratada como uma criminosa...esses policiais precisam de mais treinamento adequado...e eu no lugar dessas jovens faria um escândalo se me algemassem...gritaria...não aceitaria de maneira passiva...vi dia 20/08/23.
Cada vez que assisto esse tipo de documentário, fico com repulsa da sociedade!!! Ainda bem que existem pessoas como a jornalista!