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Decepcionante. O argumento é bom, mas o filme não tem interesse no próprio mistério. Tudo fica óbvio desde o início. Isso torna as descobertas, a paranoia e o horror do Andy supérfluos, porque nós já começamos com todas as respostas que ele busca. Não seria melhor se a gente desconfiasse, junto com os irmãos, das intenções da Laura?
A A24 precisa abandonar a fórmula e voltar a inovar. Todo filme recente deles parece sequência de Hereditário.
Três irmãos materialistas performam rituais em busca de uma conexão comprada e insicera. Supostamente enlutados, eles ignoram a espiritualidade que se apresenta em cada esquina durante a viagem e condicionam a relação uns com os outros a objetos. Toda interação com o mundo é transacional, ao ponto de um deles agradecer por ser "usado" a uma mulher por quem, provavelmente, está apaixonado. Eles também reduzem a memória do pai ao que ele possuía (os óculos, o barbeador, as moedas que se espalharam no atropelamento e o carro) e se sentem roubados da presença dele quando alguém se aproria dessas posses. Depois de muitas tentativas, no fim, com o sumiço da mãe e a chegada de um novo membro, se rendem ao significado do amor, da família e da ancoragem no presente. Dão as costas ao materialismo quando se negam a voltar pra casa e precisam abandonar a bagagem luxuosa pra seguir viagem.
Os acontecimentos em si são desinteressantes e não justificam a extravagância da direção. Os diálogos também são apáticos e pouco cativantes, então tudo sobre esse filme chega muito perto de encher o saco. Ainda assim, o subtexto dele é bem construído e merece reconhecimento.