Composto por 57 vinhetas filmadas com a câmera estática, Vocês, os Vivos é um filme sobre o ser humano, sobre suas conquistas e misérias, sua alegria e seu sofrimento, sua autoconfiança e ansiedade. Personagens que trazem em comum um aspecto solitário, mesmo quando estão cercados por outras pessoas. Um ser humano de quem se quer rir e também chorar por ele, ou ela. É simplesmente uma trágica comédia ou uma cômica tragédia sobre nós mesmos. A narrativa se passa em Estocolmo e serve universalmente para qualquer lugar ou época.
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Tão bom quanto ao filme anterior de Roy.Esse vem bem mais reflexivo e com bons momentos musicais.Não deixa de fazer boas críticas a tudo que se deve.
>Assistido em 17 de Fevereiro de 2025
Vi dia 22/03/22. Reflexivo.
uns 5 anos atrás eu vi "Um Pombo Pousou…", fui ver minha avaliação e tá lá 5/5. Agora com esse, não tive paciência já nos primeiros 30 minutos mas segui até o final. Acho que vou rever o filme do Pombo e ver se acontece o mesmo.
A paleta de cores que Roy Andersson escolheu para retratar o cotidiano em "Du Levande"(Vocês, Os Vivos) é cinza, branca e grafite. Não por acaso, pois a apatia que essas cores transmitem combina com a arrastada melancolia de personagens cansados e entristecidos com suas rotinas. Entretanto, Andersson não constrói um universo dramático, ao contrário, ele extrai um humor meio irônico e sutil das situações humanas. A fleuma do povo sueco fica muito engraçada em situações que beiram o ridículo, o surreal. Rir de nossas falhas, pedir o perdão divino, discutir por coisas banais e sonhar com mudanças fazem parte da vida de todo mundo. E é sobre isso que ele fala, de uma maneira às vezes brincalhona, às vezes não.
Andersson retrata, em maioria, casais na meia idade levando a vida no automático. O sexo é desprovido de erotismo ou envolvimento, não há sorrisos ou beijos apaixonados, apenas uma espécie de resignação e desinteresse, só quebrados em raros momentos onde os personagens começam a perturbar o silêncio uns dos outros, ou quebrar a rotina de alguma forma. As mulheres, por outro lado, também entediadas, gritam, reclamam incessantemente de suas vidas, mas não fazem nenhum esforço para mudar algo.
É um filme onde até os animais não expressam vivacidade. Também há raríssimas crianças no filme, mas sem nenhum papel relevante. Há apenas uma jovem, Anna (Jessica Lundberg) que parece ter sonhos e expectativas ao se apaixonar por Micke (Eric Bäckman) um cantor da banda 'Black Devils', com quem ela se encontrou uma única vez, mas começa a idealizá-lo como uma típica fã de artista, sonhando casar-se com ele. Aliás, Anna é a única com um pouco de cor no vestuário. O longa dá um destaque aos sonhos (bons e maus), como se fossem uma janela que a mente tem para se aventurar e quebrar o marasmo.
O filme, assim como o anterior ('Canções do Segundo Andar'), coloca o ser humano em apartamentos minimalistas, que parecem caixotes numa cidade cinzenta e individualista, onde as pessoas olham mais para o vazio do que para o outro. Uma tempestade fortíssima é mais capaz de chamar a atenção de todos, do que um homem tendo um AVC em frente aos seus empregados. Estamos mesmo vivos? É uma das perguntas que ficam reverberando. Andersson, às vezes, quebra a 4ª parede parecendo querer falar conosco: 'o que estão olhando? por que não cuidam de suas próprias vidas?'.
O longa tem um desfecho bem significativo. Os personagens costumam dirigir seu olhar para cima, como se almejassem ou dirigissem suas esperanças para a providência divina. Mas do céu, o próprio homem nos faz lembrar o quando a vida pode ser frágil e pouco importante.
Melhor tentarmos reagir o quanto antes,
e buscar a felicidade por nossos próprios meios.
Fotografia perfeita do ser humano e a vivência em sociedade.
Filmaço!!