Últimas opiniões enviadas
Gostei do filme, é um tanto obvio, poderia trazer uma dimensão psicológica mais profunda dos personagens, mas ainda assim consegue manter bem a tensão e apresenta com um bom ritmo o roteiro.
Entendi tudo como uma crítica à elite em diversos aspectos: neste multiverso burguês os empresários representam a arrogância e o abuso econômico, Tyler o cúmulo da alienação das bolhas, também representada pela crítica gastronômica. O ideal de tradição, nome e status da "família tradicional" representado pelo marido infiel e sua esposa soma-se ao entretenimento raso do ator, que muito vende mas pouco acrescenta. Tudo é coroado pela frustração e ausência de sentido do chef, que condena a todos ao passo em que se inclui neste circuito, motivo pelo qual morre junto com os demais. Assim Margot é a única representante das pessoas comuns, com reações genuínas, não entra neste roteiro e assim é absolvida deste fim trágico
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Se Walter Salles em "Ainda estou aqui" veio para retratar a face mais lembrada da ditadura militar brasileira, com o sumiço de grandes nomes, resistência organizada, fardas e quarteis militares no eixo do poder nacional, Kleber Mendonça Filho trouxe " O agente secreto" para apresentar o lado B deste disco.
Sua obra retrata com fidelidade a experiência deste brasil periférico, no "norte" da visão sudestina, evidenciando o coronelismo, o descaso, a corrupção do exercício dos pequenos poderes, as pessoas comuns que se organizam e protegem como podem e, sobretudo, o esquecimento e banalização desta experiência.
Com uma ambientação e caracterização perfeitas, a trama costura a história entre o fantástico e o cotidiano, entre o riso e choro, entre a esperança e o desconsolo, entre o pertencimento e o desterro. Neste filme não há excessos, nem sequer no seu realismo fantástico. As alegorias tem uma função narrativa muito peculiar, para além de destacar os elementos folclóricos e típicos regionais e eu gostaria de apontar aquelas que mais me chamaram a atenção :
Começando pela mais óbvias: a figura do tubarão conecta, como um fio condutor, o sucesso cinematográfico de Jaws de 75- já que a história se passa em um cinema - a esta figura recorrente de recife, que já noticiou diversos ataques ao longo da sua história, representando a ameaça permanente e insidiosa do regime militar que pode, a qualquer momento, selecionar uma nova vítima e espalhar este banho de sangue pela cidade, o que já acontece nos primeiros momentos do filme.
Adorei ver a lenda da perna cabeluda sendo representada como notícia, o que nos deixa a pensar: quais informações deixaram de ser apresentadas para que esta "notícia" fosse publicada? Com um jornalismo vigiado por figuras obtusas como o delegado, faz mais sentido publicar a manchete de que 'a perna cabeluda roubou
a outra do IML' do que qualquer outra linha investigativa.
Falando no Delegado, a cena em que ele invade o ateliê do alemão a quem ele atribui erroneamente - assim como todas as suas leituras- a interpretação de que o judeu seria um combatente de guerra, escancara a imbecilidade e limitação deste personagem. Esta cena evidencia outra grande mazela da ditaura: o jabuti em cima do muro. Como um indivíduo tão patético poderia concentrar tanto poder, cargo e prestígio? simples, sendo colocado lá para fazer o serviço sujo, porque o que tem de burro, tem de ruim.
Por fim, não me passou despercebido a tradição da "La ursa" típica dos carnavais Paraibanos e Pernambucanos. As pessoas se vestem de urso, invadem casas, perseguem pessoas e cantam canções pedindo dinheiro. Como Paraibana, lembro desta sensação de medo e fascínio que sentia quando pequena ao me deparar com estas figuras cabeludas nem sempre educadas, mas sempre enérgicas e intrigantes. Na trama, ao chegar na cidade, o protagonista tem o carro perseguido por esta figura, invocando igualmente uma sensação agridoce: uma mistura de pertencimento e familiaridade com esta ameaça ou presságio de que algo será tomado dele, certamente muito mais valioso que alguns trocadinhos.
Como nordestina me senti muito representada, é muito bom ver na tela nossas expressões, costumes e cultura sendo representada de forma fidedigna e não caricata. Muito além da seca e do " oxe" temos doutores, intelectuais, gente simples, batalhadora, corajosa, acolhedora e empática. Não à toa Dona Sebastiana fez o sucesso que fez, porque ressoa nela a espontaneidade e força de nossas mães, avós, tias... Sua crueza e doçura tem o dna das nossas matriarcas, que sendo brabas, mandonas e acolhedoras, são pilares de nossa sociedade.