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The Fundamentals of Caring: Um filme que nos desafia a encontrar força na vulnerabilidade
Alguns filmes têm o dom de nos fazer encarar nossas próprias fragilidades com uma honestidade quase brutal. The Fundamentals of Caring (2016), dirigido por Rob Burnett, é um desses. Inspirado no livro homônimo de Jonathan Evison, o filme entrelaça drama e humor para explorar os espaços vazios que carregamos dentro de nós — sejam eles físicos, emocionais ou espirituais.
A trama acompanha Ben (Paul Rudd), um escritor aposentado e emocionalmente paralisado após uma tragédia pessoal, que decide se reinventar como cuidador de Trevor (Craig Roberts), um adolescente sarcástico com distrofia muscular. O vínculo entre eles se transforma quando embarcam em uma improvável road trip, repleta de aventuras peculiares e encontros que desnudam tanto suas fraquezas quanto suas potências.
O que torna este filme tão visceral é como ele trata a dor e a resiliência sem qualquer floreio ou idealização. Trevor é ácido e implacável em sua autodepreciação, enquanto Ben luta para não se afogar na culpa que o acompanha. Ambos se recusam a aceitar o papel de vítimas, mas também não têm a pretensão de serem heróis. É nessa tensão que reside a beleza do filme: a imperfeição como ponto de partida para a conexão humana.
O humor, muitas vezes mordaz, é um bálsamo inesperado. As piadas de Trevor sobre sua condição poderiam facilmente ser ofensivas, mas se tornam um grito de autonomia: ele se recusa a ser reduzido pela doença. E Paul Rudd entrega uma performance contida, mas repleta de nuances, deixando transparecer o turbilhão emocional de Ben mesmo nos momentos de silêncio. Selena Gomez, como a destemida Dot, adiciona uma energia revigorante, representando o mundo lá fora que os dois protagonistas tanto evitam.
Por trás da leveza aparente, The Fundamentals of Caring nos confronta com questões profundas: Como lidar com o luto? O que significa cuidar de alguém? Até onde vai nossa responsabilidade por aqueles que amamos? O filme não entrega respostas prontas, mas nos lembra que o ato de se importar é, em si, um ato revolucionário — não apenas pelos outros, mas por nós mesmos.
Com uma fotografia discreta e uma trilha sonora que amplifica os momentos de introspecção, a jornada de Ben e Trevor é tanto geográfica quanto emocional. É um lembrete de que, mesmo quando nos sentimos presos — seja em nossas circunstâncias ou em nossas mentes —, sempre há algo ou alguém que pode nos ajudar a encontrar uma nova perspectiva.
The Fundamentals of Caring não é apenas sobre cuidar; é sobre recomeçar, mesmo quando tudo parece perdido. Ao final, nos resta uma sensação agridoce, como a vida: imperfeita, imprevisível, mas ainda assim digna de ser vivida.
Eu tinha 9 anos no dia 1º de maio de 1994. A manhã começou como qualquer outra, mas havia algo no ar, uma vibração estranha que eu não sabia nomear. Lembro-me da TV ligada, a transmissão da Fórmula 1 ecoando pela casa, e do meu pai, normalmente tão reservado, sentado à beira do sofá, com os olhos presos à tela. Eu não entendia muito de corridas na época, mas sabia que Ayrton Senna era mais do que um piloto. Ele era um herói. Para mim, para minha família, para o Brasil inteiro.
Quando o acidente aconteceu, não compreendi totalmente a gravidade. O silêncio pesado que tomou conta da sala, no entanto, me marcou profundamente. Era como se o mundo inteiro tivesse parado de respirar. Aquele dia me ensinou algo que só fui entender muitos anos depois: que a perda de alguém que admiramos, mesmo à distância, tem o poder de abrir um buraco profundo dentro de nós, um buraco onde guardamos tanto a dor quanto a inspiração que eles deixaram para trás.
A minissérie Senna, da Netflix, revisita esse vazio, mas também celebra a grandiosidade de Ayrton. Não é apenas sobre um piloto; é sobre o homem, suas fragilidades, sua determinação quase divina e seu desejo de fazer algo maior. A produção acerta em cheio ao captar o que Senna representava — não apenas a genialidade nas pistas, mas a esperança que ele oferecia a um país tão acostumado às derrotas.
A reconstrução dos momentos-chave de sua carreira, aliada a depoimentos sinceros e imagens de arquivo, nos lembra de que Senna não era invencível, mas humano. Um humano extraordinário, sim, mas também alguém que carregava seus próprios medos, inseguranças e questionamentos. A direção é delicada, respeitosa, permitindo que a história fale por si, sem sensacionalismos desnecessários.
