Georg e sua esposa Anna percebem o quanto suas vidas são isoladas e monótonas quando sua filha Eva, em uma tentativa desesperada para conseguir atenção, passa a fingir estar cega. A família decide então alterar sua realidade e mudar para a Austrália.
O muito louco do Haneke é que mesmo o conhecendo ele sempre surpreende e, claramente, traumatiza. Fiquei com esse final comigo por dias, remoendo e vez ou outra ele me vem a memória e me assombra.
É compreensível o tédio lacerante da trama, mas não a torna menos enfadonha. Uma interessante estreia de Michael Haneke, autêntica e substancial, mas que não me engajou.
Eu gostei muito, apesar da considerável "lentidão".
Este é um filme feito para se observar e realmente, mesmo lento, os enquadramentos são tão perfeitos e os elementos dos quadros são tão polidos que te prendem. Cenas que ilustram isso bem são a da caixa de supermercado teclando os códigos dos produtos (daquela forma mecânica e estética super clean) e a da filha e colegas de escola pulando o cavalo na aula de educação física. O filme brinca com essa ideia do ser humano ser uma extensão da própria rotina, ao invés do contrário, e com toda a mecanicidade dessa extensão.
O jantar (em que o irmão chora) tem aquele silêncio constrangedor em que as pessoas estão desconexas e para "não ficar chato" começam a falar do tempero. Até que o irmão desaba, trazendo a desordem pra dentro da casa da família. É um tipo de rotina que não permite vulnerabilidade.
O restante é tudo muito casual mesmo e a falta de conflito contribui pra essa casualidade. Engraçado que não parece uma normatividade forçada, parece que eles simplesmente são assim (mostrando a falha da idealização desse estilo de vida, talvez?).
Quando a bomba estoura aí já era. Acho que o ato de quebrarem a casa toda, rasgarem todo o dinheiro e tal não precisa de resposta. É um ritual de suicídio, cada suicida tem o seu.
Falando novamente em enquadramento, a cena dos três mortos deitados no fim com a tv chiando daria um legítimo quadro! Belíssima!
O Haneke tem uma capacidade impressionante de construir planos que ficam na nossa cabeça tempos depois.
Enfim, recomendo! Muito bonito e o Haneke mais leve que assisti até agora.
Odiei esse filme com todas as minhas forças, ele tem cheiro de morte, niilismo puro.
Foi baseado em fatos reais? Sim. É chocante? Muito. O choque vem justamente por não haver motivos, a familia tinha tudo, brancos, classe média, bem-sucedidos, uma filha, jovens, futuro pela frente, e meu Deus do céu! É inacreditável.
A vibe desse filme até certo ponto é uma delícia, filme gostosinho pra assistir aconchegado debaixo das cobertas numa noite chuvosa depois de tomar 2 comprimidos de quetiapina, naquele estado de sonolência de uma letargia meio nostálgica. Mas a medida que vai avançando vc vai sacando o rumo que o filme quer tomar, e depois de certo ponto fica insustentável, bad trip total.
O filme é impecável, a forma como ele conversa com o espectador de maneira fria e introspectiva, com enquadramentos em close-up, corte seco, camera estática, é quase hipnótico. Mas a mensagem que ele comunica (óbvio que o filme é uma crítica) me refiro a história escolhida pra dialogar com o espectador, é de uma negação a vida elevada à máxima potência, por isso 1 estrela.
The Power of Love