Primeiro, acho a criação da história desse filme muito interessante. Ele é uma adaptação de um musical, que por sua vez foi inspirado em um livro de Gregory Maguire com o mesmo nome — um livro nada bobinho, que explora a origem da maldade. Esse livro serviu de base para o musical e é uma releitura de dois clássicos: O Maravilhoso Mágico de Oz, de L. Frank Baum, e o filme de 1939 protagonizado por Judy Garland. Acho incrível como uma única história inspirou tantas outras, cada uma com mensagens e públicos diferentes.
Tanto o filme da Judy Garland quanto este são musicais incríveis que mostram o mundo de Oz de maneira mágica, mas com elementos bem distintos da obra original de Baum. A Bruxa Verde, por exemplo, aparece pela primeira vez no filme de 1939 e não está no livro original. Já no livro de Maguire, o mundo de Oz e a história da bruxa são desenvolvidos de forma mais 'adulta'.
Este filme mistura elementos da obra de Maguire com a magia dos clássicos infantis.
Adorei o desenvolvimento da amizade entre as duas protagonistas, o pano de fundo político, as canções (que são maravilhosas) e o final, que me arrepiou. A voz e a atuação da Cynthia são impressionantes. Não sou muito fã de musicais; assisto a alguns, mas geralmente não me impactam. Porém, este resgatou a magia do mundo de Oz que eu via quando criança, trazendo nostalgia e um enredo novo.
No momento em que Elphaba acredita que finalmente será aceita - que sua cor verde não a definirá mais como excluída -, descobre que está sendo usada como instrumento de um sistema que oprime os animais e preserva os privilégios dos poderosos. Eis a tragédia: para deixar de ser oprimida, ela precisaria assumir o papel de opressora, jogando pelas regras desse jogo perverso. Mas Elphaba se recusa. Ao invés de ascender socialmente à custa de outros marginalizados, ela escolhe se tornar o 'inimigo comum', permanecendo fiel àquilo que sempre foi: a diferente que conhece a dor da exclusão e se recusa a reproduzi-la.
Glinda, em contraste, personifica o privilégio que opta pela conveniência. Sua recusa em fugir com Elphaba - preferindo manter seu status em Oz mesmo diante da crueldade do regime - revela o cinismo daqueles que criticam o sistema, mas não abrem mão de seus benefícios. Seu ato de 'protesto' (a mudança do nome de Galinda para Glinda, supostamente em homenagem ao professor Dillamond) é pura performance: um gesto vazio que não altera as estruturas de poder, apenas preserva sua imagem. Sua bolha mágica é a alienação em sua forma mais pura: ela enxerga a injustiça, compreende seus mecanismos, mas permanece imóvel - congelada no conforto de seu privilégio.
Ansiosa para assistir a parte 2 e acompanhar o desenvolvimento da bruxa verde!!!
Primeiro, acho a criação da história desse filme muito interessante. Ele é uma adaptação de um musical, que por sua vez foi inspirado em um livro de Gregory Maguire com o mesmo nome — um livro nada bobinho, que explora a origem da maldade. Esse livro serviu de base para o musical e é uma releitura de dois clássicos: O Maravilhoso Mágico de Oz, de L. Frank Baum, e o filme de 1939 protagonizado por Judy Garland. Acho incrível como uma única história inspirou tantas outras, cada uma com mensagens e públicos diferentes.
Tanto o filme da Judy Garland quanto este são musicais incríveis que mostram o mundo de Oz de maneira mágica, mas com elementos bem distintos da obra original de Baum. A Bruxa Verde, por exemplo, aparece pela primeira vez no filme de 1939 e não está no livro original. Já no livro de Maguire, o mundo de Oz e a história da bruxa são desenvolvidos de forma mais 'adulta'.
Este filme mistura elementos da obra de Maguire com a magia dos clássicos infantis.
Adorei o desenvolvimento da amizade entre as duas protagonistas, o pano de fundo político, as canções (que são maravilhosas) e o final, que me arrepiou. A voz e a atuação da Cynthia são impressionantes. Não sou muito fã de musicais; assisto a alguns, mas geralmente não me impactam. Porém, este resgatou a magia do mundo de Oz que eu via quando criança, trazendo nostalgia e um enredo novo.
No momento em que Elphaba acredita que finalmente será aceita - que sua cor verde não a definirá mais como excluída -, descobre que está sendo usada como instrumento de um sistema que oprime os animais e preserva os privilégios dos poderosos. Eis a tragédia: para deixar de ser oprimida, ela precisaria assumir o papel de opressora, jogando pelas regras desse jogo perverso. Mas Elphaba se recusa. Ao invés de ascender socialmente à custa de outros marginalizados, ela escolhe se tornar o 'inimigo comum', permanecendo fiel àquilo que sempre foi: a diferente que conhece a dor da exclusão e se recusa a reproduzi-la.
Glinda, em contraste, personifica o privilégio que opta pela conveniência. Sua recusa em fugir com Elphaba - preferindo manter seu status em Oz mesmo diante da crueldade do regime - revela o cinismo daqueles que criticam o sistema, mas não abrem mão de seus benefícios. Seu ato de 'protesto' (a mudança do nome de Galinda para Glinda, supostamente em homenagem ao professor Dillamond) é pura performance: um gesto vazio que não altera as estruturas de poder, apenas preserva sua imagem. Sua bolha mágica é a alienação em sua forma mais pura: ela enxerga a injustiça, compreende seus mecanismos, mas permanece imóvel - congelada no conforto de seu privilégio.
Ansiosa para assistir a parte 2 e acompanhar o desenvolvimento da bruxa verde!!!