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Do cineasta senegalês Ousmane Sembene, Xala conta a história de um corrupto funcionário público, El Hadji, que casa-se com a sua terceira esposa usando fundos roubados. Quando El Hadji realiza seu casamento, descobre que foi almaldiçoado com a impotência, maldição essa conhecida como "xala". O contexto histórico acontece depois da conquista da independência do Senegal, e há óbvios significados metafóricos para a impotência de El Hadji.
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Não entendi a nota. Estou acompanhando vários trabalhos do diretor senegalês e este, por enquanto, foi o que mais gostei.
20/10/25. Muito bom, adorei o final hahaha
no YT - https://youtu.be/ilC01dfKTqY
Tá entre os melhores filmes que vi do Sembene, quantas camadas, quanta belas metalinguagens, que humor bem colocado, quantas críticas sociais.
Crítica social e política ao governo senegalês pós-colonialismo, "Xala", de Ousmane Sembène, satiriza as novas forças que dominavam o país, ao mesmo tempo que denuncia que, no fundo, elas nada mais eram do que fantoches nas mãos dos europeus que continuavam a manter sua influência sobre a soberania nacional. Não à toa, durante todos os momentos em que vemos o novo Presidente do Senegal, ele está acompanhado de seu silencioso "acessor" que, homem branco, parece estar literalmente "por trás" de todos os passos do líder da nação.
Mas "Xala" não é sobre essa figura e, sim, sobre El-Hadji, um comerciante que se envolve com o novo governo de forma corrupta. Para ter uma terceira esposa, ele desvia recursos destinados aos cofres públicos. Todavia, na noite de núpcias ele descobre que não está conseguindo 'consumar' o casamento. Impotente, sua suspeita é de que está com a maldição da 'xala'.
Os esforços do político em tentar reverter esse quadro é que garantem o humor e a crítica do filme. El-Hadji, um homem desprezível e ganancioso, encarna as tradições de seu país apenas quando elas lhe convém. Defende a cultura africana para justificar sua poligamia, mas se recusa a participar de rituais típicos, só fala francês e bebe apenas água importada. Sua filha, a bússola moral do filme, demostra a visão crítica da juventude sobre um governo hipócrita formado por títeres de carne europeus.
O único ponto negativo do filme são as atuações precárias, bem ruinzinhas mesmo. No fim, isso acaba sendo compensado pelo ótimo roteiro e pela boa edição, que, ironicamente, traz recursos da nouvelle vague francesa. "Xala" é, até hoje, considerado uma crítica atual, e um dos melhores filmes do cinema africano.