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Data de lançamento
12 Julho 2021Duração
Fei trabalha ilegalmente como um trabalhador sexual para sustentar sua família, mas quando ele percebe que eles estão dispostos a aceitar seu dinheiro, mas não seu modo de vida, ocorre um grande colapso em suas relações. Por meio de seu relacionamento com o teimoso Long, Fei parece capaz de encontrar um novo sopro de vida, mas então ele encontra Xiaolai, o amor de sua juventude, que o confronta com a culpa de seu passado reprimido.
''Moneyboys'' integra a seleção Un Certain Regard da 74ª edição do Festival de Cannes
(2021).
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Ambientado na China, o filme taiwanês mostra a história do Fei, um jovem do interior que ganha dinheiro fazendo sexo com homens e possui uma família que desaprova sua vida. Apesar da premissa, a narrativa é melancólica e monótona.
Moneyboys é um filme raro que retrata a homossexualidade na China, e o diretor faz isso com sensibilidade e coragem. Tem uma bela fotografia, mas destaco as duas performances centrais, é através delas que sentimos a raiva, a tristeza e a desilusão que uma sociedade coibida produz.
São muitas camadas aqui, principalmente culturais, e nenhuma delas inclui felicidade :( Apesar de não me agradar com o final, foi uma experiência bastante sensível e bem articulada. Recomendo
MONEYBOYS— 2023 — CRÍTICA
Fei (Ko Chen-Tung) quer proteger o primo, por isso o afasta, não o quer envolvido em suas atividades. Difícil convencê-lo, pois as opções não são nada atraentes, além de muito mais restritas e penosas. Não importa o quanto criminosa e ilegal seja o estilo de vida de Fei, entre trabalhar 12 horas por dia em uma fábrica e ser um garoto de programa, não existem dúvidas sobre qual é a melhor opção. Diante da vista da cidade, no jardim da varanda de Fei, Long (Yufan Bai), observa como tudo é limpo e bonito e toma a decisão definitiva. Os dois trabalhos exploram seu corpo, a diferença é que se prostituindo ele não dorme em um colchão duro, nem trabalha em um lugar sujo. O menino pobre da na zona rural da Taiwan, elege a opção que privilegia a vista diante de seus olhos.
Me incomodou um pouco, esse aparente encanto da prostituição, mas conforme acompanhamos Fei, em sua jornada pela sobrevivência, o encanto parece perder cada vez mais o brilho. Pouco a pouco conhecemos a realidade dos “moneyboys”, homens jovens que se prostituem para outros homens. Fiquei pensando enquanto lugares do mundo, a homossexualidade ainda é crime. Na situação apresentada no filme, a prostituição parece como um meio de fugir da vida miserável do interior, mas também permite aos personagens viverem suas sexualidades. A cena no bar, quando conversam sobre os motivos de não voltarem para casa ou como, ao voltar, mentem sobre sua vida na cidade, demonstra a angústia sofrida pelos personagens.
Existe também uma oposição entre os espaços, enquanto todo o apartamento e lugares frequentados por Fei e Long são limpos e bem iluminados, a vila e os lugares fora do ambiente da prostituição é suja. Não me parece existir um julgamento moral por parte do cineasta, em colocar a prostituição como limpo, mas condenável, pois lhe deixa sujo internamente. A proposta dessa oposição entre ambientes está mais conectada à necessidade de fuga, encontrar esses lugares pobres e sujos, reforça os sentimentos dos personagens pela necessidade de fugir.
Gosto de como a fotografia coloca nossos olhos em posição de esperar a saída ou entrada no quadro, de como a câmera parada, em ângulos normais ou na altura da cintura, nos provoca uma expectativa. De como o personagem principal, com poucas falas, em alguns momentos não está centralizado e de como nossa atenção é desviada à medida que os personagens se movimentam no quadro. As cenas com os personagens de costas são muito interessantes para observar como nossa atenção percebe o personagem, mas acompanha a ação ao redor.
O filme, dirigido e roteirizado por C.B. Yi, ao fim, trata sobre a jornada de Fei, entre duas paixões, entre a aceitação da família, que vive de seu dinheiro, mas não apoia seu modo de vida. O grande ponto da obra está na montagem, que desde início faz recortes e deixa situações subentendidas. Não responde todas as perguntas, mas estimula nossa curiosidade. Os primeiros momentos unem as sequências, como a nossa memória, espaçadamente, o vínculo entre elas é o personagem, não temos nada esclarecido, quando anos se passam. Isso nos deixa um pouco confusos, pois tudo parece estar acelerado na vida de Fei. No segundo ato, tudo se torna mais tranquilo, o tempo não tem saltos e ele é confrontado com seu passado e presente. Tudo, em uma história cheia de corações partidos de jovens sem perspectivas de uma mudança em suas vidas.
João Diego Leite ou “Juan Diego” é crítico de cinema e trotskysta
Que gratíssima surpresa, que filme maravilhosamente dirigido! Não fica a dever aos clássicos da Nouvelle Vague Taiwanesa, parecendo citar ADEUS AO SUL muitas vezes: o modo como a violência familiar surge em meio a diálogos inicialmente brandos, os enquadramentos longos e frontais, a câmera seguindo o protagonista em meio às escadarias apertadas... Gosto muito da mudança de tom que ocorre com a entrada em cena de Long. Amei os números musicais (oh, o poder reconciliador do karaokê!), a montagem elíptica, a narrativa que precisa de tempo para que compreendamos as situações... e a possibilidade de um final feliz, através da aceitação do fluxo. Incrivelmente bom: não esperava, fui arrebatado! (WPC>)