Em Zinder, no Níger, no distrito marginal de Kara Kara dominado pelos chamados “palais”, a violência em seu estado bruto parece ditar as relações que sustentam o tecido social. Realizado na cidade natal da diretora, o filme interpela com franqueza as contradições dos sujeitos que constituem esse território, transitando sensivelmente entre o trauma – causado ou sofrido – e o desejo genuíno por mudanças. Empregando diversas abordagens documentais, o filme assume os riscos que emanam do seu próprio processo, no difícil limiar entre experiência pessoal e retrato coletivo.
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Profundas camadas de subdesenvolvimento regidas por leis selvagens.
Desde que vi o catálogo do Festival Olhar de Cinema, fiquei fascinado pelas imagens de divulgação deste filme, atraindo-me de imediato por ele. E fui amplamente recompensado em meus intentos: é um documentário muito contundente, montado como se fosse uma ficcão-coral. Os letreiros de abertura são ótimos, quando a diretora assume-se como "filha de Zinder", de modo que nem julga nem é condescendente em relação a toda a violência que testemunha. Seus personagens reais são ótimos, sejam os freqüentadores da Academia Hitler, a contrabandista hermafrodita de gasolina ou o vigia da zona de meretrícia vizinha. Alguns relatos são muito tristes, sendo que os homens expõem cicatrizes orgulhosas, enquanto as mulheres choram feridas ainda abertas. Não obstante a rudeza das situações, a fotografia e o olhar são belíssimos: apaixonei-me plenamente por esta diretora nigerense. Ótima! (WPC>)