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Em uma casa no campo uma mulher está bastante enferma e recebe cuidados de suas duas irmãs e de uma empregada da família, que precocemente perdeu sua filha e por isso extravaza seu amor de mãe dando o maior carinho possível para aquela moça tão debilitada. Dentro deste contexto lembranças, frustrações e imaginações em um misto de amor e ódio surgem no interior de cada pessoa.
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Bergman e sua habilidade de analisar de forma impiedosa o comportamento humano. Aqui temos a história de quatro mulheres vivendo juntas pelas forças da circunstâncias e que vão revelando seus anseios, defeitos, medos e vulnerabilidades.
O quarteto de atrizes é nunca menos que espetacular e conduzem brilhantemente esse drama arrebatador e por vezes cruel. Trabalho irrepreensível de direção, além de um belíssimo uso de cores e luzes.
Assim como eu disse sobre "Persona", não tenho como falar de Bergman sem ressaltar a maestria com que ele usa a luz. O cara é o "ljusets mästare" do cinema, é impressionante.
Revendo esse filme quase dez anos depois, concluo que é a obra-prima do mestre da luz sueco.
Aqui, além do jogo de luzes e câmera que lhe é próprio, explora-se o som com genialidade: silêncios eloquentes, tique-taques que nos deixam em suspenso, murmúrios agoniantes ou sensuais e gritos tenebrosos são, também, personagens do filme.
A metalinguagem, sempre presente, dá o seu show ao longo de todo o filme.
Acho que é o melhor filme que vi nos últimos anos, e nem foi preciso falar da fotografia, porque não há palavras suficientes para expressar a beleza das imagens projetadas nesse filme.
Obra de arte totalmente intimista sobre o peso da culpa, o desamor e o passar dos dias...
Que final maravilhoso!
Anna tem uma alma iluminada, mas só reconheçam isso talvez, quem está em outro plano.
Casos de família by Bergman, achei essa a obra mais intensa do mestre sueco, os personagens aqui carregam dores advindas da alma, sentem o peso do “viver”, lidam com a culpa, o remorso, é desesperador.
Um abuso monocromático de Bergman. Vermelho de culpa, simboliza o que representa o filme inteiro. As irmãs de Agnes estão tão ocupadas com suas culpas e traumas que são incapazes de estabelecerem conexão genuína de afeto, deixando ela em um estado de quase abandono em meio a agonia de suportar sozinha o câncer.
Bergman explora, como faria mais vezes, a dificuldade humana de se relacionar com seus próximos. Ambas as irmãs, Maria e Karin, são frias e distantes, mesmo percebendo a necessidade de estenderem seus cuidados e carinhos para Agnes, elas simplesmente não conseguem.
Apenas Anna, empregada da família, é capaz de cuidar e oferecer, de maneira até maternal, cuidado e carinho. Tratamento este que não foi suficiente para receber reconhecimento das duas irmãs, que a desprezam ao final do filme.
Um ótimo filme que se propõe a explorar as camadas mais profundas da culpa e suas consequências.