Últimas opiniões enviadas
FANTASPOA 2026
Mais um filme sobre pertencimento e a tentativa de se encaixar, quando tu não é padrão na sociedade. Ilustra bem o problema de que aquilo que nos torna diferentes nem sempre é algo que dá pra mudar...
Achei o filme bem feito, bonito e com boas atuações. Talvez uma vibe meio Sessão da Tarde?
Fica o questionamento, só:
ela se aceitou, ou só desistiu?
FANTASPOA 2026
O filme conta a história da Yasamin, uma adolescente iraniana recém-chegada ao Canadá. É o clichê de deslocamento social no Ensino Médio, mas que vai aprofundando aos poucos.
A gente inicia o filme acompanhando a Yasamin tentando se adaptar à nova realidade, fazer novas amizades e ultrapassar a barreira do idioma (é engraçadinho no começo ela reproduzindo as conversas de um programa de TV a la Friends que ela assiste). Logo de cara, a gente já entende a dinâmica familiar, e já percebe como essa tentativa de adaptação começa, aos poucos, afastando ela da própria cultura e da família.
Conforme o filme vai desenvolvendo, a gente vê que quanto mais ela tenta se encaixar, mais afastada ela fica de quem ela é/era, e isso gera uma sensação meio constante de não pertencimento. É um filme meio lento, bem sutil, e levemente incômodo.
No fim, dá aquela impressão
de que nada se resolveu, e que na real, nem existe uma resolução.
FANTASPOA 2026
Sessão comentada com a diretora Aleksandra Hansen, e com o diretor de fotografia.
Não promete nada, mas entrega muito! É realmente impressionante o que pessoas talentosas conseguem fazer, às vezes com o orçamento de um pastel e uma coquinha.
O filme acompanha a Evelyn, uma americana que foi morar numa cidadezinha ao sul da Noruega pra cuidar da mãe doente. Já inicia com a mãe dela falecida, e a gente vê que ela meio que não tem pra onde ir: tá sem trabalho, sem dinheiro e quase sem casa, porque a casa em que a mãe morava era da tia dela. Com essa tia chegando, começam várias cobranças e comparações depreciativas entre a Evelyn e a mãe. Enfim, ela tenta seguir com a vida, consegue um emprego, cria uma rotina, mas infelizmente depressão não se cura só saindo de casa e "fazendo alguma coisa", como muitos pensam... E enquanto ela tenta seguir com a vida, acaba se apegando a um sitcom de comédia que se passa em uma cafeteria (familiar, né?), e nisso a história segue.
Esse filme é uma representação bem fiel de alguns casos de depressão. A busca de uma fuga; o conforto encontrado da nostalgia; a sensação de viver sempre o mesmo dia, no automático, porque tu não acha mais que tem uma razão pra existir; a dificuldade de se conectar com outras pessoas, muito bem ilustrada pela barreira do idioma, já que a Evelyn não fala nada de norueguês.
Relacionei com uma situação bem naturalizada, hoje em dia: a gente vive a nossa rotina, muitas vezes infeliz e não sabendo muito bem como mudar, e acaba se distraindo com coisas que preenchem o vazio que a gente sente - televisão, celular, compras, comida - mas isso tudo é só momentâneo.
Uma coisa que me chamou atenção foi que ela não
remoeu muito a morte da mãe. É um luto contido, nada dramático. Os sentimentos dela são muito sutis e silenciosos, principalmente pras pessoas ao redor dela. Notei também uma utilização legal dos reflexos: uma hora num espelho, outra no lago, e a personagem inserida neles, meio que demonstrando um deslocamento entre ela e o que tem por fora desse reflexo?
Algumas curiosidades aleatórias do bate-papo, no pós filme:
- A equipe do filme tinha um total de 6 pessoas (!!!)
- Teve um intervalo de alguns anos entre as filmagens, porque nesse meio tempo, o diretor de fotografia pediu a diretora em casamento
- As cenas da cidade foram gravadas na Noruega, obviamente, mas as cenas do sitcom foram em LA (pelo que eu lembro dela ter dito, as cenas na Noruega foram gravadas em 2022, e as do sitcom, mais recentemente)
- Na primeira versão do roteiro, a história se passaria em LA, onde a diretora morava na época. Anos depois, quando reescreveu, resolveu mudar a história pra Noruega, em homenagem à cidade em que o pai dela cresceu, e onde ela nasceu
- Sobre a utilização de um sitcom, a diretora escolheu essa ideia porque, nesse tipo de série, os problemas se resolvem em menos de meia hora, e todo mundo fica feliz no final - a realidade que todo mundo queria, né?
- Os atores eram praticamente todos moradores da cidade em que foi gravado, o que me surpreendeu muito, porque todos foram ótimos atuando! E quem pilhou a galera toda pra participar foi a tia da diretora
- A atriz principal foi colega da diretora na faculdade e, de acordo com ela, é super boa em fazer personagens transtornados kkkkk (e é mesmo, achei ótima)