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achei muito linda a fotografia. O roteiro deixou a desejar pois tem muitos furos.
um filme lindo para ver com a familia inteira numa tarde de domingo
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Muti: Crime e Poder é um filme tão vagabundo que consegue transformar um serial killer ritualístico numa mistura de Exterminador do Futuro com mágico de festa infantil. O sujeito mata policiais treinados em plena luz do dia, um atrás do outro, corta garganta de geral, ninguém acerta um tiro, ninguém consegue localizar o homem, ninguém reconhece aquela cara toda marcada circulando por aí como se fosse um cidadão discreto comprando pão. O roteiro quer vender a ideia de um monstro imparável, mas para isso rebaixa todo o resto da humanidade ao nível da ameba.
A polícia no filme não investiga, não cerca, não pensa, não faz porra nenhuma. Existe apenas para morrer e para gritar frases imbecis do tipo “queremos ele vivo”, mesmo diante de um sujeito que já transformou metade do efetivo em carne de açougue. É aquele velho truque de roteiro preguiçoso: o vilão não é brilhante; o universo inteiro é que fica retardado para ele parecer brilhante.
Aí entra Morgan Freeman, convocado claramente não porque o filme tinha uma grande ideia para ele, mas porque algum produtor falido pensou: “vamos pagar uma grana aí pra esse velho, pegar um restinho da aura de Seven e ver se o público engole”. E o triste é justamente esse: usar Morgan Freeman como selo de respeitabilidade para uma porcaria que quer parecer densa, sombria e inteligente, mas tem a consistência dramática de um pano de chão molhado.
O personagem dele começa o filme com medo, hesitante, arredio, traumatizado, quase se cagando diante da ideia de se envolver. Aí, sem transição nenhuma, vira colaborador prestativo, amigo do policial, consultor tagarela e, depois, caçador de demônio tardio. Cadê o medo? Cadê a coerência psicológica? Cadê o arco? Foram todos assassinados pelo roteiro e tiveram a garganta cortada junto com os policiais.
E então vem a tentativa mais sem-vergonha de todas: brincar de Seven. Tem caixa misteriosa, tem Morgan Freeman com pose solene, tem revelação grotesca, tem todo aquele ar de “olha como somos perturbadores”. Só que em Seven a caixa era o ápice de uma construção moral brutal. Aqui é só um cosplay de profundidade feito por roteirista em estado terminal de criatividade.
Mas nada, absolutamente nada, supera a cena dos olhos. O filme quer que a gente aceite que esse velho nonagenário, que no início estava com medo do assassino, depois vai atrás dele, mata o sujeito fora de cena, manda os olhos numa caixa e ainda vê o policial comer os olhos como se isso fosse um grande momento de catarse sombria. Não é sombrio. Não é profundo. Não é perturbador. É só ridículo. Ou o personagem aderiu completamente ao ritual e virou um idiota sem caráter disposto a engolir qualquer superstição macabra por “poder” e “visão”, ou então o filme simplesmente pensou: “rapaz, e se ele comer os olhos? Vai ficar impactante, né?” Não ficou. Ficou tosco.
E a humilhação final é essa: o homem passa o filme inteiro matando policiais treinados como quem corta manteiga, mas quem resolve a parada no fim é um Morgan Freeman já em avançado estágio de aposentadoria espiritual. Nem no confronto final, não. Depois. O velho vai lá, caça o superassassino que aterrorizava todo mundo e resolve a porra sozinho arrancando os olhos do sujeito e ainda envia para o novo amigo come-los como quem come ovos de codorna. Pronto. A essa altura, o filme já desistiu de qualquer relação com lógica, verossimilhança ou dignidade.
No fim, Muti quer ser um thriller sombrio, ritualístico, denso, meio Seven, meio horror moral, meio decadência policial. Mas entrega apenas uma sequência de absurdos com pose de profundidade. É um filme ruim, pretensioso, incoerente e constrangedor. E talvez a pior parte seja essa sensação de ver Morgan Freeman sendo alugado para emprestar gravidade a um roteiro que não merece nem um figurante sóbrio, quanto mais a presença dele.