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Sonata de Outono é uma obra prima do cinema.
Ingmar Bergman disseca de maneira visceral o que há de mais íntimo e complexo de uma relação entre mãe e filha marcada pela ausência e rigidez.
A atuação de Liv Ullmann é espetacular. Totalmente imersa na sua personagem, Eva, uma filha que recebe a visita da mãe ausente após sete anos desde o ultimo encontro, Ullmann casa perfeitamente com sua companheira de elenco, Ingrid Bergman, que faz o papel da mãe, Charlotte.
Eva é uma mulher adulta que carrega uma criança que grita por dentro. Sua infância moldou profundamente sua personalidade e pensamentos, e suas experiências ao longo da vida, como a perda do filho Erick, também estão associadas à sua natureza íntima. Ao receber a mãe com muito entusiasmo, ela tenta, quase que forçadamente, se convencer de que a dor causada pela mãe não a afeta mais.
Charlotte, por sua vez, é uma pessoa desprezível. Incapaz de reconhecer suas falhas e de se importar com o próximo, planeja sua ida assim que o primeiro desconforto aparece: sua segunda filha, Helena, que sofre de uma doença degenerativa está na casa.
O enredo do filme é excelente e traz alguns dos personagens mais densos e bem desenvolvidos do cinema.
Poucos filmes proporcionam o prazer de serem contemplados. Mais do que assistir, cada minuto deste filme é para ser atentamente saboreado com os olhos.
Enredo, direção, fotografia, trilha sonora, elenco, atuação, cenários, etc. Tudo foi funciona com um primor, e com rara coragem de ser original.
Mads Mikkelsen entrega um trabalho incrível, como de costume. Amanda Collin parece saber exatamente o peso de sua personagem.
Todo o enredo entrega um drama emocionalmente envolvente e com uma carga sentimental que escala lentamente no decorrer da obra, sem pressa, dentro do seu tempo. Tudo flui com naturalidade.
Perfeito.
Um abuso monocromático de Bergman. Vermelho de culpa, simboliza o que representa o filme inteiro. As irmãs de Agnes estão tão ocupadas com suas culpas e traumas que são incapazes de estabelecerem conexão genuína de afeto, deixando ela em um estado de quase abandono em meio a agonia de suportar sozinha o câncer.
Bergman explora, como faria mais vezes, a dificuldade humana de se relacionar com seus próximos. Ambas as irmãs, Maria e Karin, são frias e distantes, mesmo percebendo a necessidade de estenderem seus cuidados e carinhos para Agnes, elas simplesmente não conseguem.
Apenas Anna, empregada da família, é capaz de cuidar e oferecer, de maneira até maternal, cuidado e carinho. Tratamento este que não foi suficiente para receber reconhecimento das duas irmãs, que a desprezam ao final do filme.
Um ótimo filme que se propõe a explorar as camadas mais profundas da culpa e suas consequências.