O episódio final, em especial, é uma ferida aberta. Mesmo sabendo o desfecho, o impacto emocional é devastador. A cena do acidente, tratada com a devida sensibilidade, traz de volta aquele dia fatídico, mas também nos força a refletir sobre o legado que ele deixou. Não há como assistir sem sentir o peso da ausência, mas também a força da memória.
Senna não é apenas uma minissérie; é um testamento ao que ele significava — e ainda significa. Para quem viveu aquela época, é uma viagem dolorosa, mas necessária. Para quem não viveu, é uma oportunidade de conhecer não apenas um ídolo, mas um símbolo de resiliência, coragem e humanidade.
No fim, fica claro que Ayrton Senna não pertence apenas ao passado. Ele é eterno, como um farol que continua iluminando um país em busca de seus próprios caminhos.
Últimos recados
E aí, André? Tudo bem?
Nos adicionamos aqui, mas nem trocamos ideia. rs
Tava vendo uns comentários q vc deixou e achei todos muito da hora!!
A fim de trocar ideia?
Algum filme pra recomendar?
Fala André! Tudo certo? Espero que sim!
Já nos falamos antes? Se não, Opa!
Se sim, eaí? kkkk =D
Sempre é tempo de puxar assunto com os amigos né?
Aproveitando a nossa amizade aqui no filmow, eu venho fazer uma pequena propaganda aí! =D
Seguinte, vim te indicar minha lista de filmes sobre a teórica existencialista(explicando brevemente, o existencialismo é uma das áreas da filosofia que aborda, dentre muitas outras coisas, o comportamento humano diante de situações do cotidiano ou diante de situações inesperadas, surreais, estapafúrdias e/ou insanas).
Particularmente, eu curti bastante o resultado do meu trabalho lá, tô sempre cuidando e editando a lista e gostaria que vc desse uma olhada, se puder.
Não sei se é o seu tipo de filme, mas eu curto bastante!
Esse tipo de material é muito bom pra fazer a gente pensar e pra tirar da zona de conforto do pensamento!
Cara, alguns filmes dessa temática são bem viajados e dão aquele famoso nó no cérebro.
Dá uma olhada lá na lista, e se vc gostar, já deixa lá o seu like que é nóis!
Já agradecendo o espaço aí! Mando um abraço, mano e te desejo bons filmes!
-> https://filmow.com/listas/existencialismo-l188340/
Ah e quero ouvir teu feedback hem? Abração!
bot?
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Existe uma angústia particular na iminência do colapso. Não o estouro em si, mas aquele momento em que o silêncio pesa, os sinais se acumulam, e só resta encarar o inevitável. O Mundo Depois de Nós (2023), de Sam Esmail, traduz essa sensação com uma precisão dolorosa.
O filme, baseado no romance de Rumaan Alam,
nos coloca diante de uma catástrofe iminente sob a perspectiva de duas famílias forçadas a dividir um mesmo teto em meio ao caos. Julia Roberts e Ethan Hawke interpretam um casal de classe média alta que aluga uma casa para um fim de semana tranquilo, até que Mahershala Ali e Myha’la Herrold aparecem à porta dizendo ser os verdadeiros donos do imóvel. O problema? O mundo lá fora está se desfazendo – e ninguém sabe exatamente como ou por quê.
O roteiro não se preocupa em entregar respostas mastigadas.
O que aconteceu com a internet? Por que os animais estão se comportando de forma estranha? Quem está no controle? O filme nos coloca na posição dos personagens: desorientados, inseguros, esperando por algo que nunca se esclarece por completo.
Mas talvez o maior impacto do filme não esteja no mistério, e sim na forma como escancara a fragilidade das relações humanas. No fim, não são os eventos externos que corroem as certezas, mas o que se esconde dentro de cada um. A tensão entre os personagens é sufocante, porque não se trata apenas de medo – trata-se de reconhecer que, quando o mundo desaba, você pode descobrir que nunca esteve verdadeiramente seguro, nem amado, nem preparado.
A fotografia de Esmail amplifica esse desconforto, com enquadramentos que isolam os personagens dentro da cena, criando a sensação de que cada um, por mais que esteja cercado por outros, ainda está sozinho. A trilha sonora, dissonante e inquietante, reforça esse clima de ruína emocional.
No fim, O Mundo Depois de Nós não é um filme sobre o apocalipse. É um filme sobre o que resta quando tudo o que nos distraía some. Sobre o silêncio que fica quando a verdade chega. Sobre perceber que, talvez, o colapso já tenha começado dentro da gente muito antes de o mundo lá fora começar a ruir.