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Minha expectativa estava muito alta, e isso acabou impactando um pouco minha experiência.
Imaginei de fato uma série no estilo de Chinatown, do Roman Polanski, mas o que encontrei foi uma produção de ritmo lento e arrastado, repleta de piadinhas sem graça. A secretária do Spider-Noir é simplesmente insuportável: um alívio cômico ambulante cujo único propósito parece ser abrir a boca para soltar alguma piada de tiozão.
O Nicolas Cage continua tendo o carisma de uma porta. Achei que, dessa vez, ele iria se redimir, mas continua o mesmo ator sem carisma e com a mesma cara de paisagem que a gente conhece desde Picardias Estudantis. Sério, existem tantos atores excelentes por aí, e colocam logo o Nicolas Cage...
A trama é bastante previsível e, para falar a verdade, bem rasa. Não é algo viciante de assistir, nem uma história repleta de reviravoltas. A série é fortemente inspirada nos filmes noir policiais, adicionando apenas o elemento dos superpoderes. Falta ousadia e até mesmo originalidade; infelizmente, o roteiro é excessivamente seguro e previsível. Praticamente todos os personagens ficam presos a um maniqueísmo simplista entre o bem e o mal. A estrutura narrativa raramente explora o lado mais humano dos personagens, seus verdadeiros anseios ou motivações.
O pano de fundo é a Nova York dos anos 1930, mas essa Nova York não parece viva; funciona apenas como um cenário decorativo. Se a história se passasse no Sri Lanka em 2024, provavelmente teria o mesmo impacto. Sabemos que os Estados Unidos dos anos 30 foram marcados pela Grande Depressão, pela ascensão do crime organizado e pelo legado da Lei Seca, além da segregação racial e de uma discriminação fortíssima. No entanto, o personagem negro parece viver normalmente, como se nada disso existisse. Os direitos das mulheres também eram bastante limitados, mas, ironicamente, a secretária do protagonista é uma mulher com personalidade de tiozão que vive fazendo piadinhas o tempo todo, sem que ninguém a questione ou a destrate por isso.
Também havia tensões políticas relevantes naquele período: fortalecimento dos sindicatos, crescimento de simpatizantes do comunismo, greves frequentes e o surgimento de grupos fascistas inspirados na Europa. É verdade que Spider-Noir se passa na Terra-90214, mas o núcleo criativo claramente se inspirou nessa época decadente, repleta de inseguranças e conflitos. Ainda assim, a série suaviza muitos desses elementos para tornar o cenário mais fantasioso e palatável ao público.
Enfim... ainda não terminei a primeira temporada, mas, pelo que assisti até agora, não me parece algo que valha o meu tempo continuar acompanhando. Posso estar equivocado, claro, e talvez o final da temporada seja algo realmente fora da curva e consiga me surpreender de verdade.
Como essa baboseira ganhou de Nada de Novo no Front no oscar 2023? Ultrajante!