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O Agente Secreto é uma celebração das memórias e a forma como elas possuem esse poder de serem passadas por diferentes gerações. Acredito que de todos os filmes que vi do Kleber Mendonça Filho, esse talvez seja a sua obra mais diferente: o diretor opta por uma narrativa não-linear e explora muito bem o suspense investigativo (com toques perfeitos da nossa brasilidade). É um filme com ritmo mais lento, então não esperem algo frenético estilo "Bacurau", mas sim algo próximo de "Som ao Redor". Mas, honestamente, para mim isso não é demérito: é o texto pedindo paciência ao espectador, pois há muitas camadas importantes que ele quer mostrar.
Acho que não seria novidade pontuar que nosso país possui, ainda, um problema com sua História. Muitos setores da sociedade (em especial políticos da extrema-direita) se negam a lembrar de momentos em que brasileiros foram perseguidos e tiveram seus direitos cessados em sua própria terra. Mas "O Agente Secreto" nos mostra que o ato de esquecer significar dar poder aos algozes e deixa-los perpetuando um mecanismo de violências.
A figura de Armando nada contra essa maré. Ele é uma espécie de símbolo. Sua história se entrelaça com o passado ao procurar algum registro de sua mãe, e vai até o presente quando é resgatada por Flávia ao ouvir aquelas fitas. E nesse ponto temos destaque para a oralidade, que desempenha um papel central em como Flavia e sua amiga passam a entender Armando. Flávia ouve as próprias palavras dele. E embora aquilo fosse somente um trabalho, ela se interessa pelo seu personagem o suficiente para continuar se debruçando no material até chegar ao filho dele.
Por falar em Fernando, é importante mencionar como ele já criança estava começando a esquecer da mãe e, depois de adulto, não tinha mais a imagem nítida do pai. O trabalho de restauração feito por Flávia o possibilita, agora, ter essas imagens em sua mente. As memórias o encontraram.
Com muita paciência, sensibilidade e um toque certeiro de drama e suspense, "O Agente Secreto" nos entrega mais uma imagem do que é o Brasil, o que é "ser brasileiro" e a importância de nunca esquecer nossa História.
Uma obra forte e muito intensa sobre o que é a maternidade sem uma rede de apoio adequada. Linda é o exemplo de mãe cansada, que até pode ter algumas pessoas por perto, mas elas nunca serão capazes de entender a metade do que ela sente. A protagonista carrega um vazio enorme, um desespero que a faz querer procurar qualquer coisa para fugir daquela realidade sufocante. Nesse sentido, a direção de Mary Bronstein puxa para o lado mais frio e cru, com cenas que invocam uma claustrofobia assustadora que nos mostra o turbilhão de pensamentos de Linda.
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Cara, seus comentários são muito bons!!!
Agora sim a Juliette pode descansar depois de vencer cinco edições seguidas!
E pra quem não gostou, só digo uma coisa: OLHA ELAAAAAAAAAAAAAA.