José Cláudio Carvalho reis
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David (Rupert Evans) é um arquivista cuja vida familiar beira a perfeição. Até descobrir que sua bela esposa (Hannah Hoekstra) tem um amante. Numa noite, ele a segue e vai parar na casa do sujeito. O que sucede são cenas perturbadoras de assassinato e delírio. A paranóia se instala na mente de David, após a descoberta de que sua casa fora o palco de acontecimentos macabros (para dizer o mínimo). O diretor e roteirista Ivan Kavanagh manipula com maestria a oposição entre realidade e loucura, compondo cenas fortes e sinistras, com uso preciso da iluminação (há sempre um tom avermelhado incidindo sobre o protagonista). Há ecos de "O Iluminado", horror japonês e diversas outras influências, tudo em completa harmonia. Forte e, como já disse antes, um bocado perturbador!

Diferente de séries procedurais como CSI (que eu gosto), Mindhunter se destaca pelo desenvolvimento dos personagens e arcos dramáticos. Caprichada ao extremo, muito inteligente!

Oriundos do trabalho como dublês, David Leitch e Chad Stahelski fizeram um trabalho brilhante em "John Wick - De Volta ao Jogo" (2014). A dupla então se dividiu, com Stahelski assumindo a sequência de seu clássico instantâneo dos filmes de ação, enquanto David Leitch embarcou num projeto baseado na graphic novel "The Coldest City", de Antony Johnston e Sam Hart. O resultado é "Atômica", thriller de espionagem ambientado perto da queda do muro de Berlin. Charlize Theron é uma espiã do MI6 que precisa tomar posse de uma lista, afim de evitar algo desastroso. A belíssima atriz se confirma como estrela do cinema de ação, dando show de fisicalidade, mas também entrega uma personagem bem interpretada, com nuances - do blasé, passando pela dor da perda até os ataques de fúria - bastante distintas. A fotografia acinzentada registra o tom distópico do contexto político, mas cria um contraste quando utiliza um cromatismo vermelho e azul, nas sequências em que a existência no local de fato ganha vida. James McAvoy é excelente, fazendo um agente de índole duvidosa e deixando algumas pulgas atrás da orelha. As cenas de ação e pancadaria são extremamente bem filmadas, e o diretor se dedica a elas com todo esmero. Um simples atropelamento no início do longa já provoca aquele "uau!", fazendo esperar pelo que vem pela frente. É pena que o roteiro seja um pouco truncado, sua estrutura é montada por meio de flashbacks, que às vezes prejudicam a fluidez da trama. Mas diante de algo tão espetacular, podemos dar um desconto. "Atômica" é um filmaço!

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